Sim, Qualquer Quente, o repórter do Village News, vê o Big Brother Brasil. E dele vem a inspiração do texto de hoje: o “Elefante no Escuro”. Tchau, quinta série!
Bem-vindos a Gotham. Não à dos quadrinhos, onde o sinal de um morcego traz esperança, mas à nossa Gotham particular, onde o único sinal que brilha nas nuvens é o reflexo do “vil metal” e onde o céu é permanentemente cinza — não pela chuva, mas pela fumaça das articulações de bastidores. Nesta metrópole, que alguns insistem em chamar de Village, a política não é a arte do possível, mas a arte de manter as luzes apagadas.
Recentemente, um fenômeno curioso tomou conta da Village: a chegada do Grande Elefante. Inspirados pela sabedoria sufi de Rumi, nossos ilustres representantes decidiram que a melhor forma de fazer política é por meio da tateação no escuro. Afinal, quem precisa de uma “vela” — aquela incômoda luz da transparência e do conhecimento integral — quando se pode lucrar com a descrição parcial da realidade?
De um lado da penumbra, temos o grupo que agarrou a tromba. Para eles, o elefante é uma mangueira de recursos que deve ser direcionada apenas para os jardins que lhes rendem votos ou dividendos. Eles proclamam, com a voz embargada de falsa empatia, que a “verdade” da cidade é a fluidez com que a Village está em evolução, mas sem clarividência. Ignoram que a tromba, sem o resto do corpo, é apenas um apêndice balançando ao vento, incapaz de sustentar o peso da dignidade de Gotham.

No lado oposto, os veteranos da “velha guarda” abraçam as pernas do animal. Para estes, o elefante é um pilar imóvel, um monumento ao “sempre foi assim”. Eles garantem que a Village é sólida, enquanto seus pés estão mergulhados na lama da estagnação. Para esse grupo, o movimento é perigoso; o elefante deve permanecer parado, servindo de sustentação para os privilégios acumulados em décadas.
Há ainda os que se penduram nas orelhas. Estes garantem que o elefante é um tapete voador, uma promessa de que a Village decolará rumo ao futuro assim que o próximo plano for realizado. Eles ouvem apenas o sussurro do metal e o balançar dos interesses, alegando que a “vontade do povo” é exatamente aquilo que os seus financiadores de campanha desejam que seja.
A ironia suprema da nossa Gotham é que, ao contrário da parábola de Rumi — onde os cegos tateavam por ignorância —, aqui a escuridão é um projeto de poder. Os “donos do elefante” sabem perfeitamente que, se alguém acender uma vela, a farsa termina. Se a população enxergar o animal inteiro, os tateadores perderão sua autoridade e os problemas deixarão de desaparecer em labirintos burocráticos.
Portanto, o destino da Village parece selado: sucumbir sob o peso de um elefante que ninguém quer ver por inteiro. Enquanto os políticos brigam para decidir se o animal é uma corda, um muro ou uma árvore, o “vil metal” continua a ser a única bússola confiável.
Em Gotham, a verdade não é apenas relativa; ela é uma Village fatiada em pedaços. E na penumbra desse mercado, o elefante caminha, esmagando lentamente as esperanças de quem ainda acredita que a luz, um dia, será acesa. Afinal, para quem legisla no escuro, o conhecimento integral não é uma lição de sabedoria, mas um risco ocupacional.
Coisas do BBB!
*Antes que alguém abra a chapelaria, explico: este texto não está endereçado. Mas, aviso, a BBC do Calçadão de Gotham City fechou faz tempo.








Uma Resposta
Parabéns!
Um texto com grandes verdades, escrito para os “Habitantes do Senso Crítico,” a compreensão e entendimento, aos do “Senso Comum,” dificilmente terão acessibilidade e/ou nem mesmo irão ver ou enxergar, tudo que as entrelinhas estão a alertar.
Certamente, os do Senso comum dirão;
O Elefante nos dá alegria e prazer, ao vê-lo no circo…
Enquanto que, os do Senso Crítico, hão de Persistir, Insistir sem Jamais Desistir de acordar o Elefante e de “atender a vela.”
Cumprimento o autor, ensejando que sigamos,
Ombro a Ombro
Em Frente e Para o Alto!!!
Fraterno Abraço GRAP
🤝🤝🤝