Nesta sexta-feira (21), às 19h, o AldeiaCast chega ao seu 35º episódio com um convidado ilustre, vibrante e, claro, adoravelmente polêmico. Comandado por Marco Leite e Rodrigo Becker, o programa recebe o agitador cultural Acácio Santos para uma conversa que promete ser uma verdadeira imersão na memória artística do município de Canoas.

Entrevistar Acácio Santos é como folhear as páginas vivas da cultura canoense. São mais de 60 anos dedicados com paixão, coragem e insistência à promoção das artes na região. Fundador do lendário espaço Cássius 24, Acácio prova que a arte não é apenas um passatempo, mas um modo de existir: ele respira e vive cultura 24 horas por dia — e dizem que, até quando dorme, passa as noites planejando o próximo projeto.
Mesmo no alto dos seus 80 anos, o agitador cultural não dá sinais de desaceleração. Verdadeira “caixinha de surpresas”, segue em permanente movimento, inventando eventos, movimentando a cena local e lançando novos talentos.
Com uma trajetória cheia de bastidores memoráveis, Acácio carrega no currículo histórias dignas de livro, incluindo papos históricos com gigantes da música brasileira como Raul Seixas e Nelson Gonçalves.
O que esperar desse “maluco beleza” que transformou a cena cultural da cidade? A resposta você confere no AldeiaCast, relembrando trajetórias, causos e a inestimável contribuição desse ícone de Canoas.

Acácio Santos: O maestro do ritmo e da alma cultural de canoas
Existe quem viva da cultura, e existe quem seja a própria personificação da arte em movimento. Acácio Santos pertence a esse segundo grupo — uma espécie rara de arquiteto de sonhos, movido a vinil, rock and roll e a pulsação incessante da vida noturna de Canoas. Aos 80 anos, com a energia de um jovem prestes a subir ao palco pela primeira vez, Acácio é a memória viva e o motor pulsante de seis décadas de agito cultural no Rio Grande do Sul.

Do fazer artesanal ao nascimento de uma Lenda
A história começou longe dos holofotes da Região Metropolitana, em Dom Pedrito, mas foi em Canoas, aos 21 anos, que o jovem garoto encontrou seu verdadeiro palco. Formado pelo SENAI em 1964, a precisão mecânica cedeu espaço para a paixão avassaladora pela música. E foi ali, na década de 1960, que a revolução silenciosa de Acácio teve início: nos lendários bailinhos de garagem.
Numa época em que não existiam redes sociais ou algoritmos, a divulgação cultural era feita no braço e no coração. Acácio colava cartazes nas ruas da cidade usando grude caseiro para divulgar festas no Sindicato dos Metalúrgicos. Cada cartaz colado na madrugada era uma promessa de alegria para o final de semana.
Em 1979, essa energia ganhou endereço e nome próprio: a Cássius 24, discoteca histórica na Associação La Salle que marcou gerações e selou para sempre o pacto de Acácio com a noite canoense.
“Eu sou o cara, o único que nunca me vendi, nunca bebi e nunca fumei.”
— Acácio Santos
Maria Odete Brito de Miranda de Souza, a Gretchen, esteve no Clube Cultural Canoense no início de sua carreira; o promoter era o Acácio
BASTIDORES DE OURO | Entre gigantes e malucos beleza
Falar de Acácio Santos é folhear um livro de bastidores incomparável da música brasileira. Poucos produtores e agitadores no país podem se orgulhar de um repertório de memórias tão vasto:
O Café e a Cerveja com o Maluco Beleza: Dividir a mesa e tomar uma cerveja no Clube Cultural Canoense com Raul Seixas, conversando sobre a vida e a utopia da arte livre.
O Último Voo do Boêmio: Produzir a derradeira apresentação de Nelson Gonçalves no palco, testemunhando o adeus de uma das vozes mais potentes do Brasil num momento sagrado e exclusivo.
Melancia com o Rei: Esconder ninguém menos que Roberto Carlos nos fundos de um camarim antes de um show, compartilhando uma simples fatia de melancia com os músicos da banda enquanto o público do lado de fora nem imaginava.
Gigantes na Província: Trazer ícones como Cauby Peixoto, Wanderley Cardoso e Os Trapalhões para palcos locais, provando que Canoas era, sim, rota dos maiores espetáculos do país.
O olhar do visionário e a semente dos talentos
Acácio nunca se limitou a trazer o que já era grande; ele tinha o dom refinado de enxergar o talento antes do resto do mundo. Em 1984, ao criar o lendário festival Festival de Música de Canoas, deu palco e voz a artistas em início de carreira. Dali surgiram nomes que se tornaram pilares da música e da comunicação, como o mestre nativista Dante Ledesma — amizade tão profunda que rendeu canções feitas em sua homenagem — e o comunicador Bibo Nunes.
Guerreiro Incansável da Agenda Cultural
Acácio transformou o “agito cultural” em uma missão comunitária. Sem as amarras das agendas frias ou institucionais, seu foco sempre foi o estrado de madeira do bar de esquina, o palco das bandas autorais e de cover dos anos 70, 80 e 90, e os encontros gastronômicos da cidade.
Ao vivo em suas transmissões no Facebook ou ecoando pelas ondas das Rádios Canoenses, Acácio continua sendo o grande alto-falante dos artistas locais. É quem garante que o som da cidade nunca se apague.
A Eterna Juventude de um Iluminado
Dizem que o tempo passa para todos, mas parece fazer uma exceção para Acácio Santos. Ele dorme sonhando com o próximo evento e acorda planejando o novo talento a lançar. Entre o desejo de remontar uma banda e voltar para a estrada e a rotina diária de movimentar a cena local, Acácio nos ensina a lição mais preciosa: a arte só tem sentido quando é vivida com verdade, paixão e independência.
Mais do que uma figura histórica, Acácio é patrimônio cultural imaterial de Canoas. Um maluco beleza que ensinou uma cidade inteira a dançar, cantar e valorizar sua própria história.
Serviço:
- O quê: 35º AldeiaCast com Acácio Santos
- Apresentação: Marco Leite e Rodrigo Becker
- Quando: Sexta-feira (21), às 19h
- Onde assistir: No YouTube e Canais oficiais do AldeiaCast
📌 NÃO PERCA:
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