Iniciativa entre Secretaria de Assistência Social e Corsan transforma óleo de cozinha usado em ferramenta de autonomia financeira e conscientização ecológica no bairro Rio Branco.
O que para muitos é considerado descarte e poluição, para um grupo de 26 mulheres transformou-se em oportunidade, dignidade e reinvenção. Na última quarta-feira (20), a Associação Mãos Dadas, no bairro Rio Branco, foi palco da aula inaugural da primeira turma da oficina de sabão ecológico. Mais do que uma simples aula de artesanato doméstico, a iniciativa — promovida pela Secretaria Municipal de Assistência Social em parceria com a Corsan — desenha um caminho sólido para o resgate da cidadania de famílias assistidas pelo Centro de Referência de Assistência Social (CRAS).
Com idades entre 30 e 60 anos, as participantes encontraram no curso um espaço que vai muito além do aprendizado técnico: trata-se de um movimento de inclusão social e emancipação.
O lixo que vira dignidade e renda
Para mulheres em situação de vulnerabilidade social, a conquista da autonomia financeira é o primeiro passo para a retomada dos direitos cidadãos. A oficina foca na transformação do óleo de cozinha usado em sabão caseiro, criando uma alternativa real de geração de renda e fortalecimento da economia doméstica.
“Essa oficina, além de ser uma ferramenta que reforça o serviço de acolhimento e convivência das famílias acompanhadas pelos CRAS, contribui para a educação ambiental, economia doméstica e geração de renda”, destacou o secretário municipal de Assistência Social, Denis Konrad.
Ao aprenderem a produzir um item básico de higiene e limpeza, as donas de casa reduzem os custos mensais da própria residência e vislumbram a possibilidade de comercializar o excedente, inserindo-as ativamente na engrenagem econômica local.
Consciência ecológica como direito de todos
A cidadania também se exerce no cuidado com o espaço coletivo. A educação ambiental, muitas vezes distante das periferias, foi levada de forma prática e palpável para o cotidiano dessas mulheres. Cada participante foi incentivada a levar de casa uma garrafa de óleo usado, transformando a teoria em ação imediata de saneamento.
A assistente de Responsabilidade Social, Karla Genuíno, responsável por ministrar o curso, alertou sobre o impacto invisível do descarte incorreto.
“O óleo hoje em dia é um dos grandes vilões do saneamento e poluição dos rios, por isso nesta oficina eu mostrei exatamente como o descarte correto do óleo é essencial nos dias atuais”, afirmou Karla.
Evitar que esse resíduo contamine a água e o solo da comunidade gera um sentimento de pertencimento e responsabilidade social. As alunas deixam de ser espectadoras dos problemas ambientais de seus bairros para se tornarem agentes ativas de mudança.
| Impactos Principais da Oficina |
| Geração de Renda: Criação de um produto comercializável a custo quase zero. |
| Economia Doméstica: Redução de gastos com produtos de limpeza no orçamento familiar. |
| Preservação Ambiental: Retirada de circulação de um dos maiores poluentes hídricos (óleo). |
| Fortalecimento de Vínculos: Espaço de convivência, troca de experiências e acolhimento institucional. |
Multiplicadoras de Cidadania
A coordenadora do CRAS Rio Branco, Patrícia Vaz, ressaltou o impacto imediato da ação na rotina das participantes. “Estamos trazendo para as mulheres donas de casa esse aprendizado muito importante, não só para contribuir para a economia da cozinha mas também para o meio ambiente”, explicou.
Ao final do dia, as mulheres que entraram na Associação Mãos Dadas como alunas saíram como multiplicadoras de conhecimento. O resgate da cidadania promovido pelo CRAS se consolida justamente aí: ao devolver a essas mulheres o protagonismo de suas vidas, mostrando que o cuidado com o planeta e o sustento da família podem caminhar de mãos dadas, a partir de um simples frasco de óleo que antes ia para o ralo.
Foto: Vinicius Medeiros








