Quem vive em Canoas há mais de três décadas guarda na memória um sentimento de orgulho que transbordava das quadras para as ruas. Houve um tempo em que nossa cidade não era apenas um polo industrial ou universitário; éramos, indiscutivelmente, a Capital Gaúcha do Esporte. O recente sucesso da Copa Sul-Brasileira de Jiu-Jitsu, realizada no último domingo (12 de abril) no Ginásio Poliesportivo La Salle, não foi apenas mais um evento no calendário: foi um lembrete vigoroso de que essa vocação nunca morreu, ela apenas aguardava o momento certo para ser despertada.

Falar de esporte em Canoas é evocar fantasmas gloriosos que pedem passagem. É impossível não lembrar da era de ouro do vôlei da Ulbra, que colocou a cidade no topo do Brasil e do mundo, atraindo os olhares da Seleção Brasileira para o nosso solo. É recordar a força do futsal do La Salle, que por anos foi sinônimo de técnica e competitividade.
Mas a nossa tradição vai além das modalidades coletivas. Canoas já foi berço e casa de atletas olímpicos que levaram o nome da cidade a arenas internacionais, com destaque para a resiliência da Luta Greco-Romana e a disciplina do Judô. Além disso, o paradesporto sempre encontrou aqui um terreno fértil, revelando talentos paraolímpicos que são verdadeiras lições de superação e eficiência técnica.

O esporte como política e orgulho
A realização da IV Etapa da Copa Prime em Canoas, reunindo quase 900 atletas, traz uma lição valiosa sobre o impacto de eventos de grande porte. Quando um ginásio recebe desde crianças de 4 anos até mestres com mais de 65, cria-se um ecossistema de inspiração.
O jovem canoense que inicia sua jornada no esporte precisa de “espelhos”. Ao ver 75 faixas-pretas em ação e um recorde de mulheres no topo da modalidade, o futuro atleta não consome apenas entretenimento; ele visualiza um caminho. O evento esportivo é a vitrine que transforma o esforço solitário do treino em reconhecimento público.
A Copa Sul-Brasileira de Jiu-Jitsu em Canoas só foi possível graças a ferramentas como a Lei de Incentivo ao Esporte (Pró-Esporte RS). Isso prova que o resgate da “Cidade do Esporte” não se faz apenas com nostalgia, mas com gestão e fomento. Investir em grandes competições movimenta a economia local, ocupa os espaços públicos com energia positiva e, acima de tudo, devolve ao cidadão o prazer de dizer: “Este evento está acontecendo na minha cidade”.
Trazer competições de nível estadual e nacional de volta a Canoas é um passo estratégico. É o caminho para que, em um futuro próximo, não falemos apenas de quem “já foi” campeão, mas sim de quem “acabou de conquistar” um título representando as nossas cores.
Canoas tem infraestrutura, tem história e, como vimos nos tatames do La Salle, tem público apaixonado. O resgate da nossa identidade esportiva é, antes de tudo, o resgate da nossa autoestima. Que venham os próximos desafios, pois a cidade está pronta para lutar, correr, saltar e, novamente, vencer.







