FOLHA DE CANOAS | Projeto Canoas Ano 2000, Anatomia de uma Cidade e o Faz de Conta

Clique para ouvir esta notícia

SONHO DE PAPEL — No primeiro artigo do Projeto Canoas 2000, apresentamos o artigo da lenda Hugo Simões Lagranha, o homem que mais ocupou o cargo de Prefeito em Canoas, hoje o nome da vez é Antônio Jesus Pfeil (in memoriam), nosso cineasta e historiador.

O projeto era parte a evolução da Folha de Canoas, fundada em 20 de maio de 1986, nascia um sonho feito de Papel. O jornal idealizado por um grupo de jornalistas: Marione Machado Leite (in memoriam) e três outras colegas, Marilise De ZottiMari Angela Damian e Rosa Maria Pitsch. Quatro mulheres sonhadoras de que o mundo poderia ser melhor, elas buscavam e conseguiram qualificar a imprensa de nossa cidade. Mas, principalmente, a ampliação do mercado profissional para novos talentos jornalísticos. E conseguiram, grandes jornalistas foram forjados na Folha de canoas e estão por aí ocupando o merecido espaço que conquistaram por seu talento.

Já apresentamos a Folha de Canoas no primeiro capítulo do Projeto Canoas 2000, mas é preciso lembrar da ousadia das quatro meninas, a cidade não é apenas a notícia do presente, a Aldeia tem memórias, afinal, um povo precisa disso para projetar seu futuro. E a Folha fez isso, não se limitou apenas ao presente de Canoas, foi em busca do passado. Através de duas memoráveis edições recuperou as primeiras imagens da Aldeia. O compromisso do jornal com sua história levou a publicação de duas obras, os livros “Canoas — Anatomia de uma cidade”, volumes 1 e 2, feito com a parceria do autor, o cineasta e historiador Antônio Jesus Pfeil, o nosso adorável vagabundo.

O segundo artigo que iremos a presentar é exatamente do autor do “Canoas — Anatomia de uma cidade”, Antônio Jesus Pfeil, então vamos ver o que no historiador projetava para os anos 2000 em Canoas, vamos ao artigo escrito em meados de 1992.

O Faz de Conta

*Antônio Jesus Pfeil

Embora Canoas esteja nadando em dinheiro — quase oitocentos milhões para o ano que vem (1993), com possibilidades de dobrar o orçamento — a situação futura, em uma ótica otimista, é de que chegaremos ao ano dois mil sem nenhuma solução prática, definida, com relação às prioridades básicas: saúde, educação, segurança e habitação. Teremos pela frente duas administrações até lá.

Atrasado, quarto (i)mundo, o Brasil está nas mãos de uma máfia de picaretas bem sucedidos caminha para níveis raquíticos do submundo e será nos anos dois mil um país economicamente esquizofrênico, assim como de resto a América Latina, em que a Argentina será a “melhorzinho”, por uma questão cultural.

Sob o controle dos bancos, outra máfia de exploradores, e do imperialismo americano aliado as multinacionais — amparados pela falácia da modernidade universal — o povo chagará inevitavelmente a miséria social e cultural. Consequentemente, as prioridades relacionadas aumentarão em um ritmo incontrolável.

O Rio Grande do Sul, um Estado historicamente agrícola e pecuário que já perdeu a muito a sua posição de celeiro — inclusive para Santa Catarina, não querendo desmerecê-la — despeja pelas estradas toneladas de colonos sem-terra, que foram expulsos de suas propriedades pela política mesquinha da ditadura militar, que impôs da soja, diabólico projeto — via Delfin Neto — instalado com a conivência do Banco do Brasil, que financiava pequenos plantadores sem condições, propositadamente, para depois lhes tomarem as terras e repassá-las aos grandes latifundiários jogando-os na marginalidade, na loucura e na prostituição chefes de família e familiares.

A parte isto as administrações públicas seguem a política do óbvio, conservadora, sem vanguarda e não arriscam uma tomada de posição renovadora administrando apenas os interesses de pequenos grupos privilegiados e em atitudes eleitoreiras, mascaram a qualidade de vida da comunidade.

Canoas faz parte desta paisagem, deste jogo de faz de conta e da súcia dos grupelhos sem grandeza. E tem gente que pensa que “Canoas, sem dúvida, no ano dois mil, será, o lugar onde nossos filhos e netos poderão concretizar seu sonho de bem-viver”.

Lógico que com muito dinheiro, qualquer um concretiza o “seu sonho de bem-viver”, menos os moradores da Santo Operário, vilas similares e a classe média decadente. Para tal precisamos chegar ao ano dois mil.

*Cineasta e pesquisador

 

NOTA DO ALDEIA

O artigo do Antônio Jesus Pfeil, foi escrito 23 anos atrás para o projeto Canoas 200, da Folha de Canoas. Gostaríamos, além de apresentar a visão do cineasta e historiador, saber dos leitores o que se concretizou na previsão dele.

É um registro, que já mostrava os problemas e enfatizava o que poderia vir, todos sabem a realidade de hoje.

Qual sua opinião sobre o artigo?

 

SAIBA MAIS SOBRE ANTÔNIO JESUS PFEIL

Decretado luto oficial em Canoas pela morte do cineasta, historiador e escritor Antonio Jesus Pfeil

Uma Resposta

  1. Nossa!!! Ele era um visionário?? Tinha bola de cristal ?? Ou simplesmente via além do seu nariz!! Pois bem um homem de rara inteligência com quem conversei algumas vezes, de humor ácido mas disse em linhas tudo de uma verdade que sempre permeou a aldeia…e a politica Nacional

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Lorem ipsum dolor sit amet, consectetur adipiscing elit, sed do eiusmod tempor incididunt ut labore et dolore