A partir desta quinta-feira (29), as ruas de Canoas voltam a contar com um importante instrumento de preservação da vida: os radares móveis. A medida, anunciada pela Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana (SMMU), surge em um momento crucial para a cidade. Enquanto os índices de criminalidade e homicídios despencam, os acidentes de trânsito mostram uma curva preocupante de crescimento, exigindo uma intervenção direta e técnica do poder público.
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Canoas retomará uso de radares móveis para reforçar a segurança no trânsito
É comum ouvirmos o termo “indústria da multa” sempre que a fiscalização é intensificada. No entanto, precisamos encarar um fato matemático e comportamental: a multa é uma escolha do condutor, não uma imposição do sistema. O radar não possui vontade própria; ele é um sensor de precisão que reage a um comportamento de risco. O motorista que respeita os limites de velocidade, que compreende a sinalização e que entende que a via pública é um espaço de convivência, nunca será cliente dessa “indústria”. A fiscalização só alcança quem decide, por conta própria, ignorar as regras que protegem a coletividade.
Canoas atingiu recentemente padrões de segurança pública reconhecidos pela ONU, reduzindo drasticamente a violência urbana. Seria um contrassenso permitir que o avanço conquistado na segurança contra o crime fosse anulado pela negligência no asfalto.

A retomada dos radares, amparada pela Resolução 798 do CONTRAN, foca em vias com velocidade a partir de 60km/h — locais onde o impacto de uma colisão é frequentemente fatal. Como bem destacou o secretário de Mobilidade Urbana, Marcos Melchior, “a velocidade é o principal fator que transforma um susto em uma tragédia”.
Para além da punição, a estratégia da prefeitura em 2026 se baseia em dois pilares fundamentais:
- O Observatório de Segurança Viária: Uma ferramenta que trará transparência aos dados, provando que a instalação de radares ocorre em pontos críticos e tecnicamente justificados.
- Educação Continuada: Ações em escolas e empresas para formar uma consciência que dispense a necessidade do radar no futuro.
A pergunta que fica para a sociedade canoense não é sobre o custo de uma infração, mas sobre o valor de uma vida. Um radar operando em uma avenida movimentada pode ser o detalhe que garante que um pedestre chegue em casa ou que dois veículos não se choquem violentamente.
Se você não comete infrações, o radar é apenas um objeto inanimado à beira da pista. Mas, para quem preza pela vida, ele é um aliado silencioso na construção de uma cidade mais humana e segura.
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Durante a operação acompanhada na Avenida Farroupilha, em um período de uma hora e trinta minutos, 24 motoristas foram flagrados em excesso de velocidade. Apenas um condutor, um motociclista, foi autuado por trafegar acima de 20% do limite permitido, ao ser flagrado a 84 km/h. Os outros 23 motoristas excederam a velocidade em até 20%.















Uma Resposta
Com as ruas de Canoas transformadas em superfície lunar pós enchente (e assim permanecem até hoje) a preocupação agora é a velocidade? Eu sinceramente coloco em jogo a idoneidade do nosso poder executivo e legislativo. São decisões que envolvem dinheiro que sai do mesmo lugar onde deveriam existir soluções. Mas política não é para gente honesta .