A FOTO NÃO FICOU BOA | A verdadeira nitidez dos encontros

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Vivemos na era do registro constante. A primeira reação diante de uma paisagem deslumbrante, de uma mesa cheia de amigos ou de um momento de pura alegria é, quase sempre, um movimento automático: sacar o celular.

Há em nós uma urgência desesperada de eternizar o agora.

No entanto, há uma sabedoria profunda e quase subversiva na ideia de que “bons momentos não deveriam ser fotografados, eles podem ficar fora de foco, sem a devida nitidez do que foi um encontro”.

Uma fotografia, por mais avançada que seja a tecnologia da câmera, é limitada. Ela captura apenas luz, cor e superfície em uma fração de segundo. A lente da câmera não consegue enquadrar a gargalhada espontânea que fez faltar o ar, o tom exato da voz de quem amamos, o calor de um abraço ou a eletricidade de um olhar. O verdadeiro “encontro” habita o reino do invisível e do sensorial. Quando tentamos reduzi-lo a pixels em uma tela, arriscamos capturar apenas a casca, deixando a essência escapar.

A ironia da nossa busca por registrar tudo é que o próprio ato de fotografar pode deixar o momento “fora de foco”. Ao nos preocuparmos com o melhor ângulo, a iluminação perfeita ou a pose ideal, nós nos ausentamos do presente. Deixamos de ser os protagonistas da nossa própria vida para nos tornarmos diretores de uma cena artificial. O momento, que era fluido, espontâneo e vivo, torna-se interrompido. A nossa atenção se divide, e a experiência em si torna-se embaçada pela nossa falta de presença genuína.

A devida nitidez de um encontro não se mede em resolução ou megapixels, mas na intensidade com que ele é vivido. A memória humana pode até ser falha com datas, roupas ou pequenos detalhes periféricos, mas ela é de uma precisão cirúrgica ao arquivar sentimentos. O coração e a mente possuem as lentes perfeitas para registrar a alegria autêntica. Uma lembrança sentida — aquele calor no peito ao lembrar de uma tarde perfeita — carrega uma nitidez de emoções que nenhuma imagem fria, armazenada em uma nuvem digital, conseguirá reproduzir.

Talvez os melhores e mais preciosos momentos da vida devessem ter o privilégio da exclusividade. Eles deveriam pertencer apenas àqueles que estavam lá, respirando aquele instante em sua totalidade, sem a mediação de um visor.

Assim foi o 18º Encontro da Liberdade, realizado no dia 18, às 18 horas. A amizade e a fraternidade afloraram na harmonia do Piquete Lenço Colorado, com sua patronagem capitaneada por Paulo Castro. É sobre isso que faço esta reflexão; tenho bem nítido em minha memória cada momento vivido com os amigos do Grupo Mais Zum e convidados. Foi a primeira vez que o encontro foi aberto às damas, e fica a minha sugestão de que o encontro da Semana Farroupilha seja sempre assim. Seria o encontro especial da família Mais Zum. Nosso grupo de amigos de 50 anos, hoje em um grupo de WhatsApp, tem a alegre mania de se encontrar a cada três meses, e, a cada encontro, a fotografia da memória torna mais nítida a nossa amizade.

O convite que essa reflexão nos faz é simples, mas desafiador nos dias de hoje: da próxima vez que a felicidade se manifestar em um encontro inesquecível, experimente deixar a câmera de lado.

Seja a testemunha integral da sua própria alegria. Guarde a imagem na alma, pois é apenas ali que o foco nunca se perde e a nitidez do que foi vivido permanece eternamente intacta.

 

 

Uma Resposta

  1. Que Maravilha,mais um encontro do Querido Grupo Mais Zum,que não pude estar presente, daqui a pouco tem outro, será uma felicidade rever os amigos pessoalmente, porque de coração estamos sempre presente perto ou longe.❤️
    Uma Abraço bem Chinchado a todos 🫂
    Deus Abençoe nossa Primavera 🌻🌼🌻

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