SONHO DE PAPEL — em 20 de maio de 1986 nascia um sonho feito de Papel. O projeto idealizado por um grupo de jornalistas: Marione Machado Leite (in memoriam) e três outras colegas, Marilise De Zotti, Mari Angela Damian e Rosa Maria Pitsch. Quatro mulheres sonhadoras de que o mundo poderia ser melhor, elas buscavam e conseguiram qualificar a imprensa de nossa cidade. Mas, principalmente, a ampliação do mercado profissional para novos talentos jornalísticos. E conseguiram, grandes jornalistas foram forjados na Folha de canoas e estão por aí ocupando o merecido espaço que conquistaram por seu talento.

A ideia era criar um jornal que valorizasse a atividade comunitária e empresarial. Com fibra e coragem a proposta ganhou força. As ideias transformaram-se em palavras. Nos textos e reportagens a pura presença do espírito inovador de seus criadores.
Da imprensa rotativa surgia um novo veículo.
Nascia a Folha de Canoas.
A proposta, ousada para época, era de periodicidade bissemanal, um grande desafio lançado à equipe de colaboradores. A Folha de Canoas foi o primeiro veículo a identificar seu nome com a cidade.
Apesar das constantes crises econômicas e dos diversos planos neste período, a Folha de Canoas se manteve em pé. O Jornal encerrou suas atividades em 2012, quando a marca foi adquirida pelo Grupo Editorial Sinos, que também contratou um grande grupo de profissionais oriundos da Folha, dentre eles, eu.
Nos anos em que circulou, nenhuma edição deixou de ser lançada. Não lembro quantas edições foram, mas o tempo de circulação ideia da dimensão dos obstáculos vencido por seus profissionais.
O PROPÓSITO — o certo é, que a cada edição era contada uma parte da história de nossa cidade. Nas páginas da Folha de Canoas foram publicadas as reivindicações, as lutas e as angústias de nosso povo. Ao retratar o cotidiano, a Folha compôs um mosaico, baseado na diversidade de nossa terra.
A cada reportagem ficou um pouco dos profissionais que construíram este jornal. Foram centenas de pessoas responsáveis por esta obra coletiva, chamada Folha de Canoas.
Hoje, no arquivo histórico de Canoas, é possível virar as páginas e sentir a emoção latente de cada notícia.
Essa garra e disposição coletiva garantiu o sucesso da Folha de Canoas por longos anos e o projeto repercute até hoje.
Éramos jovens que queriam mudar o mundo, graças ao espírito empreendedor e arrojado da direção, a Folha, mesmo em tempos de recessão, apostou em seus objetivos e perdurou por longos anos.
Uma visão de futurista, estava sempre atenta aos avanços tecnológicos, essa era uma exigência de seus criadores, o que alavancou seu crescimento editorial. Fomos o primeiro jornal, em Canoas, a adotar um sistema próprio de editoração eletrônica, isso no final da década de 80, inovávamos permanentemente. A Folha, sempre atenta, acompanhava as tendências do jornalismo em âmbito mundial.
Cravamos nosso coração nesta terra, as raízes do que foi plantado são profundas e estão nas memórias de muitos canoenses. Ao ser lançado em, 20 de maio de 1986 (aniversário da Mari), ele passou a ser propriedade do povo canoense.
Em cada uma de nossas edições, está na história uma prova de amor pela cidade.
Após esta apresentação, resumida da Folha de Canoas, queremos lançar uma série de artigo do que pensavam nossas autoridades para os anos 2000.
O primeiro deles é o lendário prefeito de Canoas, Hugo Simões Lagranha, sem mais delongas, vamos ao artigo:

Invasões preocupam
*Hugo Simões Lagranha
O problema das constantes invasões que ocorreram nos últimos tempos em Canoas é bastante e, perdurando, tende a transformar-se em tragédia nos próximos sete anos. Nos demais municípios do Rio Grande do Sul, as áreas de terra são da municipalidade. Aqui, em Canoas, as grandes áreas são do Governo do Estado. Por estarem ociosas, estas terras estão sendo invadidas sem que o Governo Estadual tome qualquer providência, ficando indiferente ao problema, uma vez que só o Estado tem poderes para requerer liminar na justiça, a fim de retirar os invasores.
Para citar um exemplo bastante concreto e atual vê-se a área onde será em implantado o Distrito Industrial Guajuviras, que está sendo invadida sem que o Estado providencie a retirada dos ocupantes. Embora isso atrase a efetiva instalação do Distrito Industrial que irá gerar inúmeros empregos aos canoenses, além de trazer benefícios financeiros à cidade.
Hoje (início dos anos 90), Canoas, possui cerca de 80 mil habitantes, isso sem considerarmos o Conjunto Residencial Guajuviras — também fruto desta prática — que, bem ou mal, tem certa infraestrutura. Vejamos que, se o município arcar com o ônus desses ocupantes, a própria população deixará de receber benefícios como mais escolas, mais creches, mais postos de saúde, melhoria no sistema viário, rede de esgoto e auxílio para o hospital (na época Canoas tinha só o HNSG), entre outros. Isso porque, no futuro, não haverá orçamento municipal que faça frente às exigências de uma cidade como a nossa, caso não se solucione os dramas das invasões.
Os próximos prefeitos devem ficar atentos ao problema, pois hoje, áreas verdes estão sendo “consumidas” à revelia da lei. Vemos um órgão estadual que deveria cuidar do plano habitacional, completamente sem recursos e que vive à míngua de centavos do Governo Federal. Mesmo tendo um orçamento bastante bom para a cidade, se tivermos que atender às vilas irregulares, fatalmente faltará até saibro e brita para solucionar o problema das zonas alagadiças.
Assim sendo, é presumível que o futuro não seja muito promissor, a menos que os organismos governamentais do Estado busquem efetivas soluções para as áreas ocupadas, com uma real política habitacional.
Finalizando, não deixaria de lembrar o aspecto da saúde pública, pois dela depende a qualidade de vida do próximo milênio.
Para o futuro administrador de Canoas fica a tarefa de continuar com o fechamento de valos, a exemplo do que foi feito na rua Fernando Ferrari em Niterói, onde foi construída uma moderna galeria — que virou via rápida — no lugar de um valo que transmitia doenças e castigava os moradores do local.
Antes de virar o milênio, o fechamento das Valas do Leão, da Irineu de Carvalho, da República, da Inconfidência e Vala da Harmonia, tem urgência de serem realizados, a fim de humanizar a cidade, além de aumentar as condições de saúde do povo canoense.
Tenho esperança que dias melhores virão se os governantes, de todas as esferas, fizerem menos política pessoal e sim, agirem com idealismo ao conduzirem a coisa pública.
*Prefeito de Canoas – Gestão 89/92
NOTA DO ALDEIA
O artigo do “Seu Lagranha”, foi escrito 23 anos atrás para o projeto Canoas 200, da Folha de Canoas. Gostaríamos, além de mostrar as ideias do lendário prefeito, saber dos leitores o que se concretizou na previsão dele.
É um registro, que já mostrava os problemas e enfatizava o que poderia vir, todos sabem a realidade de hoje. Seu Lagranha anteviu coisas que estão até hoje sem solução.
Qual sua opinião sobre o artigo?
LEIA O SEGUNDO CAPÍTULO
FOLHA DE CANOAS | Projeto Canoas Ano 2000, Anatomia de uma Cidade e o Faz de Conta
















8 Respostas
Maravilhoso artigo!! Parabéns, lembro bem de tudo isso, outros tempos, acho que tu resgatas tudo isso, não vejo como saudosista, mas alguém que vê no passado, uma forma de melhorar o futuro. Parabéns, continua, não desiste, embora ventos contrários.
Lagranha, conhecia cada canto de nossa cidade e tinha visão estadista. Já enxergava o que era necessário para os cidadãos canoenses.
Que ótima lembrança, Marco! Foi um sonho colocado em prática que ficou para sempre em nossos corações!
Marquito, teu texto traz lembranças as mais diversas – de rir e chorar. De sonhos e de realizações. Teu texto é inspirado e amoroso. Parabéns, guri!!! Ah, lembras das revisões noturnas lá na ZH? Abração e gracias pela homenagem.
A nossa podre política atual não tem a menor condição de criar bons líderes. Lagranha tinha as suas limitações, mas perto da nossa atual classe política, ele pode ser considerado um gênio. Parabéns Marco, foi muito importante o resgate da matéria para ver se os políticos atuais criam alguma vergonha na cara e melhoram para não passarem a vergonha de serem muito menores do que um gestor de muitas décadas atrás.
Quando leio alguém dizer que Lagranha tinha suas limitações, é porque certamente não o conheceu . –Bons tempos em que os corruptos, a corrupção e a roubalheira desenfreada não haviam feito morada nos governos municipais e na administração pública de Canoas. Quem dera todos os prefeitos , estes que vieram após o último governo Lagranha, tivessem as mesmas limitações, altruísmo e honestidade! Lagranha acertou muito e foi um visionário. Nossa arrecadação e orçamento da cidade é mais que suficiente, mas nunca chega para os corruptos!
Vc afirma o que não sabe. Conheci o falecido Prefeito Lagranha muito bem. Era um bom homem, mas tinha suas limitações, como todas as pessoas possuem, inclusive me parece uma tremenda limitação sua achar que Lagranha foi um ser ilimitado. Ele foi um bom Prefeito em linhas gerais, muito melhor do que os políticos atuais ou os pretensos candidatos que se colocam como renovação e muitos vivem apenas na sombra de um sobrenome, sem nenhuma capacidade real de entrega de algo útil para a cidade.
O prefeito laranja foi um dos melhores q Canoas já teve. Apesar de Resingento,as vezes intransigente, mas sempre fiscalidor dos seus projetos. Infelizmente isso não acontece nos dias de hoje.