Condutor não habilitado e em estado de embriaguez avançou o sinal vermelho no cruzamento das ruas República e Florianópolis, vindo a causar um sinistro de trânsito. O teste de etilômetro registrou o valor de 0,38 mg/L. Diante dos fatos, o condutor foi detido e apresentado à delegacia pela guarnição da Polícia de Trânsito.
Recentemente, Canoas celebrou um marco importante: atingir os padrões da ONU em segurança pública, com uma redução drástica nos índices de homicídios. No entanto, essa sensação de segurança que ganha as ruas enfrenta um paradoxo perigoso dentro do asfalto. Enquanto o crime recua, a imprudência ao volante avança, e os dados da Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana (SMMU) acendem um alerta que não pode ser ignorado.
O caso ocorrido no bairro Mathias Velho no último sábado é o exemplo pedagógico do caos que a ausência de fiscalização pode nutrir. Um condutor sem habilitação, sob efeito de álcool, avançando o sinal vermelho e causando um acidente, reúne em uma única ocorrência as três principais causas de tragédias viárias. Se não houvesse a presença da Polícia de Trânsito no local, o desfecho poderia ter sido fatal. Como bem pontuou o agente Godoy, o trabalho da fiscalização é, essencialmente, “retirar das ruas quem coloca a vida alheia em risco”.
Nesse cenário, a notícia da retomada dos radares móveis para 2026 e a criação do Observatório de Segurança Viária são medidas que chegam em boa hora. Existe um mito popular, muitas vezes alimentado por quem não respeita as leis, de que a fiscalização eletrônica serve apenas para arrecadação — a famigerada “indústria da multa”. Contudo, o que os números mostram é uma “indústria da imprudência”. Em 2025, o hiato na utilização desses equipamentos coincidiu com o aumento de acidentes, provando que, infelizmente, o comportamento de muitos condutores ainda é pautado pelo medo da punição, e não pela consciência coletiva.
A volta dos radares, amparada por estudos técnicos de engenharia de tráfego, não é uma medida punitiva isolada. Ela faz parte de um ecossistema de segurança que inclui ações educativas e, principalmente, transparência. A criação do Observatório de Segurança Viária é um passo fundamental para que a sociedade compreenda onde estão os pontos críticos e por que aquela via exige um controle de velocidade rigoroso.
Trânsito seguro se faz com engenharia, educação e, obrigatoriamente, fiscalização. Não podemos aceitar que a liberdade de dirigir se confunda com o direito de pôr em risco a vida de pedestres, ciclistas e outros motoristas. O retorno da fiscalização em Canoas não deve ser visto como um obstáculo ao motorista, mas como um escudo para o cidadão. Afinal, em uma cidade que aprendeu a combater a violência criminal, é imperativo que aprendamos também a estancar o sangue derramado no trânsito.















