
GOTHAM CITY | Réquiem para um país agonizante e das sanguessugas insaciáveis
Somos quase 170 milhões de eleitores, apertados em um barco furado, remando em círculos enquanto a água sobe. Quero despertar dessa letargia, mas hoje apenas acordei.
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Somos quase 170 milhões de eleitores, apertados em um barco furado, remando em círculos enquanto a água sobe. Quero despertar dessa letargia, mas hoje apenas acordei.

A cada dois anos, a grande família da política brasileira se reúne para o seu evento mais aguardado. Não é Natal, nem Ano Novo, mas a ceia é farta, regada a um orçamento que ostenta algarismos suficientes para perder o fôlego.

O vento sopra forte no alto do gárgula, levando embora a capa preta para a escuridão. A chuva volta a cair, lavando as calçadas, mas sem apagar a pergunta que ecoa na neblina: E com você? Quais foram os gatilhos que o trouxeram até aqui?

Escrevo do conforto de um lar seguro, mas meu pensamento voa longe. Tenho amigos queridos que precisaram voltar a morar no lado Oeste da cidade. Eles não tiveram escolha; não tinham para onde ir.

A grande novidade da semana é aquele segredo de liquidificador que todo mundo já fingia saber: Rodrigo Busato é o pré-candidato oficial do União Brasil para deputado estadual.

O fidalgo preparava-se para disputar um assento na corte dos grandes senhores, armando-se como quem revive os romances de cavalaria que moldaram sua alma. Todavia, havia abismos reais e gigantes disfarçados de moinhos em sua senda.

E se os políticos entendem que o povo esquecerá o descaso, o samba mais uma vez ensina a lição final: o eleitor vai perceber que aprendeu a viver sem depender de falsas promessas.

Na pressa de defender projetos políticos temporários, esquecemos de avisar uns aos outros que ainda somos sobreviventes do mesmo barco. Quem não lembra das enchentes de 2024?

O gaúcho, historicamente conhecido por sua postura altiva e debates acalorados, parece assistir ao cenário atual com os braços cruzados e um silêncio que diz muito mais do que qualquer discurso de palanque.

Esqueça o Parque Eduardo Gomes. O verdadeiro gaudério do futuro não pisa mais na lama: ele orbita. Em uma arena flutuante montada na gravidade zero, o tradicionalismo gaúcho encontrou sua salvação.
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