Este artigo não se propõe a ser uma crítica, tampouco um amontoado de elogios; é, antes de tudo, uma constatação do momento em que vivemos. É um convite à lucidez e à colaboração para a construção de um futuro mais digno para todos os canoenses.
Vivemos tempos em que o ruído das reclamações parece ensurdecedor. Ao caminhar pelas ruas de Canoas ou navegar pelas redes sociais locais, a sensação predominante é a de que “nada está certo”. Reclama-se da saúde, do trânsito, da infraestrutura e até do clima. Instalou-se um estado de insatisfação perene, no qual o erro ganha os holofotes e o acerto é tratado como uma obrigação invisível. Contudo, diante deste cenário de negatividade, é imperativo parar de apenas apontar dedos e começar a separar, com urgência, o joio do trigo.
O “joio”, neste contexto, é o negativismo tóxico que se infiltra em nossas plantações de esperança. É a crítica que não edifica; que apenas corrói a moral daqueles que estão na linha de frente tentando fazer a diferença. Para que Canoas floresça novamente e com vigor, precisamos proteger o nosso “trigo”: o potencial humano e o futuro da nossa cidade.
Fala-se muito em segurança pública, câmeras, policiamento e muros altos. No entanto, a segurança mais profunda e efetiva que uma sociedade pode cultivar é a criança dentro da escola — não apenas ocupando um espaço físico, mas sendo acolhida, estimulada e protegida pela figura central do professor.
Em Canoas, a escola precisa ser o santuário da estabilidade. Quando uma criança está em sala de aula, sob a orientação de seus professores, ela não está apenas aprendendo matemática ou português; ela está protegida contra as vulnerabilidades da rua, contra o ciclo da pobreza e contra a falta de perspectivas. A segurança real é aquela que se constrói no intelecto e no caráter, e esse processo tem como palco o chão da escola.
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Entretanto, para que esse escudo funcione, o esforço heroico dos docentes não basta. É necessário oferecer condições. Reclamar por reclamar é joio; exigir material didático de qualidade, merenda nutritiva e infraestrutura escolar digna é lutar pelo trigo.
Precisamos apurar nossa visão. Se tudo é tratado como erro, nada se torna prioridade. E, quando nada é prioridade, a educação acaba negligenciada em meio à gritaria generalizada. Separar o joio do trigo significa identificar o que é ruído político ou reclamação vazia e o que é necessidade vital para nossas crianças.
Não podemos permitir que o negativismo que hoje permeia Canoas sufoque as iniciativas que dão certo. É necessário proteger a plantação. Que a nossa maior “arma” de segurança seja o investimento massivo no ensino. Que cada escola em cada bairro — do Mathias Velho ao Guajuviras, do Niterói ao Marechal Rondon — seja vista como o quartel-general do nosso futuro.
Ao final, se conseguirmos garantir que cada criança canoense esteja na escola, com material em mãos e um professor motivado à sua frente, teremos vencido a batalha contra o caos. O resto é apenas barulho que o vento leva; o trigo, se bem cuidado, é o que alimentará as próximas gerações.















Uma Resposta
Belo texto, intenso e profundo, para alertar que é nos pequenos que esta nosso futuro!!! Aos “grandes” o que resta é ser menos politiqueiro e mais político!!!