Passei grande parte da vida caminhando com os olhos voltados apenas para o meu próprio rastro. Preocupava-me pouco com quem passava e, para ser sincero, cuidava ainda pior de mim mesmo. Mas a estrada tem dessas delicadezas: às vezes, ela coloca anjos para suavizar o nosso passo. O meu amigo Arame — o nosso Marcelo — era um desses seres de luz.
Ontem, após enfrentar batalhas que só o silêncio de sua alma conhecia, ele decidiu que era hora de descansar. Pediu demissão deste plano, entregando o uniforme de uma vida que, embora pesada em lutas, foi leve em bondade.
Marcelo era a alma pulsante do basquete canoense. Um entusiasta, um mestre para os mais jovens, um exemplo de dedicação que nos remetia ao grande Oscar da nossa seleção. Ele não era apenas grande na estatura; era imenso no caráter.

Tivemos um encontro recente, um jantar onde o vi sorrir uma última vez. O corpo já dava sinais de fragilidade, a saúde estava debilitada, mas a sua alegria ao reencontrar os amigos era uma chama latente, um brilho que a dor não conseguia apagar. É essa imagem que guardarei: a do gigante generoso que distribuía afeto como quem distribui passes precisos em quadra.
Vai em paz, Gigante. Que o céu tenha uma quadra de luz preparada para você. Monte o seu time, escale os melhores e continue dando suas aulas de basquete e de humanidade lá no alto.
Faz um bom time por nós, tá? Sentiremos sua falta aqui na arquibancada da vida.
#noticiasdaaldeiacanoas
















Uma Resposta
Lembro do Arame, bom sujeito, cordial, educado, chegamos a jogar nas quadras de cimento do Colégio La Salle , quando ali tivemos várias quadras multi-esportivas… Que vá em paz e que Deus permita uma boa quadra para sua alma jogar um basquete. Amém.