Você já parou para pensar no poder transformador de um olhar em silêncio?
Charlie Chaplin, com seu inconfundível chapéu-coco e uma bengala, fez o mundo inteiro rir, chorar e, acima de tudo, despertar, sem precisar dizer uma única palavra. Ele não apenas exibia imagens em uma tela; ele convocava o público, fisgava a curiosidade humana e nos obrigava a olhar para nós mesmos. Hoje, puxe uma cadeira, sente-se aqui comigo e olhe para a nossa própria plateia.
O que estamos fazendo para despertar as nossas novas gerações?
Vivemos uma era de hiperconexão, imersos no ruído constante das redes, mas, paradoxalmente, muitas vezes anestesiados. É urgente reconduzir nossos jovens à participação ativa, tirá-los da inércia do passar o dedo na tela para o ato de criar, questionar e pertencer. É exatamente por isso que eventos como o 4º Festival de Cinema de Canoas (FECIC) são lufadas de ar fresco. Muito mais do que apagar as luzes do teatro e projetar filmes, o festival assume o papel de provocador cultural.
Não é à toa que o FECIC faz questão de transpor os muros e se inserir dentro das escolas. Quando um curta-metragem cruza o pátio de um colégio, ele não leva apenas entretenimento; ele planta a semente do saber. Ele sussurra no ouvido do estudante que a câmera do celular no bolso dele pode ser uma ferramenta poderosa para contar a história do seu bairro, dos seus medos e dos seus sonhos. É sobre o despertar do saber através da criatividade. O cinema liberta porque nos ensina a formular as próprias perguntas.
E aqui lanço uma provocação: por que limitar esse pulsar criativo a Canoas?
Imagine se esse movimento tomasse conta das praças, escolas e centros culturais de todas as cidades do Rio Grande do Sul. Em cada município gaúcho, há um sotaque não registrado, uma lenda não contada, um conflito social e uma poesia esperando para virar roteiro. Multiplicar festivais como este pelo estado é garantir que a nossa juventude se reconheça na tela, descentralizando a cultura e transformando o audiovisual em uma verdadeira ferramenta de transformação social e economia criativa.
Chaplin nos ensinou que a curiosidade é o primeiro passo para a empatia. Que possamos, então, abrir os olhos para esse movimento que bate à nossa porta. Aceite o convite. Vá ao cinema, leve um jovem com você, debata, envolva-se.
O letreiro de Fim na tela é, na verdade, apenas o começo do que a arte pode fazer em nós.
Abaixo, você confere o roteiro desse despertar. Nos vemos na sala escura.

É TEMPO DE CINEMA | FECIC divulga programação e filmes selecionados da sua 4ª edição
Realizado desde 2023, o Festival de Cinema de Canoas (FECIC) chega à sua quarta edição reafirmando o compromisso com a valorização do audiovisual produzido no Rio Grande do Sul. De 11 a 15 de novembro, Canoas recebe uma programação gratuita que reúne cinema, formação, debates, música e encontros entre realizadores, estudantes, profissionais e público.
Nesta edição, o festival alcançou um recorde histórico de 336 curtas-metragens inscritos. Desse total, 37 produções foram selecionadas para as mostras competitivas das categorias Estudantil, Universitária, Municipal e Estadual.
Cinema além da tela
A programação ocupa diferentes espaços culturais de Canoas, entre eles o Teatro do SESC Canoas, Museu Municipal Parque dos Rosa, LAB | Escola de Criatividade e Secretaria de Cultura e Turismo. Além das sessões competitivas, o público terá acesso a palestras, workshops, painéis e debates com realizadores (incluindo discussões sobre cinema negro e inteligência artificial).
O evento também prestará homenagens a figuras importantes como a atriz Silvia Duarte, o ator Zé Victor Castiel e uma homenagem póstuma a Luis Franke.
Programação completa e filmes selecionados
QUARTA-FEIRA — 11 DE NOVEMBRO
- 09h — Palestra: “O cinema Negro como meio de comunicação” com Ellen Correa (curadora do FECIC). Local: LAB | Escola de Criatividade.
- 15h — Painel Setorial Audiovisual: Participação dos Colegiados de Canoas e Conselho de Cultura. Mediação de Guilherme Suman. Local: Auditório Antonio Jesus Pfeil — Secretaria de Cultura e Turismo.
- 18h/19h — Solenidade de Abertura: Abertura oficial do 4º FECIC, Banda de Música da Base Aérea de Canoas (BACO), abertura da exposição “80 Anos” (artista visual Lorena Steiner) e coquetel. Local: Museu Municipal Parque dos Rosa.
QUINTA-FEIRA — 12 DE NOVEMBRO
- 14h15 — Mostra Competitiva | Categoria Estudantil (Local: Auditório Sady Schwitz):
- A Pessoa que Eu Fui (EMEF Paulo Freire)
- Sombras da Guerra (EMEF Arthur Oscar Jochins)
- A Cartomante (IFRS Campus Canoas)
- Entre Tradição Indígena e o Mundo Contemporâneo (EMEF Prefeito Edgar Fontoura)
- Daydream (Colégio IPUC)
- A Arte Segundo Cildo Meireles (IFRS Campus Canoas)
- Racismo na Escola (EMEF Paulo Freire)
- Depois do Inverno (E.E.E. M André Leão Puente)
- 16h30 — Debate com realizadores da Categoria Estudantil. Mediação de Ângelo Sérgio.
- 19h15 — Mostra Competitiva | Categoria Municipal & Homenagem à atriz Silvia Duarte (Local: Auditório Sady Schwitz):
- Sofia Viajou — Direção: Wender Zanon
- Eles Contam Histórias — Direção: Alexandre Moraes
- O Olho Mágico — Direção: Fernanda Roggia
- Matéria Escura — Direção: Guilherme Suman
- Geloteca — Direção: Adriano DPlay
- 21h — Debate com realizadores da Categoria Municipal. Mediação de Ellen Correa.
SEXTA-FEIRA — 13 DE NOVEMBRO
- 09h — Workshop: “Comunicação Alinhada: Intencionalidade e Alta Performance” com Gedson Castro. Local: LAB | Escola de Criatividade.
- 14h15 — Mostra Competitiva | Categoria Universitária (Local: Auditório Sady Schwitz):
- Concreto Vivo — Amanda Viegas (Porto Alegre / Unisinos)
- Anedonia — LiLi Muller (Pelotas / UFPEL)
- Sinuca de Bicho — Gabriel Madrid (São Leopoldo / Unisinos)
- O Sétimo Andar — Ane Prado (Canoas / Instituto Federal)
- E se chover amanhã — Vitor Davi Fernandes de Oliveira (Caxias do Sul / UCS)
- Reconhecer — Bruno Kopper (Porto Alegre / Unisinos)
- Al-Janiya — Ana Luíza Souza (Pelotas, Rio Grande / UFPEL)
- A vida além da meia-noite — Yas Souza (Porto Alegre / Unisinos)
- 16h30 — Debate com realizadores da Categoria Universitária. Mediação de Rodrigo de Oliveira.
- 17h30 — Painel: “Diálogo Inteligência Artificial no cinema: Um olhar e reflexão” com Pablo Chasseraux, Jorge Henrique Boca e Lisandro Santos. Local: Auditório Sady Schwitz.
- 19h15 — Mostra Competitiva | Categoria Estadual & Homenagem ao FECEA (Local: Auditório Sady Schwitz):
- Manjericão — Raphaela Serafin Maciel (Xangri-lá)
- Casulo — Vinicius Haas de Azevedo (Montenegro)
- Fúrias — Nica Maleoa (Porto Alegre)
- Manoel e Betinha — Marta Haas (Porto Alegre)
- Água Abaixo — Lisandro Santos (Porto Alegre)
- Lady Nelson — Cris Reque (Novo Hamburgo)
- Materna — Thiago Beckenkamp (Cachoeira do Sul)
- 21h — Debate com realizadores da Categoria Estadual. Mediação de Rodrigo de Oliveira.
SÁBADO — 14 DE NOVEMBRO
- 09h — Palestra: “A Presença em Cena: Primeiros Passos no Audiovisual” com Gedson Castro. Local: LAB | Escola de Criatividade.
- 11h — Almoço com Música. Local: Casa de Artes Villa Mimosa.
- 14h15 — Mostra Competitiva | Categoria Estadual (Local: Teatro do SESC Canoas):
- O Amanhã de Ontem — Fabrício Koltermann (Santa Maria)
- O Sonho de Frances — Rene Muller de Pereira (Porto Alegre)
- O Jogo — Francisco Ferrari Maxmila (Pelotas)
- Entrevista com Fantasmas — Lincoln Péricles (LK) (Rio Grande / São Paulo)
- 16h30 — Debate com realizadores e Pocket Show especial com Fernando do Ó e convidados. Mediação de Paulo Casanova. Local: SESC Canoas.
- 17h — Avant-première Metropolitano RS: Exibição do documentário “Os Sons do Coração”. Local: SESC Canoas.
- 19h15 — Mostra Competitiva | Categoria Estadual & Homenagem ao Metropolitano RS Ecossistema Audiovisual (Local: Teatro do SESC Canoas):
- George — Mauricio Borges de Medeiros (Novo Hamburgo)
- Terra Bruta — Allan Rigs e Guilherme Suman (Canoas)
- O Véu — Gabriel Motta (Porto Alegre)
- Chorume — Cássio Nascimento (Porto Alegre)
- Contrato — Deivis Horbach de Oliveira (Caxias do Sul)
- 21h30 — Debate com realizadores da Categoria Estadual. Mediação de Paulo Casanova.
DOMINGO — 15 DE NOVEMBRO
- 15h — Bate-papo e lançamento de livro: “O Pampa Virou Mar: Como o Cinema Gaúcho representa a maior praia do mundo?”, de Boca Migotto, com participação de Fatimarlei Lunardelli. Local: Teatro/Café do SESC Canoas.
- 17h30 — Sessão Especial Metropolitano RS: Exibição de “A Roupa do Rei” (de Guilherme Suman) e “Guianuba” (de Vini Oliveira e Adriano Souza). Local: Teatro do SESC Canoas.
- 19h30 — Cerimônia de Premiação: Entrega dos Troféus Canoeiros, homenagem a Zé Victor Castiel e homenagem póstuma a Luis Franke. Local: Teatro do SESC Canoas.
- 21h30 — Confraternização de encerramento: Local: LAB | Escola de Criatividade — Rua Domingos Martins, 440.
SERVIÇO4º Festival de Cinema de Canoas — FECICData: 11 a 15 de novembro Local: Diferentes espaços culturais de Canoas (RS) Entrada: Gratuita Site: https://festivaldecinemadecanoas.com.br/
Instagram: @festivaldecinemadecanoas









Uma Resposta
Excelente reflexão. Acrescento que a inteligência artificial supera a capacidade humana em vários aspectos, mas a arte é algo totalmente humano. Cada vez mais a cultura e a arte se tornam indispensáveis para o crescimento da humanidade, para que possamos nos reconhecer enquanto espécie criativa e necessária