Ainda convivemos com uma prática que precisa ser superada: um mesmo imóvel é colocado à venda simultaneamente com diversos corretores e imobiliárias, muitas vezes sem qualquer contratação formal, sem definição clara de responsabilidades e sem uma estratégia única de comercialização.
O resultado é conhecido: informações divergentes sobre o mesmo imóvel, preços eventualmente diferentes, ausência de controle sobre quem apresentou o comprador e, em muitos casos, várias placas de “vende-se” instaladas no mesmo imóvel.
Isso não fortalece o mercado. Ao contrário, transmite desorganização, enfraquece o corretor perante o proprietário e prejudica a própria percepção de valor do imóvel.
Exclusividade para captar. Cooperação para vender.
O proprietário deveria contratar formalmente uma imobiliária ou corretor responsável pela comercialização do imóvel, preferencialmente em regime de exclusividade e por prazo determinado.
O corretor responsável pela captação coloca o imóvel à disposição de uma rede compartilhada de profissionais, permitindo que outros corretores e imobiliárias apresentem compradores e participem da negociação mediante regras previamente estabelecidas.
Assim, o proprietário passa a ter um único responsável pelo imóvel, mas dezenas ou centenas de corretores trabalhando para vendê-lo.
A ASSOCI poderia liderar a implantação desse novo modelo em Canoas através de uma plataforma ou aplicativo de compartilhamento de imóveis entre seus associados.
O corretor parceiro não precisaria disputar a captação do imóvel. Seu papel seria encontrar o comprador.
E o corretor captador teria segurança para compartilhar todas as informações, porque sua relação com o proprietário estaria formalmente protegida.
Uma placa. Um responsável. Uma rede inteira vendendo.
Precisamos acabar com a imagem de imóveis contendo quatro, cinco ou mais placas de imobiliárias diferentes.
Uma única identificação de venda é suficiente.
Por trás dela poderá existir uma rede inteira trabalhando.

Esse sistema beneficia todos:
O proprietário, porque passa a ter organização, responsabilidade definida e uma rede muito maior buscando compradores.
O corretor captador, porque sua relação com o proprietário e seu trabalho de prospecção ficam protegidos.
O corretor parceiro, porque passa a ter acesso a um estoque qualificado de imóveis sem precisar captar cada propriedade individualmente.
O comprador, porque recebe informações mais confiáveis e padronizadas.
E o mercado imobiliário de Canoas, porque ganha profissionalismo, transparência e credibilidade.
A ASSOCI como protagonista. A ASSOCI tem condições de iniciar essa transformação.
Não precisamos esperar que todo o mercado mude para começar.
Podemos estabelecer um padrão ASSOCI de comercialização compartilhada, inicialmente entre os associados que voluntariamente aderirem ao sistema.
A partir daí, podemos criar uma cultura nova:
- formalizar a captação;
- trabalhar preferencialmente com exclusividade;
- compartilhar os imóveis;
- respeitar a origem dos negócios;
- estabelecer previamente as regras de parceria;
- e ampliar a cooperação entre os profissionais.
O mercado imobiliário mudou
Gilberto J. Manfroi | Conselheiro Nato da Associ







