Economista lança autobiografia na Feira do Livro de sua cidade natal neste sábado (24), em uma obra que entrelaça educação, superação do racismo e a força da mulher negra brasileira.
Há momentos na vida em que é preciso cruzar oceanos para conseguir enxergar, com clareza, o próprio ponto de partida. Foi exatamente o que aconteceu com a economista Dirlene Silva ao observar a imensidão da Cidade Luz do alto da Torre Montparnasse, em sua primeira viagem a Paris. Com os olhos voltados para a Torre Eiffel, a memória a puxou de volta para o Rio Grande do Sul. O abismo geográfico e social entre a capital francesa e a infância de poucos recursos parecia intransponível, mas havia sido superado. É essa travessia que ela narra em sua autobiografia Do lixo a Paris: minha jornada de filha da Lixeira a referência em Educação Financeira, que ganha lançamento oficial neste sábado (24), às 16h, na Feira do Livro de Canoas.
Mais do que um relato sobre finanças ou mercado corporativo, o livro de Dirlene é um manifesto cultural sobre a potência da educação. Criada por Dona Vera — uma mãe solo que garantiu o sustento de três filhas trabalhando na limpeza e em lixeiras —, Dirlene encontrou nos cadernos e livros o passaporte para reescrever seu próprio destino.
Na casa modesta, as dificuldades financeiras dividiam espaço com uma certeza inegociável: a sala de aula era o único caminho. E foi o chão de Canoas que serviu de palco para a principal virada de chave dessa história. Graças ao seu brilhante desempenho escolar na juventude, ela conquistou uma bolsa de estudos no Colégio La Salle. O que poderia ser apenas um auxílio financeiro transformou-se em uma janela para um mundo novo, provando que espaços historicamente negados a pessoas como ela poderiam, sim, ser ocupados.
Foi também nesse período, durante o ensino técnico, que uma disciplina de Introdução à Economia plantou a semente do que viria a ser sua vocação. Hoje executiva, professora, palestrante, conselheira e uma das grandes vozes da educação financeira no país, Dirlene não esconde as cicatrizes do percurso. Em sua escrita, ela revisita com franqueza as barreiras da pobreza, do racismo estrutural e da exclusão, sem perder de vista a poesia das pequenas conquistas diárias.
Lançar a obra na Feira do Livro de Canoas carrega um simbolismo ímpar. É o retorno da filha à terra que a forjou, agora no papel de protagonista da própria história. O evento convida o público da região a uma reflexão profunda sobre meritocracia, oportunidades e, sobretudo, sobre como o acesso ao conhecimento é capaz de transformar não apenas a vida de meninas e mulheres negras, mas de toda uma estrutura social.
A jornada “do lixo a Paris” não é apenas sobre chegar ao topo; é sobre pavimentar o caminho para que outras também possam subir.

SERVIÇO CULTURAL
O quê: Lançamento e sessão de autógrafos do livro Do lixo a Paris: minha jornada de filha da Lixeira a referência em Educação Financeira, de Dirlene Silva.
Quando: Sábado, 24 de outubro de 2026, às 16h.
Onde: Feira do Livro de Canoas – Canoas/RS.
Entrada: Gratuita.








