A AELBRA, mantenedora da Universidade Luterana do Brasil (Ulbra), emitiu uma nota oficial para desmentir informações veiculadas na imprensa do centro do país que sugeriam uma mudança no controle acionário da instituição em favor do Banco Master. Segundo a universidade, a relação com a instituição financeira é estritamente de credor e devedor, estabelecida dentro dos trâmites da Recuperação Judicial (RJ) iniciada em 2019.
O esclarecimento surge após relatos de que o Banco Master, por meio de fundos como o Calêndula e a gestora Trustee, teria assumido o comando da universidade. A AELBRA afirma categoricamente que “a Ulbra nunca teve mudança de controle societário” e que permanece sob a gestão da mantenedora, atualmente presidida por Carlos Melke Filho.
Entenda a Relação Financeira
A confusão sobre o controle da instituição decorre do fato de o Banco Master ter se tornado um dos maiores credores da Ulbra. No mercado secundário de dívidas, o banco adquiriu créditos que somam aproximadamente R$ 2 bilhões. No âmbito da Recuperação Judicial, foram estruturadas operações financeiras que previam a possibilidade de conversão de dívida em participação societária através de debêntures — um instrumento comum em reestruturações empresariais.
Contudo, a nota oficial destaca que:
- Conversão não realizada: Embora existisse a previsão contratual para conversão de dívida em ações, nenhuma dessas operações foi efetivada.
- Investimento frustrado: Houve negociações para um aporte de cerca de R$ 1 bilhão para quitação de passivos, além do interesse na aquisição da faculdade de medicina pelo Fundo Calêndula, mas as operações não se concretizaram devido a mudanças no plano de recuperação e decisões judiciais.
- Medidas de proteção: A atual gestão da AELBRA informou ter adotado medidas jurídicas para proteger os ativos educacionais da instituição diante de “promessas de financiamento que não se materializaram” por parte do banco.
Linha do Tempo da Recuperação Judicial
Para dar transparência ao processo, a universidade divulgou marcos temporais importantes:
- 2019: Início do processo de Recuperação Judicial.
- 2022: A Rede Evolua assume o controle da AELBRA em operação onerosa.
- 2023: Reformulação do plano de recuperação devido a passivos fiscais.
- Julho de 2024: Emissão de debêntures conversíveis como parte do plano de reestruturação.
- Maio de 2025: O Fundo Calêndula chegou a solicitar a conversão de debêntures em ações, mas suspendeu o pedido um mês depois, em junho de 2025.
- 2025–2026: A AELBRA submeteu à Justiça um novo financiamento (DIP) com o Banco Genial de até R$ 70 milhões para dar liquidez ao processo e pagar credores trabalhistas.
Situação Atual
A universidade reforça que todas as atividades acadêmicas e administrativas nos diversos campi seguem ocorrendo normalmente. O foco da gestão atual permanece na reorganização institucional e na preservação da missão educacional, independentemente das disputas e negociações financeiras no âmbito jurídico.
“A universidade não apenas nunca foi controlada por esse banco, como também acabou sendo impactada por promessas de financiamento que não se materializaram”, conclui a nota da AELBRA, reafirmando que os autos do processo são públicos e podem ser consultados para verificar a veracidade dos fatos.
Para mais informações e acesso aos documentos citados, a AELBRA disponibilizou o link da petição judicial e a nota em seu portal oficial.
Petição da Aelbra:
https://drive.google.com/file/d/1UV7KsmGQ6wOCrhqzwm2LeiJE3NKcHY8S/view?usp=sharing
Nota de Esclarecimento publicada no site da Ulbra Canoas















