Neste domingo, 22 de setembro, Canoas não celebra apenas uma data no calendário, mas sim uma mudança de paradigma que já dura 14 anos. O Dia Municipal da Economia Solidária é o símbolo de um movimento que prova, dia após dia, que o lucro não deve ser o único motor da sociedade. Em nossa “aldeia”, a cooperação, a autogestão e a valorização do ser humano construíram um ecossistema que hoje é referência em todo o estado.
A base institucional desse sucesso foi pavimentada pela Lei nº 5.717, de 2012, que reconheceu a importância de tratar a economia popular não como caridade, mas como política pública estratégica. Essa legislação não nasceu em gabinetes fechados; ela foi o fruto de uma caminhada iniciada ainda em 2006, com a parceria fundamental do Unilasalle e a garra dos moradores dos bairros Guajuviras e Mathias Velho.
Ao longo desses 14 anos, vimos o surgimento do Fórum Canoense de Economia Solidária e a consolidação de espaços que hoje fazem parte do cotidiano do canoense, como a loja na Estação Canoas e os pontos na Praça da Bíblia.
Para entender a força desse movimento, basta olhar para o Brique da Inconfidência. Realizado tradicionalmente aos sábados, o Brique é muito mais do que um local de comércio; é um território de resistência cultural e econômica.
Quando compramos no Brique, o dinheiro circula dentro da nossa própria comunidade, fortalecendo a renda de famílias que, em 2006, começaram sua jornada em centros de capacitação e hoje são empreendedores autônomos. O Brique da Inconfidência é a tradução prática de que a economia pode — e deve — ser solidária.
O cenário atual é de expansão. Com a recente criação de uma comissão de vereadores dedicada ao tema em 2026, Canoas reafirma que o desenvolvimento sustentável é o único caminho viável. Iniciativas como a Feira na Estação e as hortas comunitárias mostram que a economia solidária é resiliente, capaz de se adaptar às crises e de oferecer dignidade onde o mercado tradicional muitas vezes falha.
Celebrar estes 14 anos é reconhecer que cada produto artesanal e cada alimento colhido coletivamente carrega consigo uma história de superação. Que a economia solidária continue sendo o coração pulsante da nossa Canoas, transformando vidas e estreitando os laços da nossa gente.








