Uma audiência pública realizada nesta segunda-feira (13) reuniu autoridades do Executivo, Judiciário e rede de proteção para discutir medidas de prevenção e enfrentamento à violência contra crianças e adolescentes no ambiente escolar, em Canoas. O encontro, proposto pela vereadora Larissa Rodrigues (PL), teve como foco a articulação entre órgãos públicos e a ampliação de estratégias de conscientização e acolhimento.
Participaram do debate o promotor de Justiça João Paulo Fontoura de Medeiros, a juíza do Juizado da Infância e Juventude Paula Yoshino Valério, a secretária municipal de Educação Beth Colombo, o secretário de Comunicação Edson Gandolfi, o coordenador-geral do Conselho Tutelar Alexandre Cunha e a representante da Ação Social Santa Isabel, Mariana Bonatto, entre outros convidados.
Ao abrir a atividade, a vereadora Larissa destacou que a proposta da audiência foi promover informação e integração entre os diferentes atores envolvidos na proteção da infância. “O intuito dessa audiência pública é justamente trazer unidade e esclarecimento. Não adianta sermos apenas bem-intencionados, é preciso estar preparado para lidar com situações dessa gravidade”, afirmou. Ela também ressaltou que casos de abuso podem ocorrer em diferentes contextos, inclusive no ambiente escolar, o que exige atenção permanente e fortalecimento da rede de apoio.

Durante a audiência, o secretário de Comunicação, Edson Gandolfi, apresentou ações desenvolvidas pelo município para ampliar a conscientização sobre o tema. Segundo ele, a partir de dados levantados por denúncias, foi possível mapear regiões com maior incidência de casos e estruturar campanhas informativas. “A gente não pode se calar diante de um problema que é global. Precisamos comunicar de forma responsável e ampliar o alcance dessas informações”, disse. Entre as iniciativas, estão campanhas educativas nas redes sociais, produção de materiais impressos e ações presenciais nas escolas, em articulação com as secretarias de Educação, Saúde, Assistência Social e Segurança.

A secretária de Educação, Beth Colombo, enfatizou o papel das escolas na identificação de sinais de violência. Conforme explicou, é no ambiente escolar que muitas situações acabam sendo percebidas pela primeira vez. “A escola é o lugar onde conhecemos de verdade as nossas crianças. É ali que comportamentos e mudanças podem indicar situações de violência, seja física, sexual ou psicológica”, afirmou. Ela também defendeu o fortalecimento de políticas voltadas ao cuidado e à atenção contínua aos alunos.
Na mesma linha, a juíza Paula Yoshino Valério destacou a importância da atuação integrada entre os órgãos públicos e reforçou que a escola é, muitas vezes, a porta de entrada das denúncias. “É na escola que o poder público toma conhecimento de muitas dessas violências, que em geral acontecem no ambiente familiar ou em círculos próximos”, explicou. A magistrada também orientou sobre os procedimentos adequados nesses casos, ressaltando que a escuta da vítima deve ser realizada de forma especializada, evitando a revitimização da criança ou adolescente.
O encontro também abordou a necessidade de capacitação dos profissionais da educação e o fortalecimento de fluxos de atendimento, com participação do Conselho Tutelar e demais instituições da rede de proteção. A proposta é ampliar o acesso à informação e garantir respostas mais rápidas e efetivas diante de situações de risco.








