Desespero de mães: A tragédia do despreparo governamental diante de crises psiquiátricas

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Em um cenário que se repete com uma tristeza alarmante, mães enfrentam o inimaginável: ver seus filhos, em momentos de fragilidade mental, serem vítimas de uma brutalidade que deveria ser evitada. A tragédia se torna ainda mais dolorosa quando a busca por ajuda se transforma em um pesadelo.

No último setembro, Porto Alegre foi palco de um incidente devastador. Herick Cristian da Silva Vargas, em um surto psiquiátrico, teve sua vida ceifada em plena luz do dia, diante do olhar angustiado de sua mãe, que apenas buscava apoio da Brigada Militar. O que era para ser um socorro virou um ato de violência incompreensível.

Agora, em Santa Maria, a história se repete. Paulo José Chaves dos Santos foi assassinado em frente à sua família, que, em um ato desesperado, também chamou a Brigada Militar para conter um surto. Mais uma vez, o Estado falha em proteger aqueles que mais precisam.

Não se trata de apontar dedos ou criticar as ações dos policiais, mas de reconhecer uma realidade inegável: o Estado não está preparado para lidar com crises psiquiátricas. Para aqueles que já viveram essa experiência angustiante, a busca por apoio é um labirinto sem saída. Números de emergência muitas vezes não atendem a chamados desesperados, e quando o atendimento chega, as tragédias se repetem.

O Secretário de Saúde de Porto Alegre, Fernando Ritter, está tentando mudar essa realidade ao desenvolver uma rede de apoio dedicada a situações como essas. É importante lembrar que Ritter já atuou como Secretário da Saúde em Canoas, quando o pai do atual vice-prefeito ocupava o cargo de Prefeito da nossa cidade. Essa conexão traz à tona a necessidade urgente de que nossos vereadores e o prefeito se empenhem em resolver essa problemática, inspirando-se nas soluções já propostas pela cidade vizinha.

É evidente que uma ação integrada entre os serviços de saúde e as forças de segurança é imprescindível. O uso de armas não letais deve ser priorizado para conter pacientes em surto, garantindo que o tratamento seja humanizado e que a vida de todos seja respeitada.

O desafio é imenso, e a falta de uma rede de apoio governamental é alarmante, permitindo que tragédias continuem a se repetir. Portanto, a urgência é clara: nossa cidade precisa se mobilizar e criar mecanismos adequados para enfrentar essa verdadeira epidemia contemporânea, os transtornos psiquiátricos. É hora de agir, antes que mais mães sejam forçadas a viver a dor de perder um filho em uma circunstância tão evitável.

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