Em reação ao cronograma de longo prazo apresentado pelo Governo do Rio Grande do Sul, prefeito de Nova Santa Rita questiona demora e afirma que municípios têm capacidade para acelerar proteção contra novas tragédias.
A divulgação do cronograma das obras de combate às enchentes pelo Governo do Rio Grande do Sul desencadeou uma reação imediata e contundente do prefeito de Nova Santa Rita, Rodrigo Battistella. Durante a live “Prefeitura ao Vivo”, o gestor não poupou críticas aos prazos estipulados pelo Estado, que preveem o início de intervenções estruturantes apenas para 2029, com conclusões estendendo-se até 2031.

“Se o governo Estadual não conseguir fazer antes, que passe para os municípios. Nós, prefeitos, somos cobrados todos os dias pela população e sabemos da urgência dessa pauta.”
Para Battistella, a distância entre o anúncio e a execução prática ignora a realidade de quem vive sob a ameaça constante do clima. O prefeito destacou que, enquanto o Estado planeja o futuro distante, as cidades da Região Metropolitana seguem vulneráveis.
Urgência vs. Burocracia
O descontentamento do prefeito ganhou força ao contrastar o cronograma estadual com a existência de um fundo bilionário de R$ 6,5 bilhões, destinado justamente à reconstrução e prevenção após a catástrofe de maio de 2024. Segundo Battistella, o recurso existe, mas a agilidade na ponta — onde o cidadão vive — ainda não é sentida.
O prefeito fez um apelo direto ao governador Eduardo Leite para uma revisão imediata desses prazos. Ele sustenta que Nova Santa Rita e outros municípios da Bacia do Rio dos Sinos possuem corpo técnico e condições para atualizar projetos e licitar obras com muito mais celeridade do que a máquina estadual vem demonstrando.
“Não podemos aceitar que obras tão essenciais fiquem para daqui quatro ou cinco anos. Estamos falando da proteção de vidas, de cidades inteiras e da economia do nosso Estado.”
Capacidade Técnica Municipal
Ao defender a descentralização das obras, Battistella argumentou que a proximidade com o problema gera uma resposta mais rápida. “Aqui em Nova Santa Rita temos equipe técnica capacitada, condições de atualizar os projetos e capacidade para tirar essas obras do papel muito antes de 2029”, reforçou.
A manifestação repercute em um momento sensível, marcando os dois anos da enchente histórica e colocando em xeque a estratégia de prevenção do Estado. Para as lideranças regionais, o recado de Battistella é claro: a prevenção não pode ser um plano para a próxima década, mas uma ação para o presente.
“O que não podemos é esperar mais uma tragédia para depois agir.”








