O diagnóstico de Gotham City, “interdição ética” ou eutanásia financeira?

Clique para ouvir esta notícia

A saúde de Gotham City nunca foi exatamente um exemplo de vitalidade; está mais para um paciente terminal respirando por aparelhos enferrujados. Mas agora, o Hospital Elizabeth Arkham está sob uma “interdição ética”. Chega a ser poético, não fosse trágico.

Ética em Gotham?

É mais fácil encontrar um morcego que não seja um vigilante do que um pingo de moralidade nesses corredores.

Para o cidadão comum, a ética é um conjunto de princípios que orienta o comportamento humano. A “ética” parece ser apenas o nome sofisticado para o golpe da vez. Não há nada de hipocrático nessa interdição; o que temos é um surto agudo de interesses políticos e um corporativismo tão infeccioso que faria o Espantalho sentir inveja.

Enquanto o hospital afunda, tem gente querendo as chaves do castelo. É o capitalismo de abutres: esperam o corpo esfriar para lotear os órgãos.

Não se deixem enganar pelos paladinos da moralidade de plantão. Enquanto a estrutura desmorona, alguns “agentes de saúde” do Arkham recebem salários dignos de Bruce Wayne para serem autênticas assombrações: recebem muito, mas nunca são vistos nas escalas médicas. Estão matando a galinha dos ovos de ouro e depois vão reclamar que o ovo veio choco.

Será que o plano é sabotar a saúde até que o caos seja a única opção lucrativa?

E sobre essa “interdição ética”… onde está a razão de interditar um colosso que atende mais de 150 condados sem ter o menor plano de contingência? Para onde vão os pacientes? Vão ser soltos nas ruas como se fossem figurantes em um plano do Coringa?

Talvez o interesse não seja o bem-estar social; se fosse, eles estariam ocupados explicando por que os nossos estudantes de medicina estão na lanterna do ranking da Federação de Metrópoles. Mas é claro, a culpa será sempre do Arkham, esse bode expiatório de pedra e cal.

Senhores “interventores da ética”, parem de brincar de Deus com o prontuário alheio. Para parar uma máquina do tamanho do Arkham, é preciso mais do que um carimbo e uma caneta; é preciso logística. Transferir pacientes graves exige ambulâncias, UTIs móveis, oxigênio e, acima de tudo, um lugar que não esteja com a placa de “lotação esgotada” na porta — o que, convenhamos, é o estado natural de todas as casas de saúde de Gotham.

A pergunta que fica no ar, mais pesada que a fumaça das indústrias químicas: a culpa é de quem?

Com a palavra, os senhores da Liga dos Jalecos Indignados.

 

 

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Lorem ipsum dolor sit amet, consectetur adipiscing elit, sed do eiusmod tempor incididunt ut labore et dolore