O DESCASO DA RGE EM CANOAS | Quando a poda vira perigo e a logística vira insulto

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Em Canoas, a rotina de manutenção da rede elétrica pela RGE (Rio Grande Energia) transformou-se em um exemplo de desorganização que beira o deboche com o cidadão. O que deveria ser um serviço preventivo de segurança tornou-se um gerador de novos riscos, revelando uma falha estrutural profunda: a desconexão absoluta entre as equipes que cortam e as que deveriam limpar.

A estratégia adotada pela concessionária é, no mínimo, questionável sob o ponto de vista da gestão pública. Ao dividir o trabalho em nichos isolados — onde uma equipe terceirizada foca apenas no corte para eliminar o risco imediato à fiação e outra, com cronograma completamente distinto, fica responsável pelo recolhimento — a RGE cria um “limbo” de até 30 dias.

Nesse período, o que era um galho no alto torna-se um obstáculo intransponível no chão. Não seria mais lógico, eficiente e econômico unificar essas operações? A resposta parece óbvia para qualquer gestor, mas a concessionária prefere manter o modelo de “trabalho picado”, ignorando o impacto social dessa escolha.

O impacto direto dessa desorganização recai sobre o elo mais fraco: o pedestre. Com calçadas tomadas por “lixo verde” acumulado por semanas, cadeirantes, idosos e crianças são forçados a transitar pelo leito das vias, dividindo espaço com veículos em alta velocidade. É uma ironia trágica: a empresa poda para evitar um curto-circuito, mas acaba provocando um risco iminente de atropelamento e sinistros de trânsito.

FOGO, SUJEIRA E SAÚDE PÚBLICA

Os problemas não param na mobilidade. O acúmulo de galhos secos por dias a fio funciona como combustível para incêndios — ocorrências que, infelizmente, já deixaram de ser hipóteses e tornaram-se fatos em Canoas. Além disso, os montes de galhos tornam-se criadouros de insetos e abrigos para animais peçonhentos e roedores, degradando a higiene urbana e transformando bairros residenciais em depósitos de detritos a céu aberto.

As explicações da empresa seguem sempre o mesmo roteiro: culpam-se as intempéries, a demanda excessiva ou a logística complexa. No entanto, o consumidor paga uma das tarifas de energia mais caras do país. Quando o cidadão quita sua fatura, ele não está pagando apenas pela eletricidade, mas por um serviço de manutenção que respeite a sua integridade e a cidade onde vive.

O “jogo de empurra” entre a concessionária e a administração municipal sobre quem deve retirar o material só reforça a percepção de que o cliente é visto apenas como um número. A poda é responsabilidade da RGE para proteger seu patrimônio (a rede); logo, a limpeza completa do subproduto dessa ação é parte integrante e indissociável do serviço.

Canoas não pode ser refém de uma logística falha. É urgente que a RGE reveja seu modelo operacional, priorizando a execução conjunta de poda e recolhimento imediato. Enquanto a empresa insistir em deixar o “rastro do descaso” pelas ruas, estará assinando uma confissão de incompetência e desrespeito. A segurança pública e o direito de ir e vir não podem esperar 30 dias por um caminhão que nunca parece estar no caminho certo.

 

Uma Resposta

  1. Creio que a responsabilidade é de quem produz os resíduos. No entanto, é necessário que esteja firmado em documento, para que não haja esse empurra empurra. Tanto prefeitura quanto RGE, tem suas regras. Que prevaleça o cliente de ambas instituições. Afinal de contas, é esse cliente que movimenta as duas instituições.

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