Meu caro Marco,
Leio hoje as palavras que você escreveu em 2009, quando completava seus primeiros três anos de sobriedade, e sinto um profundo aperto no peito, mas também um imenso orgulho. Eu me lembro bem desse peso que você carregava: a necessidade urgente de provar que era confiável, o medo do olhar desconfiado da família e a dor das marcas que a vodka deixou.
Hoje, vinte anos depois do nosso primeiro “Só Por Hoje”, quero compartilhar com você o que aprendi nesse tempo que você ainda tem a percorrer.
Sobre a Confiança e o Tempo
Você escreveu que viveria o resto dos seus dias tendo que provar que era confiável. Tenho uma boa notícia: a “prova” não é um fardo eterno, ela se torna o seu novo modo de ser. Com o tempo, o esforço para ser confiável deixa de ser uma batalha diária e passa a ser a sua identidade natural.
Aquela “vigilância” da família e dos amigos, que em 2009 você aceitava com serenidade, transformou-se em um cuidado amoroso e em uma paz que você nem imagina — muito graças à Cintia Loureiro Marantes, a esposa que Deus colocou em seu caminho. Eles não vigiam mais o “borracho”; eles hoje confiam no homem que você se tornou, embora o respeito pela doença continue lá, como um lembrete necessário.
A Lição do Décimo Passo
Você mencionou que o Décimo Passo (a análise honesta diária) era fundamental para readquirir a confiança em si mesmo. Continue assim. Vinte anos depois, esse passo ainda é o meu radar. A diferença é que hoje eu não o uso apenas para não beber, mas para ser um ser humano melhor. A confiança em si mesmo, que você estava começando a reconstruir, hoje é o meu alicerce. Eu já não fujo dos problemas; eu os enfrento, um de cada vez.
A Entrega ao Poder Superior
Em 2009, você estava descobrindo a plenitude do Terceiro Passo. Posso te dizer que essa entrega só fica mais profunda. Aquele “Alguém muito maior” que você sentia que o protegia, hoje é meu companheiro constante. A ansiedade pelo amanhã, que você já combatia vivendo 24 horas por vez, diminuiu drasticamente. Eu aprendi que Deus realmente confia em nós, desde que façamos a nossa parte.

O Que eu Diria Para Aquele Marco de 3 Anos de Caminhada:
- Seja mais gentil consigo mesmo: Você foi muito duro em suas palavras de 2009. O arrependimento é necessário, mas a culpa excessiva é uma armadilha. Você já estava perdoado; só precisava de tempo para sentir isso.
- A “Espinha Dorsal” funciona: Manter os 12 Passos como o centro da vida foi a melhor decisão que já tomamos. Não mude a rota.
- O medo da recaída diminui, mas o respeito aumenta: Com 20 anos, eu não acordo mais com medo de beber, mas acordo com o mesmo respeito pela doença que você tinha. A sobriedade não é um destino, é o próprio caminho.
Marco, continue firme. Aquela “luta diária” que você descreveu no artigo se transformou em uma “vida plena”. O amanhã que você disse que pertencia a Deus chegou para mim, e posso te garantir: valeu cada segundo de esforço.
Estamos juntos, de 24 em 24 horas.
Marco Leite (20 anos de caminhada)















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