Modernização vai substituir equipamentos obsoletos e renovar a estrutura responsável por conectar sistemas e setores essenciais ao funcionamento do hospital
O Hospital Universitário de Canoas (HU) iniciou uma ampla revitalização de sua infraestrutura de Tecnologia da Informação (TI), a primeira dessa dimensão em quase 20 anos. Conduzida pela Associação Saúde em Movimento (ASM), atual gestora da instituição, a modernização vai substituir equipamentos obsoletos e renovar parte da estrutura responsável por sustentar a conectividade e os sistemas utilizados diariamente no atendimento hospitalar.
A intervenção ocorre após um diagnóstico técnico identificar um cenário de defasagem e precariedade na infraestrutura existente. Entre os problemas encontrados estão equipamentos de rede antigos e fora do ciclo de suporte dos fabricantes, intermitências e portas defeituosas, além de cabeamento defasado, exposto e instalado em condições inadequadas. Dos 46 equipamentos responsáveis pela distribuição da conectividade analisados, todos estavam fora do ciclo de suporte dos fabricantes.
A revitalização acontece em um momento em que a tecnologia ocupa um papel muito diferente daquele de quase duas décadas atrás. Se, naquele período, a informatização tinha uma participação mais limitada nas rotinas hospitalares, hoje prontuários eletrônicos, exames de imagem, prescrições, sistemas de farmácia, agendamentos e diferentes processos assistenciais e administrativos dependem diretamente da infraestrutura tecnológica.
No HU Canoas, são realizados aproximadamente 15 mil atendimentos mensais, entre consultas, cirurgias, exames e internações. Os sistemas utilizados pelas equipes assistenciais dependem da disponibilidade e da confiabilidade dessa estrutura para garantir a continuidade das atividades.
Para a superintendente hospitalar da ASM, Tatiani Pacheco, a modernização precisa ser compreendida também como uma ação voltada à qualidade e à segurança da assistência. “Hoje, a tecnologia está presente em praticamente todas as etapas do cuidado. Quando um profissional consulta um prontuário, acessa um exame ou busca uma informação necessária para uma conduta, existe toda uma infraestrutura trabalhando nos bastidores. Modernizar essa estrutura significa oferecer mais segurança e estabilidade para os nossos profissionais e, consequentemente, para os pacientes que dependem diariamente do HU”, destaca Tatiani.
Estrutura encontrada não acompanhou evolução tecnológica
O diagnóstico realizado no hospital mostra que parte da infraestrutura permaneceu por anos sem uma atualização compatível com a transformação tecnológica vivenciada pelo setor da saúde. Além dos equipamentos de distribuição de rede obsoletos, foram encontrados racks instalados em locais inadequados, alguns sem climatização, controle de acesso ou aterramento apropriado. O cabeamento existente é predominantemente de uma categoria anterior, com registros de cabos expostos e sujeitos a danos mecânicos e interferências.
Para o CEO da Associação Saúde em Movimento, Dr. Claudio Vitti, solucionar esse cenário passou a ser uma prioridade da atual gestão. “Quando assumimos a gestão, encontramos uma infraestrutura tecnológica que não acompanhou a evolução das últimas décadas e que já apresentava sinais claros de precariedade. Poderíamos simplesmente administrar esse cenário, mas entendemos que era necessário enfrentar o problema de forma estrutural. Estamos falando de uma base fundamental para o funcionamento do hospital. Atualizá-la é preparar o HU para as necessidades de hoje e também para o crescimento que estamos construindo para os próximos anos”, afirma Vitti.
Nesta etapa, a revitalização contempla a substituição dos 46 equipamentos responsáveis pela distribuição da rede por switches corporativos modernos e gerenciáveis. O projeto também prevê a implantação de fibra óptica para interligar os principais blocos do hospital e a modernização do cabeamento estruturado. Na prática, a intervenção cria uma nova “espinha dorsal digital” para o HU, ampliando a capacidade de gerenciamento da rede, a estabilidade das conexões e a segurança na circulação das informações.
A importância dessa estrutura fica ainda mais evidente diante dos impactos que uma eventual falha pode provocar. Problemas na infraestrutura podem interromper o acesso ao prontuário eletrônico, afetar sistemas utilizados em exames de imagem, comprometer o fluxo da triagem no pronto-socorro e prejudicar a dispensação de medicamentos pelo sistema da farmácia. “Não estamos falando simplesmente de melhorar a internet do hospital ou trocar equipamentos antigos. Estamos falando da infraestrutura que permite que a informatização avance e acompanhe a produção assistencial. À medida que ampliamos serviços, atendimentos e capacidade do HU, precisamos garantir que a estrutura tecnológica tenha condições de sustentar esse crescimento”, complementa Claudio Vitti.
Modernização com o hospital em funcionamento
Um dos principais desafios do projeto é realizar toda essa transformação sem interromper o funcionamento da instituição. Como o hospital mantém uma operação contínua, as intervenções precisam ocorrer de forma planejada e gradual, com atenção especial aos setores assistenciais críticos.
Para Tatiani Pacheco, essa característica ajuda a dimensionar a complexidade do trabalho. “É uma transformação que, em grande parte, acontecerá longe dos olhos do paciente e, ao mesmo tempo, enquanto o hospital continua atendendo. O resultado estará justamente naquilo que queremos que aconteça todos os dias: profissionais conseguindo trabalhar com mais segurança, sistemas disponíveis e uma estrutura preparada para acompanhar a assistência que o HU oferece à população”, afirma.
A revitalização integra o processo de qualificação estrutural promovido pela atual gestão do Hospital Universitário de Canoas. Mais do que substituir cabos e equipamentos, a iniciativa busca superar uma defasagem acumulada ao longo de quase duas décadas e estabelecer uma infraestrutura tecnológica compatível com a complexidade atual da instituição. A tecnologia mudou, o hospital cresceu e a assistência se tornou cada vez mais informatizada. Agora, a infraestrutura que sustenta essa transformação também começa a avançar.








