O ano de 2026 iniciou com um balanço desolador para as mulheres gaúchas. Em apenas 31 dias, o Rio Grande do Sul registrou 11 feminicídios — uma estatística que não representa apenas números, mas o retrato de 11 vidas interrompidas pela misoginia. Para analisar esse cenário e discutir soluções, convidamos a Vereadora Neuza Rufatto (PSD), que traz o combate à violência de gênero como uma das prioridades de seu mandato.
Antes da palavra da parlamentar, apresentamos um balanço que demonstra a persistência desses índices e a urgência de políticas públicas mais eficazes.
O Paralelo com Anos Anteriores
Ao traçarmos um comparativo com os anos recentes, percebemos que a “calmaria” é uma ilusão estatística. Em janeiro de 2025, o estado registrou 9 casos; em 2024, o número chegou a 12. Os 11 casos deste ano consolidam um patamar inaceitável.
Enquanto em 2025 o Rio Grande do Sul celebrava reduções pontuais em outros índices de criminalidade, o feminicídio manteve-se resiliente, fechando aquele ano com recordes alarmantes. Agora, em 2026, a média de uma morte a cada 2,5 dias em janeiro nos coloca em estado de alerta máximo. A dinâmica do crime permanece inalterada: a violência ocorre majoritariamente dentro de casa, perpetrada por parceiros ou ex-companheiros.
O dado mais preocupante deste início de ano é a constatação de que o sistema de proteção falha antes mesmo de ser acionado. Cerca de 74,7% das vítimas de janeiro não possuíam ocorrência policial prévia, e assustadores 94,9% não tinham medida protetiva vigente.
Isso revela um abismo entre as políticas públicas e as mulheres que mais precisam delas. O feminicídio é o desfecho de um ciclo de violência que muitas vezes não chega às delegacias devido ao medo, à dependência econômica ou à falta de acolhimento humanizado em cidades do interior, como observado nos casos recentes em Canguçu e Muitos Capões.
Não basta endurecer penas se a prevenção não alcançar o interior das residências. O histórico de 2024 a 2026 mostra que campanhas sazonais são insuficientes. É necessário tratar a violência de gênero como uma “calamidade pública”, com investimento massivo em educação, redes de apoio psicossocial e o fim da impunidade. Janeiro termina com o luto de 11 famílias e o alerta: sem mudança estrutural, continuaremos a contar corpos em vez de celebrar progressos. (Marco Leite)

Vidas Interrompidas, Vozes que Resistem: Nossa Luta Contra o Feminicídio
*Por Neuza Rufatto
A Secretaria de Segurança Pública do Rio Grande do Sul divulgou que, em 2025, foram registradas 264 tentativas e 80 feminicídios consumados. O ano de 2026 mal começou e os números já são revoltantes. Onze mulheres foram assassinadas no estado apenas no mês de janeiro por homens que não aceitaram o fim do relacionamento. Esta é uma realidade que se repete e que não podemos normalizar.
A violência contra a mulher não faz distinção de idade, cor ou classe social. Ela acontece no lar, no trabalho, nas ruas e no ambiente digital. Por isso, é essencial romper o silêncio e garantir que nenhuma vítima se sinta sozinha.
Denunciar é um ato de coragem, mas acolher é um dever do Estado e da sociedade. Precisamos fortalecer as políticas públicas, assegurar atendimento humanizado e cobrar a responsabilização rigorosa dos agressores. Violência doméstica não é um “problema particular”; é um crime contra os direitos humanos.
Denunciar salva vidas. Quanto mais cedo a violência é comunicada, maiores as chances de interromper o ciclo antes de um desfecho fatal. O Ligue 180 é um canal gratuito, confidencial e disponível 24 horas por dia para orientar e encaminhar denúncias.
Além da proteção imediata, é indispensável investir na educação de meninos e adolescentes. Ensinar valores como respeito, empatia e igualdade de gênero é o único caminho para quebrar a corrente da barbárie. Formar homens conscientes de suas responsabilidades é um passo decisivo para o futuro.
Por todas as mulheres que perderam suas vidas e por aquelas que ainda resistem: falar é um ato de resistência. O silêncio alimenta a tragédia.
Prevenção salva vidas. Proteção é urgente. Respeito é o mínimo.
*Vereadora















