O Suor que a Quadra não Apaga: Lições de Alcaraz e as Cicatrizes da nossa Saúde

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O mundo parou para assistir a um gesto que não vale troféu, mas vale uma vida inteira de respeito.

Carlos Alcaraz, um dos maiores nomes do tênis mundial, interrompeu o ritmo frenético de uma partida ao notar uma senhora de 70 anos que trabalhava na limpeza da quadra. Exausta, ela parou por um segundo para respirar… e foi aí que o campeão mostrou sua verdadeira grandeza. Ele não apenas parou; ele foi até ela e, com sua própria toalha, enxugou o suor do rosto daquela trabalhadora. Um gesto simples para ele, mas gigante para quem entende o valor do respeito aos nossos idosos.

O talento te leva ao topo, mas é a humildade que te mantém lá. Contudo, enquanto o mundo aplaude Alcaraz, eu olho para o lado e vejo uma realidade que a televisão não mostra.

Levantei cedo, fiz meu chimarrão. É feriado, mas o trabalho me chama. Eu queria passear, sentir o vento no rosto sem preocupações, mas hoje não dá. Sinto o peso da “doença da alma”. Olho-me no espelho e vejo um senhor que, apesar de décadas de contribuição, sente-se desamparado. Vejo-me recorrendo ao SUS, enfrentando as filas intermináveis das UBSs e UPAs. E não falo apenas da minha cidade, Canoas; falo de um Brasil onde a saúde se tornou um labirinto desumano.

A humanidade perdeu o respeito pelo próximo. Recentemente, ouvi uma frase que me atravessou como um punhal: “Eu não quero ficar velho e cuidar de ti doente”. No momento, a ficha não caiu. Mas hoje, limpando minha alma e fazendo um balanço da vida, cheguei a uma conclusão amarga: não são apenas os governos que estão doentes. Somos nós.

O egoísmo impera. A gratuidade de dar amor sem querer nada em troca está em extinção. Conversando com um amigo, percebi que, olhando para trás, pouco me sobrou de bens materiais.

Então, qual é o meu valor nesta sociedade que só enxerga o “ter”?

Tenho um legado de 40 anos na comunicação. Comecei como entregador de jornais e percorri todos os degraus do jornalismo. Por erros de gestões passadas, que sonegaram minhas contribuições, e pelas novas leis, a aposentadoria ainda está a dois anos de distância. Para o governo, serei um “velho” oneroso. Para muitos ao meu redor, serei uma “preocupação”.

O que esperar de um sistema de saúde desumano por falta de gestão, se o próprio “próximo” já avisa que não quer cuidar de quem adoece? É desolador. Alguns podem me rotular de vagabundo ou sem objetivos, mas meu saldo está naquilo que sou, não no que possuo. Sou bom em fazer o pouco render muito. Sou um transformador, alguém que ainda sonha com uma sociedade consciente.

Alcaraz enxugou o suor de uma senhora com uma toalha de grife sob as luzes do estádio. No Brasil, milhares de idosos enxugam suas próprias lágrimas em bancos de hospitais, invisíveis aos olhos de quem só busca o prazer imediato.

O mundo está cruel e fútil. As pessoas não enxergam o esforço de uma vida; enxergam apenas o fardo da dificuldade de amanhã. Este é o retrato de uma sociedade velha e doente que precisa, urgentemente, de cuidados. Eu, da minha parte, jamais negarei ajuda a quem precisar, esteja velho ou doente.

Não podemos nos esquecer de SER A LUZ. Precisamos relembrar nossa essência, pois esta experiência terrena é curta e serve para evoluirmos. Qual é a nossa verdadeira missão?

Eu ainda não tenho todas as respostas, mas se alguém estiver precisando, quando quiser, é só chamar!

DEUS é mais!

 

Uma Resposta

  1. A pessoa que te diz que não quer ficar velha e cuidar de ti doente é uma pessoa que ficará velha é que vai orecisar que alguém cuide dela, se viver para isso. Como dizia minha avó com 86 anos de idade “se tu tiver a sorte de viver até a minha idade, vai perceber que azar”. Ela sempre teve um humor ácido como um limão e hoje ela descansa, certamente rindo da minha “sorte” de ainda estar aqui. Teu artigo é muito bom para refletir, não esqueçamos de viver o melhor possível do nosso hoje. Obrigado pelo artigo.

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