*Por Jonas Dalagna
Como vereador de Canoas, tenho buscado exercer o mandato com base em dados concretos e informações oficiais, especialmente na área da saúde pública. A partir de levantamentos realizados junto à Secretaria Municipal da Saúde, foi possível identificar um dado alarmante: apenas no primeiro semestre de 2025, mais de 30 mil consultas e procedimentos agendados nas Unidades Básicas de Saúde não foram realizados por ausência dos pacientes. Desse total, 29.900 referem-se a consultas médicas, incluindo atendimentos clínicos e especialidades, e 3.700 a consultas e procedimentos odontológicos.
Esse cenário caracteriza o chamado absenteísmo assistencial, um problema amplamente reconhecido no âmbito do Sistema Único de Saúde por gerar desperdício de recursos públicos e reduzir a eficiência da Atenção Primária à Saúde, que é a principal porta de entrada do sistema. A Atenção Primária tem como missão resolver a maior parte das demandas da população, acompanhando os usuários de forma contínua, prevenindo doenças e evitando agravamentos que levem a atendimentos mais complexos e onerosos.
A Política Nacional de Atenção Básica, instituída pela Portaria nº 2.436, de 21 de setembro de 2017, do Ministério da Saúde, estabelece que a Atenção Primária deve ser o eixo estruturante do SUS, orientada pela promoção da saúde, prevenção de agravos e cuidado longitudinal. Quando o paciente falta a uma consulta sem aviso, não há apenas a perda daquele atendimento específico. Há a quebra do acompanhamento, a ociosidade de profissionais e estruturas já custeadas pelo município e a perda de uma vaga que poderia ser utilizada por outro cidadão que aguarda atendimento.
O problema se agrava quando se observa que a falta à consulta não elimina a necessidade de cuidado. Pelo contrário, ela tende a adiar o diagnóstico e o tratamento, permitindo a evolução de doenças que poderiam ser controladas na atenção básica. O resultado é o aumento da procura por Unidades de Pronto Atendimento, o crescimento das filas para especialidades, exames e procedimentos, além da elevação das internações hospitalares por complicações evitáveis, como AVCs, infartos e agravamentos de doenças crônicas. Estudos técnicos e avaliações econômicas do Ministério da Saúde indicam que cada real desperdiçado ou não aproveitado na Atenção Primária pode gerar de três a cinco reais em gastos futuros na média e alta complexidade.
Sob o ponto de vista financeiro, o impacto é expressivo. Com base em parâmetros utilizados pelo SUS, o custo médio de uma consulta médica na Atenção Primária varia entre R$ 80 e R$ 120, enquanto consultas e procedimentos odontológicos giram entre R$ 120 e R$ 180. Aplicando valores médios conservadores, as faltas registradas em Canoas no primeiro semestre de 2025 representam um prejuízo direto superior a R$ 3,5 milhões. Quando se consideram os custos indiretos decorrentes do agravamento dos quadros clínicos e da sobrecarga da rede hospitalar, esse valor pode ultrapassar facilmente a casa dos milhões ao longo de um ano, comprometendo recursos que poderiam ser investidos em mais profissionais, medicamentos, exames e ampliação de serviços.
É importante deixar claro que este não é um debate para culpabilizar o cidadão, mas para chamar a atenção para a corresponsabilidade. O SUS é um patrimônio coletivo, financiado por toda a sociedade. Cada falta sem justificativa representa uma agenda ociosa, um recurso desperdiçado e uma oportunidade perdida para outro usuário. Mais do que um problema individual, trata-se de um desafio estrutural que exige ações de gestão, uso de tecnologia e, principalmente, educação em saúde.
A população precisa ter ciência e compreensão de que faltar a uma consulta agendada gera prejuízo direto para toda a cidade. Comparecer ao atendimento marcado, ou ao menos avisar com antecedência quando não for possível, é um gesto simples, mas de enorme impacto coletivo. Como vereador, sigo buscando informações, dialogando com a Prefeitura e Secretaria Municipal da Saúde e defendendo medidas que fortaleçam a Atenção Básica e promovam o uso consciente do SUS. Cuidar do sistema público de saúde é também cuidar de Canoas e das pessoas que mais dependem dele.
*Vereador de Canoas















Uma Resposta
Muitas vezes é complicado, o usuário agenda a consulta,aguarda pela mesma, ai falta e não justifica.
Se tem sol falta pq tá calor,se tá nublado falta a consulta pq vai chover.
Esquece que tira vaga de usuários( pacientes) que muitas vezes tem a necessidade de fato de uma consulta