CANOAS EM ALERTA | O Impasse da “interdição ética” no HU e Saúde da Nossa Gente

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O recente anúncio de uma “interdição ética” parcial no Hospital Universitário (HU) de Canoas pelo Conselho Regional de Medicina do Rio Grande do Sul (CREMERS) acendeu um alerta vermelho não apenas na cidade, mas em todo o estado. O conflito de narrativas entre o órgão fiscalizador, que aponta falta de profissionais, e a Prefeitura, que garante o funcionamento pleno com escalas completas, coloca em xeque a continuidade de serviços vitais.

Uma das questões mais urgentes levantadas pela administração municipal toca no ponto nevrálgico do sistema de saúde gaúcho: a rede de referência. O HU de Canoas não é apenas um hospital local; ele é o porto seguro para mais de 150 municípios em casos de pré-natal e partos de alto risco.

A pergunta que fica sem resposta imediata por parte dos sindicatos e do conselho é: para onde serão direcionados esses pacientes caso a interdição se confirme?

A rede hospitalar da Região Metropolitana e de Porto Alegre já opera rotineiramente próxima do limite. O redirecionamento de gestantes de alto risco e bebês que necessitam de UTI neonatal exige uma logística complexa que, se falhar, pode resultar em desfechos trágicos. Interditar um serviço sem um plano de contingência robusto e pactuado com o Estado pode gerar um “risco sistêmico” muito maior do que as supostas falhas internas apontadas.

A Apresentação das Escalas: O Fim do Impasse?

A Prefeitura de Canoas e a Associação Saúde em Movimento (ASM) agiram prontamente ao apresentar as escalas médicas completas para o Centro Obstétrico e Sala de Parto. Segundo o prefeito Airton Souza, o “furo” detectado anteriormente foi sanado com a contratação de novas empresas e profissionais.

O que deve ser feito agora?

Após a entrega formal dessas escalas, o caminho técnico e ético exige uma resposta ágil e desburocratizada:

Vistoria Imediata de Verificação: O CREMERS deve realizar uma nova inspeção técnica em caráter de urgência para validar se os nomes apresentados nas escalas estão, de fato, em seus postos de trabalho.

Desinterdição Cautelar: Uma vez comprovado que o quadro de pessoal está completo, a interdição deve ser suspensa imediatamente. A manutenção de uma proibição ética sobre um serviço que já regularizou suas pendências pode ser interpretada como uma medida meramente punitiva ou política, o que prejudica diretamente a população.

Canal de Diálogo Permanente: É fundamental que a Secretaria Municipal de Saúde e a gestora ASM mantenham transparência total com o Conselho. A fiscalização é necessária para a segurança do médico e do paciente, mas ela deve caminhar junto com a viabilidade do atendimento público.

O Hospital Universitário é um patrimônio da saúde pública da nossa região. No embate entre instituições, o bem maior a ser preservado é a vida do cidadão que vem de longe em busca de socorro. Se as escalas estão garantidas e o hospital funciona “a pleno”, como afirma a prefeitura, não há razão para manter portas fechadas. A saúde não pode esperar o tempo das burocracias ou das disputas corporativas.

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O QUE DIZEM AS AUTORIDADES

Prefeito de Canoas, Airton Souza

“O hospital está funcionando a pleno., não há nenhum desatendimento e acredita que não há motivos para a interdição ética cautelar anunciada pelo CREMERS. Não há desatendimento algum. Quero tranquilizar a população: o hospital está funcionando a pleno. Existiu o problema que o CREMERS detectou que era o furo nas escalas médicas. A empresa que faz a gestão do hospital, a ASM, apresentou para nós a escala completa e convidei o CREMERS para vir ao hospital. Então, acredito que não tem motivos para ter a interdição. Quero tranquilizar a população: o Hospital Universitário está funcionando a pleno. Vamos entrar com o pedido de desinterdição para o CREMERS”.

A secretária municipal de Saúde, Ana Boll

“Não vai haver desassistência por parte do prestador e nem por parte da secretaria. As escalas estão garantidas, as equipes estão trabalhando e da nossa parte essa é a movimentação que estamos fazendo”.

 

AÇÕES PARA REVERTER A SITUAÇÃO

Prefeitura apresenta medidas para reverter interdição parcial do Hospital Universitário

Em coletiva de imprensa realizada na tarde desta quinta-feira (19), o prefeito Airton Souza anunciou a instauração de uma comissão para acompanhar ações na casa de saúde

A Prefeitura de Canoas anunciou na tarde desta quinta-feira (19), a criação de uma comissão para fazer o acompanhamento e a fiscalização das ações realizadas no Hospital Universitário (HU). A medida é em resposta a preocupações do Conselho Regional de Medicina do Rio Grande do Sul (Cremers) com o funcionamento do hospital e à interdição parcial do HU.

O anúncio foi feito durante uma coletiva de imprensa, que contou com as presenças do prefeito de Canoas, Airton Souza, da secretária municipal de Saúde, Ana Boll, do procurador-geral do Município, Éber Bunchen, do CEO da Associação Saúde em Movimento (ASM), gestora do HU, Cláudio Vitti e da superintendente da ASM, Tatiani Pacheco.

No mesmo ato, a direção do hospital informou que foram apresentadas escalas médicas completas para o Cremers. As medidas garantem a assistência da população e o funcionamento integral do hospital, que é referência para mais de 150 municípios gaúchos.

“Essa comissão terá o prazo de 30 dias para apresentar os resultados. Inclusive estou convidando o Cremers para fazer parte dessa comissão, porque não quero deixar ninguém de fora. Não é momento, e nunca será, de divergência, de combate, de intriga. Vamos encontrar, sim, soluções juntos. Por isso, pedimos que todos venham se somar nesta comissão, porque somente dando as mãos é que podemos recuperar e tornar esse hospital e a saúde de Canoas referência, de fato e de verdade, para todo o Estado”, explica o prefeito, Airton Souza.

A secretária da Saúde, Ana Boll, também destacou a importância da comissão. “Formarmos essa comissão para termos mais uma ferramenta para olhar para dentro do hospital e deixar de forma muito transparente tudo que vem acontecendo aqui. Não temos nenhum problema de abrir as portas e abrir as gavetas, como já fizemos com outras entidades. É uma comissão multi representativa, para buscar, cada vez mais, a melhoria da assistência aqui no HU”, comenta.

Além da instauração da comissão, a coletiva também serviu para a divulgação da elaboração de uma nova escala médica completa, que será entregue ao Cremers junto a um pedido de desinterdição.

O procurador-geral do Município, Éber Bündchen, destaca que os atendimentos seguem garantidos na casa de saúde. “O que nós estamos aqui hoje apresentando junto com a ASM é a escala médica completa, a qual atende as exigências de possíveis falhas apontadas pelo Cremers. Então, acreditamos que pelo bom senso e pelo atendimento às necessidades, será feita a desinterdição e mantido normalmente o atendimento na UTI Neonatal, Centro Obstétrico, Sala de Parto, Alojamento Conjunto e Internação Pediátrica toda a população regional que depende do HU. Deixamos claro que não existe nenhuma ordem judicial de fechamento ou interdição ao hospital. A população deve ficar tranquila, que não terá desassistência no Hospital Universitário. Ele não fechará de forma alguma. O atendimento continua normal”, frisa.

A superintendente da ASM, Tatiani Pacheco, também se diz otimista para uma reversão da interdição parcial. “Na data de hoje, 19 de fevereiro, a ASM recebeu, às 12h43, um comunicado oficial sobre a decisão de interdição parcial das unidades materno-infantis. A partir daí nós já vínhamos trabalhando num crescente processo de robustez das escalas. Hoje entregamos a escala formal e completa de todas as unidades. Acreditamos que com essas explicações a gente consiga reverter essa situação. Porque é muito delicado retirar bebês de uma UTI neonatal. A remoção desses bebês certamente será muito prejudicial e é importante que se diga que neste período da vistoria não teve nenhuma desassistência e nenhum setor esteve descoberto de médicos. O que houve foi o que chamamos de furos na escala, mas de fato todos foram atendidos e nós não temos reclamações dos pacientes nesse sentido”, explica.

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