HU Canoas | Residentes anunciam paralisação e gestão aponta dialogo para solucionar impasse

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Médicos residentes decidiram, por unanimidade, parar as atividades a partir da próxima quinta-feira (29); Sindicato fala em “condições caóticas”, enquanto hospital busca recursos em Brasília e crítica “intransigência” sindical.

O Hospital Universitário (HU) de Canoas enfrenta uma semana decisiva que pode culminar na interrupção de serviços essenciais. Em Assembleia Geral Extraordinária realizada na última sexta-feira (23), os médicos residentes da instituição decidiram, de forma unânime, paralisar as suas atividades a partir de 29. O movimento, liderado pelo Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (Simers), denuncia a falta de condições mínimas para a formação profissional e para o atendimento à população.

Segundo o Simers, a situação no hospital atingiu um nível insustentável. Entre as principais queixas estão a ausência de preceptores (médicos especialistas que orientam os residentes) em diversas escalas, a falta de anestesistas e atrasos sistemáticos nos pagamentos destes profissionais.

“Há problemas em todos os setores que comprometem o ensino e o futuro dos residentes”, afirmou Marcelo Matias, presidente do Simers. O sindicato destaca que especialidades como Pediatria, Ginecologia e Obstetrícia, Cirurgia Geral e Clínica Médica serão as mais afetadas. Além da greve, a entidade já sinalizou que auxiliará na transferência de residentes que optarem por concluir a sua especialização em outras instituições.

As exigências para o cancelamento da greve incluem:

  • Regularização dos pagamentos de preceptores e anestesistas;
  • Garantia de escalas completas e insumos médicos;
  • Plano operativo que assegure a realização de procedimentos práticos de formação.

O lado do Hospital: Défice financeiro e busca por diálogo

Em nota oficial, a Associação Saúde em Movimento (ASM), gestora do HU Canoas, e a sua mantenedora informaram que estão empenhadas em construir uma “alternativa dialogada”. A direção reconhece que enfrenta “dificuldades extremas”, mas atribui a crise a um parque tecnológico defasado e a um custeio hospitalar insuficiente para a procura atual.

A gestão do hospital também lançou críticas à postura do sindicato, sugerindo que o movimento pode estar “contaminado por uma forte intransigência” por motivos que, segundo a nota, não parecem suficientemente esclarecidos.

Para tentar reverter o cenário, a ASM destacou uma mobilização política junto à Câmara de Vereadores e ao Governo Federal para captar emendas e aportes de recursos do Ministério da Saúde. O objetivo é renovar os equipamentos e incrementar a faixa financeira de custeio.

Próximos Passos

Na tentativa de evitar a paralisação total na quinta-feira, está agendada para o início desta semana uma reunião de conciliação. O encontro deve reunir representantes dos médicos residentes, da gestão do hospital (ASM), da Universidade Luterana do Brasil (Ulbra) e da Secretaria Municipal de Saúde de Canoas.

Até ao momento, a escala de greve prevê a manutenção apenas dos serviços de urgência e emergência, conforme determina a legislação para serviços essenciais de saúde.

 

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