O transporte público de Canoas vive um momento de transformação. Em anúncio feito na RBS TV, o prefeito Airton Souza garantiu a continuidade do Passe Livre para além do dia 28 de fevereiro. Os dados justificam o investimento: a gratuidade impulsionou a utilização do sistema em cerca de 500%, elevando o fluxo de 268 mil para a marca histórica de 1,6 milhão de usuários, consolidando as vantagens econômicas e sociais para a cidade.
A decisão da administração de Airton Souza e Rodrigo Busato de tornar definitivo o Passe Livre no transporte coletivo de Canoas não é apenas uma medida administrativa; é um divisor de águas na gestão pública brasileira. Ao consolidar a “tarifa zero”, Canoas se posiciona como a maior cidade do Brasil a adotar essa alternativa de forma permanente, tornando-se o quinto município gaúcho a implementar essa política. O que nasceu como um socorro emergencial após as enchentes de 2024 agora se consolida como um pilar de dignidade e cidadania.
É fundamental lembrar que o Passe Livre surgiu em um dos momentos mais críticos da história gaúcha. Com a destruição causada pelas cheias de maio de 2024, a gratuidade foi o “balão de oxigênio” para quem perdeu tudo. Antes, a passagem custava R$ 5,50 — um valor que, para muitas famílias, representava a escolha entre o deslocamento e a alimentação.
A gestão atual compreendeu que o transporte é o “direito meio”: ele viabiliza o acesso à saúde (consultas e exames), à educação e ao lazer. Como destaca o relato popular, a tarifa zero permite que famílias que antes ficavam “presas” em casa por falta de dinheiro agora possam passear com as crianças e ocupar a cidade de forma humana.
Os números de Canoas são incontestáveis e revelam a magnitude da demanda reprimida pelo custo financeiro. Desde a implantação da tarifa zero, o número de passageiros mensais saltou de 268 mil para mais de 1,6 milhão. Esse crescimento de quase 500% prova que o transporte público, quando acessível, torna-se a espinha dorsal da circulação urbana, diminuindo inclusive o número de veículos individuais nas ruas.
Manter um sistema desse porte exige coragem política e responsabilidade fiscal. A operação custa aos cofres municipais cerca de R$ 6 milhões por mês. Para viabilizar esse investimento sem comprometer as finanças, a prefeitura adotou um rígido exercício de austeridade:
- Revisão e corte de contratos.
- Redução de aluguéis de veículos e imóveis.
- Reorganização do orçamento para priorizar o “ferramenta social” que é o transporte.
Essa postura rompe com a lógica de que o transporte deve ser custeado exclusivamente pelo usuário, tratando-o como um serviço essencial, tal como a iluminação pública.
Sob a perspectiva econômica, a tarifa zero funciona como uma injeção direta de renda. Seguindo o exemplo de pioneiras como Parobé (que adotou o modelo em 2022), Canoas percebe que o dinheiro que o cidadão deixa de gastar na catraca ou no combustível é imediatamente revertido para o comércio local, lotéricas e serviços do bairro.
Além disso, a experiência canoense ganha relevo nacional no momento em que o Ministério das Cidades e o Governo Federal discutem um modelo nacional de financiamento para a tarifa zero. O caso de Canoas serve como um “laboratório vivo”, demonstrando que o sistema pago apenas pelo passageiro está exaurido e que a gratuidade é o caminho para evitar o sucateamento do setor.
O Passe Livre em Canoas é uma vitória da população e uma demonstração de que é possível reconstruir com justiça social. Ao remover a catraca, a prefeitura abre as portas da cidade para todos. É, sem dúvida, um projeto social audacioso do município, colocando Canoas na vanguarda da mobilidade urbana no Brasil.















2 Respostas
Matéria paga? Release da assessoria de imprensa do município.
Não por quê? É minha opinião sobre a entrevista do Prefeito para a RBS. Quando assino as matérias, é a minha opinião.