Em um passo estratégico para a segurança habitacional e a reconstrução resiliente de sua infraestrutura urbana, uma comitiva da Prefeitura de Canoas participa, entre os dias 12 e 18 de abril de 2026, da “Missão Holanda”. A iniciativa é organizada e totalmente custeada pela Frente Nacional de Prefeitas e Prefeitos (FNP), sem gerar qualquer ônus aos cofres municipais.
O foco central da missão técnica é absorver o que há de mais avançado no mundo em termos de gestão hídrica e adaptação climática. A escolha dos Países Baixos como destino é fundamentada na história do país: com cerca de 26% de seu território abaixo do nível do mar e 55% propenso a inundações, a Holanda desenvolveu uma engenharia hidráulica secular que hoje é o padrão ouro global.
Transparência: Investimento em Conhecimento com Custo Zero
É fundamental destacar que a participação de Canoas nesta agenda internacional não gera custos ao tesouro municipal. Todas as despesas — incluindo passagens aéreas internacionais, hospedagem, traslados e logística — são integralmente financiadas pela Frente Nacional de Prefeitos (FNP).
Além disso, os membros da comitiva abriram mão do recebimento de diárias, reforçando o compromisso com a responsabilidade fiscal. A FNP atua como o braço financiador por reconhecer Canoas como uma cidade-chave no debate nacional sobre reconstrução após os eventos climáticos extremos que atingiram o Rio Grande do Sul.
A delegação é composta por lideranças estratégicas que atuarão na ponta da implementação de novos protocolos e obras estruturantes no município:
- Daniela Fontoura – Secretária de Projetos, Captação de Recursos e PPPs: Responsável por alinhar os projetos técnicos aos modelos de financiamento internacional.
- Jerusa de Mattos – Secretária Adjunta de Projetos: Focada na viabilidade técnica das soluções de engenharia.
- Daniele Ilha – Assessora Superior do Gabinete do Prefeito: Articuladora da governança transversal entre as secretarias.
- Wagner Miranda – Assessor Superior do Gabinete do Vice-Prefeito: Apoio estratégico nas relações institucionais.
Canoas integra um grupo de municípios brasileiros — como Niterói (RJ) e Maringá (PR) — que buscam criar uma rede nacional de cidades resilientes.

Agenda Técnica: Imersão em Inovação e Governança
A agenda na Holanda vai além da observação passiva, envolvendo workshops e visitas a centros de tecnologia de ponta:
Deltares: O Cérebro da Gestão Hídrica Mundial
A comitiva visitou o Instituto Deltares, em Delft, referência mundial em simulações hídricas. O grupo conheceu tecnologias de modelagem computacional que permitem prever o comportamento de bacias hidrográficas com precisão milimétrica, algo essencial para o redimensionamento dos diques e das Casas de Bombas de Canoas.
The Green Village e TU Delft (Living Labs)
No The Green Village, laboratório vivo da Universidade Técnica de Delft (TU Delft), os gestores observaram o conceito de Soluções Baseadas na Natureza (SBN). Diferente da engenharia “cinza” tradicional (apenas concreto), as SBNs utilizam infraestruturas verdes que absorvem a água da chuva, transformando áreas urbanas em “cidades-esponja”.
Programa “Room for the River” (Espaço para o Rio)
O grupo estudou o programa holandês que mudou o paradigma de contenção de cheias. Em vez de apenas aumentar a altura dos diques, a estratégia consiste em devolver espaço às margens dos rios e criar bacias de contenção que funcionam como parques e áreas de lazer em períodos secos, evitando o colapso do sistema em cheias extremas.
Articulação com Bancos de Fomento (NDB e Banco Mundial)
Um dos pontos altos da missão é a interlocução, mediada pela FNP, com instituições financeiras globais. Estão previstas reuniões com o Novo Banco de Desenvolvimento (NDB – Banco do BRICS) e o Banco Mundial. O objetivo é apresentar a carteira de projetos de Canoas para atrair investimentos de longo prazo em infraestrutura urbana e drenagem, garantindo que a cidade tenha recursos para implementar as tecnologias aprendidas.
A secretária Daniela Fontoura enfatizou a integração: “A visita à Universidade de Delft reforçou que cidades resilientes exigem planejamento integrado de longo prazo. Estamos aprendendo como unir arquitetura, urbanismo e tecnologia para proteger a população”.
Daniele Ilha destacou a mudança de cultura administrativa: “Em Canoas, o enfrentamento de crises climáticas passou a ser uma diretriz única de Estado. Essa governança de ecossistema, que vimos aqui na prática, assegura que as metas de segurança hídrica sobrevivam aos ciclos políticos, promovendo o uso eficiente do recurso público”.
Desde a tragédia climática de maio de 2024, Canoas assumiu o protagonismo na busca por soluções definitivas. A participação nesta missão técnica, viabilizada pela Frente Nacional de Prefeitos, representa um investimento direto na qualificação do corpo técnico municipal. O conhecimento adquirido será convertido em editais de obras mais robustos, sistemas de bombeamento mais eficientes e uma cidade preparada para os desafios climáticos das próximas décadas.








