Em nota, a Companhia ressaltou que mantém diálogo constante com o Legislativo e que Canoas é a cidade que mais recebe recursos de saneamento no Estado.
A instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Câmara Municipal de Canoas para investigar a prestação de serviços da Corsan/Aegea foi recebida com “surpresa” pela concessionária. Enquanto o Legislativo busca apurar denúncias de irregularidades operacionais e cobranças abusivas, a Companhia defende sua gestão apresentando números de investimentos que colocam a cidade em posição de destaque no cenário estadual.
O Contraponto da Corsan
Para a Corsan, a abertura da investigação não condiz com a postura de transparência que a empresa afirma manter. A Companhia destacou que realiza reuniões semanais de prestação de contas diretamente com o Legislativo canoense, mantendo um canal aberto para o esclarecimento de dúvidas e o encaminhamento de demandas da comunidade.
Além do diálogo, a empresa utiliza dados técnicos para referendar sua atuação. Segundo o ranking de 2026 do Instituto Trata Brasil, Canoas é o município gaúcho que mais recebe investimentos em saneamento básico. Ao todo, foram aplicados R$ 83 milhões em obras de infraestrutura, novas tecnologias e modernização dos sistemas de abastecimento e esgoto.
A Corsan também reforçou que sua atuação vai além do contrato padrão, citando a participação ativa em ações preventivas contra cheias no município, o que demonstraria o compromisso social e operacional com os habitantes de Canoas.
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A Investigação na Câmara
Apesar dos argumentos da concessionária, a pressão política no Legislativo resultou na abertura oficial da CPI durante a sessão ordinária desta terça-feira (5). O requerimento contou com a assinatura de 18 vereadores — um apoio expressivo que supera o quórum mínimo necessário.
Os principais pontos que serão alvo de investigação incluem:
- Cobranças abusivas: Denúncias de valores desproporcionais nas faturas.
- Falhas de medição: Possíveis erros na leitura dos hidrômetros.
- Qualidade das obras: Intervenções em vias públicas que estariam gerando problemas de mobilidade e segurança.
- Atendimento ao público: Deficiências no suporte direto ao consumidor.
Conflito de Narrativas
Há uma clara divergência entre a percepção da empresa e a da Câmara. Enquanto a Corsan afirma manter diálogo semanal, o presidente da CPI, vereador Eric Douglas (UNIÃO), sustenta que a comissão é fruto de um ano de tentativas de diálogo sem respostas concretas. “A CPI surge a partir da união dos vereadores para investigar com seriedade e aprofundar o que está acontecendo”, afirmou o parlamentar.
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Próximos Passos
A comissão será composta por cinco vereadores, tendo Eric Douglas na presidência e Juares Hoy (Progressistas) como relator. O grupo tem um prazo inicial de 90 dias para concluir os trabalhos, podendo prorrogar o período por igual tempo. Ao final, o relatório poderá ser encaminhado ao Ministério Público, Procon e Tribunal de Contas para possíveis sanções ou medidas judiciais.
A CPI deve definir seu cronograma de oitivas e diligências nos próximos dias.








