Campanha transforma mobilização histórica das enchentes de 2024 em compromisso institucional com a solidariedade contínua
A noite desta quarta-feira (22) ficará marcada como um divisor de águas na trajetória da Universidade Luterana do Brasil (Ulbra). Mais do que o lançamento de uma campanha, o Maio Solidário consolidou um compromisso institucional com a solidariedade como valor permanente, nascido da experiência coletiva vivida durante as enchentes de 2024 — uma das maiores crises recentes do Rio Grande do Sul.
Realizado no prédio 59 do campus Canoas, o evento reuniu lideranças, voluntários e a comunidade em um ambiente carregado de emoção, memória e propósito. Logo na chegada, um símbolo vivo dessa resistência chamou a atenção e sensibilizou o público: o cavalo Caramelo, que recepcionava os participantes como representação silenciosa da força, da superação e da esperança que marcaram aquele período.
A cerimônia teve início com a exibição de um vídeo que relembrou o acolhimento de milhares de desabrigados no campus. Imagens e depoimentos trouxeram à tona histórias de dor, mas também de empatia e mobilização, reforçando o impacto humano da ação e reacendendo o sentimento coletivo de união.
Solidariedade em ação
Ao longo da noite, falas institucionais reforçaram a dimensão do legado construído. A atuação da universidade durante a crise — que chegou a acolher mais de 8,5 mil pessoas com o apoio de cerca de 1,5 mil voluntários — foi lembrada como um exemplo concreto de solidariedade em ação. Mais do que responder a uma emergência, a Ulbra agora transforma essa experiência em política contínua de cuidado, estruturando uma rede permanente de apoio às populações em situação de vulnerabilidade.

Durante a cerimônia, o senador Paulo Paim destacou, em nome dos embaixadores da campanha, o alcance do trabalho realizado. Disse acompanhar, de Brasília, os desdobramentos da atuação da Ulbra e ressaltou que os relatos sempre foram positivos, defendendo a solidariedade como prática contínua e política pública.

O presidente da Ulbra, Carlos Melke Filho, relembrou o momento em que atendeu ao pedido do prefeito de Canoas, Jairo Jorge, para acolher famílias atingidas. O que começou com a previsão de 400 pessoas rapidamente se transformou em um abrigo para mais de 8,5 mil, com o apoio de cerca de 1,5 mil voluntários. “Faria tudo novamente”, afirmou. Já o superintendente Ruy Irigaray anunciou a intenção de propor que o Maio Solidário integre o calendário oficial do Estado, ampliando o alcance da iniciativa para além da universidade.

Apresentações artísticas
A programação cultural também contribuiu para o tom sensível do encontro, com apresentações artísticas que dialogaram com o espírito da campanha. Entre música e poesia, a emoção se fez presente, culminando na declamação que sintetizou o sentimento coletivo daquela noite: a certeza de que a solidariedade, quando compartilhada, se transforma em força capaz de reconstruir realidades. A noite foi marcada por apresentações de Rafael Malenotti, Banda Dona Trio, MC Jean Paul e Andréa Cavalheiro, entre outros. O tradicionalista Gaúcho da Fronteira emocionou o público ao declamar um poema que sintetizou o espírito do encontro.

O Maio Solidário nasce, assim, como um movimento que ultrapassa o caráter pontual de uma campanha. Ele se firma como um compromisso contínuo, onde cada gesto importa e cada doação carrega consigo a possibilidade de transformação. Mais do que lembrar o passado, a iniciativa projeta um futuro em que o cuidado com o outro se torna parte essencial da identidade institucional.
Uma sugestão de Projeto de Lei, instituindo o Maio Solidário no calendário oficial do Estado e nas unidades onde a Ulbra está presente, será encaminhado à bancada gaúcha no Congresso e, aos parlamentares da Assembleia Legislativa.

Fotos: Bruna Linck/Ascom Ulbra








