ELEIÇÕES 2026 | O que candidatos e eleitores precisam saber sobre o uso da Inteligência Artificial

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As eleições gerais de 2026 marcam um ponto de virada na democracia brasileira com a consolidação das regras sobre o uso de Inteligência Artificial (IA). O Tribunal Superior Eleitoral (TSE), por meio da Resolução nº 23.732/2024, estabeleceu limites claros para evitar que a tecnologia seja utilizada para desinformação, ataques pessoais e manipulação do pleito.

Abaixo, detalhamos as seis regras fundamentais que regerão o cenário digital e como cada ator do processo eleitoral deve se comportar.

As 6 Regras de Ouro da IA nas Eleições

  1. Rótulo Obrigatório (Transparência Total)

Todo e qualquer conteúdo de propaganda eleitoral que tenha sido criado ou modificado por ferramentas de IA deve conter um aviso explícito.

  • Para o Candidato: É obrigatório inserir legendas ou marcas d’água visíveis indicando o uso da tecnologia.
  • Para o Eleitor: Desconfie de conteúdos sem identificação que pareçam “perfeitos demais” ou fora do comum.
  1. Proteção de Gênero e Combate à Misoginia

É estritamente proibido o uso de IA para criar, editar ou alterar fotos e vídeos com nudez, pornografia ou simulações de cunho sexual. Esta regra visa combater a violência política de gênero e ataques misóginos que tentam descredibilizar candidatas.

  1. Janela de Restrição de 72 Horas

Nas 72 horas que antecedem a votação e nas 24 horas subsequentes, é proibida a circulação de novos conteúdos gerados por IA que modifiquem a voz ou a imagem de candidatos ou figuras públicas.

  • Por que existe? Para evitar que “deepfakes” de última hora circulem sem que haja tempo hábil para desmentidos ou direito de resposta.
  1. Algoritmos Neutros

As plataformas de IA e buscadores não podem recomendar ou ranquear candidatos, mesmo que o eleitor solicite diretamente. A tecnologia deve atuar de forma técnica e neutra, deixando a decisão política exclusivamente para o cidadão.

  1. Tolerância Zero com Perfis Falsos e Automatizados

Contas que simulem pessoas reais ou que utilizem automação (bots) para propagar ataques reiteradamente devem ser removidas. A Justiça Eleitoral monitorará comportamentos coordenados que visem ferir o processo democrático.

  1. Responsabilidade das Redes Sociais

As plataformas digitais (como Instagram, TikTok e X) passam a ter responsabilidade solidária. Se não removerem conteúdos manifestamente ilegais ou deepfakes após notificação, poderão ser punidas com multas pesadas.

Orientações Práticas

Para Candidatos e Campanhas

  • Invista em Autenticidade: O uso da IA deve ser para melhorar a produção, não para enganar.
  • Checagem Jurídica: Antes de postar qualquer material gerado por IA, verifique se ele está devidamente rotulado conforme a norma do TSE.
  • Risco de Cassação: O uso de deepfakes para prejudicar adversários pode levar à cassação do registro de candidatura ou até do mandato, caso eleito.

Para o Eleitor

  • Verifique a Fonte: Antes de compartilhar, cheque se o vídeo ou áudio veio de canais oficiais ou de veículos de imprensa confiáveis.
  • Atenção aos Detalhes: Movimentos de boca estranhos, piscadas irregulares ou áudios com ruídos metálicos podem indicar um deepfake.
  • Não Seja Cúmplice: Compartilhar desinformação consciente pode trazer problemas jurídicos. Na dúvida, não repasse.

 Como Denunciar?

Viu algo irregular? Não fique em silêncio. A fiscalização é um dever de todos.

  • Canal do MP Eleitoral: Utilize o sistema de denúncias do Ministério Público Federal.
  • Aplicativo Pardal: Disponível para smartphones, permite enviar evidências diretamente para a Justiça Eleitoral.

Fonte: Baseado nas resoluções do TSE e orientações do Ministério Público Federal (MPF).

 

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