Interdição no HU Canoas | Cremers aponta colapso por falta de médicos, enquanto gestora ASM denuncia “pressão política” e nega riscos

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O Hospital Universitário (HU) de Canoas tornou-se o centro de um embate institucional que coloca em lados opostos o Conselho Regional de Medicina do Rio Grande do Sul (Cremers) e a Associação Saúde em Movimento (ASM), gestora da unidade. Enquanto o órgão fiscalizador determinou a interdição ética parcial da instituição por falta de condições mínimas de trabalho, a administradora contesta a legalidade da medida e sugere motivações políticas por trás da decisão.

A interdição, que começa a valer às 11h desta sexta-feira (20), suspende novas internações e atendimentos em setores críticos: Unidade de Terapia Intensiva (UTI) neonatal, centro obstétrico, sala de parto, alojamento conjunto e internação pediátrica.

O Confronto de Versões

A visão do Cremers: Proteção e Escassez

Para o Conselho, a medida é uma “interdição ética cautelar” necessária para proteger tanto pacientes quanto os próprios médicos. O diagnóstico é de abandono: escalas incompletas e falta de insumos básicos. Apurações indicam que setores que deveriam operar com quatro médicos estavam funcionando com apenas um. O Cremers proíbe o trabalho médico nos setores interditados para novos pacientes, visando evitar a continuidade de um serviço que considera inseguro.

A visão da ASM: Ingerência e Pressão Política

A gestora ASM rebate duramente os argumentos. Embora afirme que acatará a decisão, a associação alega que não houve qualquer episódio de desassistência no período fiscalizado. A ASM vai além e questiona a competência do Cremers para suspender serviços essenciais do SUS, alegando que o órgão confunde fiscalização com “reivindicação corporativa” e “pressão política coordenada”. Segundo a gestora, novas empresas já foram contratadas para garantir as escalas e a decisão do conselho pode gerar um risco sistêmico maior do que o suposto risco interno, ao sobrecarregar outros hospitais da região.

Impacto Regional

O HU de Canoas é peça-chave na rede de saúde gaúcha, sendo referência para mais de 150 municípios em casos de pré-natal e partos de alto risco. Com a suspensão parcial, a Secretaria Estadual da Saúde (SES) deve acionar um plano de contingência para redirecionar pacientes que seriam atendidos na unidade.

Nota da Associação Saúde em Movimento (ASM)

“A ASM, atual gestora do Hospital Universitário de Canoas, vem informar que acata respeitosamente a decisão do Conselho Regional de Medicina – CREMERS – , que definiu na noite desta quarta-feira, 18, pela interdição ética cautelar parcial para novas internações e atendimentos dos serviços de Unidade de Terapia Intensiva Neonatal, Centro Obstétrico e Sala de Parto e Alojamento Conjunto e Internação Pediátrica do Hospital Universitário (HU) de Canoas, a partir das 11h de sexta-feira (20), ressalvando todos os argumentos lançados na defesa entregue ao CREMERS em 16/02/2026, os quais acredita-se que sequer foram analisados.

A ASM está trabalhando no plano de contingenciamento e reafirma que não houve nenhuma desassistência hospitalar durante o período fiscalizado. É importante que se esclareça que a interdição ética é instrumento voltado à proteção dos médicos, sendo certo que impactará diretamente na política pública regional de saúde (153 municípios). Sob o ponto de vista estrutural, o CREMERS não possui competência para reorganizar fluxos assistenciais do SUS e/ou para suspender oferta de serviços públicos essenciais, tal ato ingressa na esfera da gestão hospitalar e organização da rede pública.

A interdição cautelar exige risco irreversível e ineficácia de medidas menos gravosas, hipóteses que sequer foram aventadas pelo órgão fiscalizador. Em resumo, em constatando irregularidades, o CREMERS deveria ter expedido recomendações, fixado prazo de adequação e determinado correções graduais. A própria decisão demonstra que não há risco absoluto, pois mantém médicos atuando.

O Hospital Universitário atende mais de 150 municípios, sendo certo que a manutenção da decisão resultará em sobrecarga de outras unidades, bem como risco sistêmico maior do que o alegado risco interno. ASM entende que pode ter havido pressão política coordenada de outras entidades interessadas, o que configuraria certa confusão entre função fiscalizatória e reivindicação corporativa.

De outro lado, importa esclarecer que as novas empresas que estão assumindo a gestão das escalas médicas já estão atuando, com inícios programados desde 16/02/2026 até 01/03/2026, o que garantirá a estabilidade e a qualidade do serviço. A reorganização contratual das novas empresas demonstra o esforço proativo e ininterrupto da instituição em garantir a melhor assistência possível, reestruturando as parcerias e implementando medidas de contingência eficazes para alcançar níveis ainda mais elevados de segurança para os pacientes.

Finalmente, ante os termos da decisão, a ASM informa que até sexta-feira, dia 20, quando a interdição ética passa a ter efeitos, prestará informações atualizadas ao CREMERS acerca das medidas adotadas a partir de 16/02/2026, data em que entregou seus esclarecimentos ao órgão, ao que apresentará as escalas médicas completas dos meses de fevereiro e março — atendendo ao compromisso inabalável com a assistência à comunidade de Canoas e dos municípios referenciados, ao que requererá, finalmente, a integral revisão do ato administrativo.

Cabe salientar que a ASM é uma organização social sólida, transparente e voltada integralmente aos projetos sociais e SUS, possuindo atuação nacional e total idoneidade na condução dos seus projetos, o que fortalece ainda mais o compromisso assumido junto ao Município de Canoas.”

Nota da Prefeitura de Canoas

“A Prefeitura de Canoas, por meio da Secretaria Municipal da Saúde, informa que não recebeu nenhuma comunicação oficial do Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio Grande do Sul (Cremers) informando sobre resultado de votação ocorrida na noite desta quarta-feira (18). A administração municipal esclarece que o Hospital Universitário (HU) não está interditado e a Prefeitura segue trabalhando em conjunto com a empresa gestora para garantir a assistência integral da população.”

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