A QUINTA SÉRIE NO PÁTIO DAS DISCUSSÕES | O guia de Canoas para o “Ficar de Mal”

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Parece que voltamos aos tempos áureos do pátio da escola, mas sem a parte do recreio. Em Canoas, a nova tendência pedagógica não é o letramento digital ou a educação integral; é a técnica milenar do “ficar de mal”.

Sabe aquela cena clássica? Dois amiguinhos brigam por causa de uma figurinha, cruzam os braços, fazem bico e decidem que a diplomacia mundial acaba ali. “Não falo mais com ele e não quero que ninguém fale!”.

É exatamente esse o espetáculo que o Executivo, o Legislativo e o Sindicato estão encenando para uma plateia de 30 mil alunos que, coitados, vão acabar trocando o Papai Noel pelo professor de matemática em pleno 12 de janeiro de 2027.

O nível de maturidade na “Aldeia” atingiu um patamar tão baixo que já estamos considerando trocar os ternos por uniformes de jardim de infância. De um lado, o Executivo diz que “o cofre está vazio”. Do outro, o sindicato faz “exposed” dos coleguinhas vereadores na Comissão de Educação, como quem anota o nome de quem está conversando na lousa enquanto a professora sai da sala.

Enquanto isso, os vereadores reclamam da “falta de educação” dos sindicalistas, agindo como se a política fosse um baile de debutantes, em que ninguém pode ser criticado. É o auge do “ficar de mal”. Ninguém senta à mesa, ninguém cede, e a solução — que deveria vir pelo diálogo — falece asfixiada pelo orgulho de quem prefere ter razão a ter uma cidade funcionando.

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Cadê o professor Frank?

Nessas horas, a memória nos trai e nos leva de volta ao Rondon. Tínhamos que chamar o professor Frank. Com ele, não tinha essa palhaçada de “não falo com você”. Ele entendia que a escola era maior que o ego dos adultos. Sob sua batuta, o Rondon não era apenas uma escola; era um exemplo de que a convivência e a resolução de conflitos são a base da excelência. Não por acaso, foi a melhor das públicas por anos. O Frank sabia que, na vida adulta (ou na que deveria ser), “ficar de mal” é um luxo que quem serve ao público não pode se dar.

O resultado dessa birra coletiva é trágico e beira o surrealismo. Graças ao “não falo com ele”, o calendário escolar de Canoas virou uma obra de ficção científica. Estamos projetando aulas para 2027! As férias de julho viraram um “descanso” de 48 horas. É a punição coletiva: como os adultos não sabem conversar, as crianças ficam sem o verão.

Pais deixam de conviver, famílias cancelam o planejamento e a sociedade assiste, atônita, a essa guerra de egos em que todos perdem. A inimizade dos “filhos” (nossos mandatários e líderes) está destruindo a rotina dos “pais” (a comunidade).

Um recado para o Pátio

Senhores sindicalistas, excelentíssimos vereadores e nobres mandatários: passem de fase. O jogo da política não deveria ser um episódio de desenho animado sobre quem grita mais alto ou quem ignora o outro com mais elegância.

“Ficar de mal” não coloca aluno na sala de aula, não paga salário e não recupera os 13 dias letivos (e contando) que já se foram para o ralo da intransigência. Parem de se comportar como crianças mimadas que preferem furar a bola do que deixar o outro jogar.

Canoas precisa de adultos na sala de comando. Chega de bico. O diálogo não é uma derrota; é a única saída para quem realmente se importa com o ensino público e não apenas com o próprio umbigo político.

Parem de ficar de mal! O ano letivo de 2027 agradece.

 

 

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