A geografia do agronegócio global acaba de ganhar um novo ponto de referência no mapa gaúcho. A inauguração da nova unidade da John Deere em Canoas não é apenas mais um evento corporativo; é o encontro de uma gigante mundial com a maior força econômica do Rio Grande do Sul em arrecadação de ICMS. Com um investimento de R$ 42 milhões, a planta nasce sob o signo da “manufatura inteligente”, provando que o futuro da lavoura passa, obrigatoriamente, pela tecnologia urbana de ponta.
A decisão da John Deere de se instalar na Avenida Antonio Frederico Ozanam, no bairro Brigadeira, é um movimento calculado. Canoas não foi escolhida ao acaso. Como a terceira maior cidade do estado e a líder absoluta em retorno de ICMS, o município oferece um ecossistema logístico e industrial que poucas regiões da América Latina conseguem replicar.
Ao investir em uma área de 39 mil metros quadrados (com 12 mil de área construída), a John Deere sinaliza que confia na infraestrutura de Canoas para sustentar uma produção que exige conectividade e agilidade. Para a cidade, a chegada da marca reforça sua posição como o coração INDUSTRIAL DO RIO GRANDE DO SUL.
DE FERREIRO A ÍCONE | Quem foi John Deere?
Para entender a importância desse investimento, é preciso olhar para o passado. A história da companhia começa em 1837, em Grand Detour, Illinois (EUA). John Deere era um ferreiro humilde que enfrentava um problema recorrente: os agricultores locais perdiam tempo precioso limpando o solo pegajoso de suas aradas de ferro.
Deere teve uma ideia revolucionária para a época: polir uma lâmina de aço de uma serra quebrada. O resultado foi o primeiro arado de aço autolimpante (“self-scouring steel plow”), que permitiu que o Oeste americano fosse cultivado com eficiência. O lema de John Deere — “Eu nunca colocarei meu nome em um produto que não tenha em si o melhor que há em mim” — atravessou séculos e hoje se materializa em robótica e inteligência artificial.
A FÁBRICA DO FUTURO EM SOLO CANOENSE
A unidade de Canoas é a personificação do conceito de Indústria 4.0. Diferente das linhas de montagem tradicionais, o projeto incorpora:
- Inteligência Artificial e Robótica: Processos automatizados que garantem precisão milimétrica.
- Internet das Coisas (IoT): Sistemas integrados que monitoram a produção em tempo real.
- Foco no Pulverizador 1025E: O novo protagonista da marca, que substituirá a linha PLA.
Este equipamento, previsto para iniciar produção em agosto, é uma resposta direta às necessidades do campo moderno. Desenvolvido para atuar com precisão em terrenos íngremes e culturas diversas — de soja e milho a batata e mandioca —, o 1025E será o embaixador da tecnologia “Made in Canoas” nas grandes feiras agrícolas deste ano.
Como pontuou Joaquin Fernandez, vice-presidente de Manufatura para a América do Sul, este aporte faz parte de uma estratégia macro. O Brasil não é apenas um mercado para a John Deere; é um pilar estratégico para a segurança alimentar global.
Ao expandir sua capacidade em Canoas, a empresa alinha a tradição de quase dois séculos de seu fundador com a pujança do agronegócio brasileiro. Canoas agora faz parte dessa engrenagem vital, provando que, quando o aço encontra a inteligência, o resultado é o crescimento de todo um estado.















2 Respostas
Olá.
Gostaria de saber qua do as vagas pra soldador serão abertas para essa nova fábrica?
Olá, eu sou jornalista e fiz um artigo sobre a vinda da empresa. Infelizmente não posso te ajudar, terás que ir até lá ou buscar informações via internet