Saúde ou Política? O Embate de Narrativas sobre a Pediatria no HU de Canoas

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O cenário da saúde em Canoas tornou-se palco de um confronto direto de versões neste domingo (01). De um lado, o Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (Simers) aponta um cenário de abandono e risco de morte; do outro, a Superintendência do Hospital Universitário (HU) e a Associação Saúde em Movimento (ASM) rebatem as acusações com dados de produtividade e classificam a ação como um movimento político.

A Acusação do Simers: “Desmonte e Risco Imediato”

O sindicato baseia sua ofensiva em relatos de falta de profissionais, levando o caso ao Ministério Público com pedido de inspeção urgente.

  • O Ponto Crítico: A ausência de pediatras no “alojamento conjunto” por 48 horas. Segundo o Simers, recém-nascidos estariam sem avaliação médica desde o parto.
  • A Gravidade: A entidade utiliza termos como “situação gravíssima” e “risco assistencial imediato”, sugerindo que a vida dos bebês está em perigo.
  • O Contexto: Para o sindicato, o problema não é pontual, mas parte de um “processo de desmonte” da assistência médica no hospital, agravado pela paralisação dos médicos residentes.

A Resposta do HU/ASM: “Verdade dos Fatos e Uso Político”

A gestão do hospital não apenas nega as falhas, como contra-ataca, questionando a idoneidade das intenções do sindicato.

  • A Defesa Técnica: O hospital afirma que o atendimento está normal. Apresenta números: 23 partos realizados e 73 atendimentos obstétricos no fim de semana, além de 5 altas no alojamento conjunto.
  • O Contraponto sobre Médicos: A gestão garante que possui o número adequado de pediatras e intensivistas em todas as unidades, assegurando que nenhum paciente ficou desassistido.
  • A Acusação de Uso Político: Este é o ponto mais forte da resposta. O HU afirma que a percepção de falta de médicos é causada pela greve dos residentes, a qual teria sido “estimulada pelo sindicato”com “motivações políticas”. A gestão classifica a denúncia como “alarmismo” que não busca soluções reais.

Quadro Comparativo: Os Dois Lados da Moeda

Ponto de ConflitoVersão do SimersVersão do HU / ASM
AssistênciaBebês sem avaliação há 48h no alojamento conjunto.Atendimento pleno; 23 partos e 5 altas realizadas com segurança.
Corpo ClínicoFalta de pediatras responsáveis pelo setor.Quadro de pediatras e intensivistas completo e em operação.
Causa da CriseDesmonte deliberado da estrutura hospitalar.Paralisação de residentes com viés político e ideológico.
Ação TomadaOfício ao Ministério Público e pedido de inspeção.Refutação pública e anúncio de medidas judiciais contra a greve.

O Conflito de Narrativas

O que se vê no HU de Canoas é um choque de prioridades interpretativas. Enquanto o Simers foca na ausência de profissionais específicos em setores de transição (alojamento conjunto) como prova de colapso, o HU foca nos resultados globais (partos e atendimentos realizados) para provar que a máquina funciona.

O ponto de maior fricção reside na acusação de instrumentalização da crise: o hospital sugere que o sindicato está fabricando um cenário de pânico para sustentar uma agenda política através da paralisação dos residentes, enquanto o sindicato sustenta que sua ação é exclusivamente em defesa da vida e da dignidade médica. A palavra final agora cabe ao Ministério Público, que deverá verificar se os números de produtividade do hospital escondem, ou não, lacunas perigosas na assistência direta.

Responsabilidade com a Verdade e o Impacto da Denúncia na Saúde Pública

VEJA AS DUAS POSIÇÕES NO CASO

Simers aciona Ministério Público por falta de médico pediatra no Hospital Universitário de Canoas

O Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (Simers) acionou, em caráter de urgência neste domingo (01), o Ministério Público do Estado do Rio Grande do Sul. Não há médico pediatra no alojamento conjunto da pediatria do Hospital Universitário de Canoas (HU). A situação é gravíssima e expõe recém-nascidos a risco assistencial imediato.

De acordo com relatos formalmente encaminhados ao Simers, o HU está há dois dias sem médico pediatra responsável pelo alojamento conjunto, o que significa que bebês nascidos nas últimas 48 horas não foram avaliados por médico após a saída da sala de parto e da recuperação.

Para o Simers, o cenário representa o agravamento de um processo de desmonte da assistência médica no hospital, já denunciado anteriormente pela entidade.

No ofício encaminhado à Promotoria de Justiça Especializada de Canoas, o Simers requer a adoção imediata de providências, incluindo a realização de inspeção no hospital, em regime de urgência, a fim de proteger a vida dos pacientes, resguardar a atuação dos médicos e garantir atendimento digno à população.

O Sindicato vem denunciando as pessimas condições de estrutura e atendimento no HU. Residentes estão paralisados desde quinta-feira e cobram melhores condições para atender a população.

 

Esclarecimento sobre o atendimento pediátrico e obstétrico no HU Canoas.

A Superintendência Corporativa do Hospital Universitário de Canoas (HU) e a Associação Saúde em Movimento (ASM), gestora da unidade, vêm a público restabelecer a verdade e refutar as informações veiculadas pelo Sindicato dos Médicos (Simers) neste domingo, 1º de fevereiro.

1.⁠ ⁠Normalidade no Atendimento:

Ao contrário do que foi manifestado pela entidade sindical, não há registro de desassistência ou interrupção de atendimento no Centro Obstétrico ou nos setores de Pediatria. O hospital reafirma que conta com o número adequado de médicos pediatras e intensivistas pediátricos em todas as unidades de atendimento.

2.⁠ ⁠Dados Comprobatórios:

A plena conformidade dos serviços é demonstrada pela produtividade do último final de semana. Entre sexta-feira e este domingo (1º), o HU Canoas realizou 23 partos, 73 atendimentos no Pronto Atendimento do Centro Obstétrico e fez, entre a sexta e o sábado, 5 altas do Alojamento Conjunto — números que atestam o fluxo contínuo e seguro de atendimento à população.

3.⁠ ⁠Esclarecimento sobre a Residência Médica:

A percepção de redução de circulação médica em setores como o Alojamento Conjunto é reflexo direto da paralisação dos residentes, iniciada na última quinta-feira (29). A gestão reitera que tal movimento, estimulado pelo sindicato, possui motivações políticas e que tomará as medidas judiciais necessárias para que seja garantido o quantitativo mínimo de atendimento em momento de greve, conforme dispõe a lei.

4.⁠ ⁠Garantia de Assistência:

A Direção do HU e a ASM asseguram que nenhum paciente ficou desassistido. Todos os recém-nascidos foram devidamente avaliados por médicos pediatras de plantão, recebendo alta ou planos terapêuticos de internação conforme a necessidade clínica individual.

O HU Canoas e a ASM reafirmam seu compromisso inabalável com a saúde pública e com a transparência, refutando veementemente movimentos que buscam criar alarmismo e que não contribuem para a construção de soluções reais para a instituição.

Canoas, 1º de fevereiro de 2026.

 

Superintendência Corporativa do HU Canoas

Associação Saúde em Movimento (ASM)

2 Respostas

  1. O que se percebe é a incompetência da gestão do HU em aumentar o número de médicos e gerenciar a coisa toda , já os simers dando voz ao povo, coisa que a câmara de vereadores falha miseravelmente.
    Acho que tem médicos residentes trabalhando sem a supervisão, tem uma médica lá no HU na cirurgia ambulatorial que não sabe nem dar ponto, fato.

    O pior de tudo é saber que gente morreu e que estão morrendo e tem gente que defende ou recebe para defender, daí já viram cúmplices, que durmam com o peso na consciência se é que ainda tem.

    1. Aqui na notícia não existe defesa, nem a favor ou contra, ao jornalista cabe colocar ambas as narrativas, foi o que foi feito. Existem duas posições (estão no corpo da matéria) cabe ao Sindicado e ao Hospital provarem o que dizem.

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