Câmara reúne representantes de municípios gaúchos para debater atuação da Corsan/Aegea, fortalecer CPIs e encerrar ciclo de audiências públicas

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A Câmara Municipal de Canoas tornou-se o epicentro de uma mobilização articulada contra as falhas na prestação de serviços de saneamento e abastecimento de água no Rio Grande do Sul. Em uma ofensiva que une a articulação política intermunicipal e a escuta direta da comunidade, o Legislativo canoense sediou, nesta quarta-feira (10), um encontro estratégico com representantes de diversas Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs) do Estado. A iniciativa prepara o terreno para o encerramento do ciclo de audiências públicas regionais, que ocorre nesta quinta-feira (11), no bairro Estância Velha.

Força conjunta: Municípios gaúchos unem forças na fiscalização

O encontro de quarta-feira, promovido pela CPI da Corsan/Aegea de Canoas, reuniu vereadores, presidentes de comissões parlamentares, instituições de controle e lideranças políticas de cidades como Venâncio Aires, Viamão e Gravataí. O objetivo principal foi compartilhar diagnósticos e traçar estratégias conjuntas de investigação sobre a concessionária.

Na abertura, o presidente da CPI de Canoas, vereador Eric Douglas (União Brasil), apontou que os gargalos operacionais não são exclusivos de uma única localidade. “Muitos dos problemas identificados no município também vêm sendo relatados em outras regiões do Estado”, afirmou, defendendo a cooperação mútua para dar respostas à sociedade.

A dimensão do problema foi reiterada pela deputada estadual Stela Farias, que preside a Comissão Especial da Assembleia Legislativa sobre o tema. Segundo ela, já existem mais de 30 CPIs abertas em solo gaúcho. “As reclamações envolvendo falta de água, cobranças e atendimento deixaram de ser casos isolados e passaram a representar uma preocupação estadual”, alertou a parlamentar, que anunciou futuras audiências públicas na Assembleia para expandir o debate.

Diagnósticos locais e desafios semelhantes

Durante a reunião técnica, diferentes parlamentares expuseram os cenários enfrentados em seus municípios:

  • Venâncio Aires: O presidente do Legislativo, Nelsoir Battisti, criticou a falta de reservação de água e relatou que a concessionária tem questionado os trabalhos da comissão local. O presidente da CPI do município, Nilson Lehmen, defendeu uma fiscalização minuciosa dos contratos de concessão e questionou a legalidade de procedimentos pós-privatização.
  • Viamão: O presidente da CPI local, Marco Antônio “Borrega”, destacou que o rol de queixas dos moradores se repete em todo o Estado, citando contas elevadas, obras inacabadas e falhas constantes no abastecimento.
  • Gravataí: O vereador Hiago Pacheco explicou que os esforços da CPI daquela cidade estão concentrados em três eixos: cobranças abusivas, obras inacabadas e desabastecimento.
  • Canoas: Os vereadores locais Neusa Ruffato, Dário da Silveira e Emílio Neto reforçaram o papel das oitivas e a gravidade das queixas populares. Emílio Neto ressaltou que a criação da CPI foi o último recurso após sucessivas tentativas frustradas de diálogo com a empresa.

O debate contou ainda com o respaldo técnico do Procon Canoas. O diretor do órgão, Vinícius Rabaioli, revelou que a Corsan/Aegea lidera o ranking de reclamações no município. Embora o Procon resolva mais de 90% dos casos formais, Rabaioli alertou para a existência de uma demanda reprimida e informou que Canoas tem articulado ações junto à Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon).

O presidente da OAB Canoas, Josias dos Santos, também esteve presente, defendendo a dignidade humana no acesso à água e sugerindo que o município avalie alternativas de gestão, incluindo a possibilidade de municipalização do serviço.

Voz à comunidade: CPI encerra ciclo de audiências nesta quinta-feira (11)

Dando sequência às ações de fiscalização e investigação, a CPI da Corsan/Aegea de Canoas realiza nesta quinta-feira (11), às 18h, a última audiência pública da sua série de encontros descentralizados. O evento ocorrerá na Liga Canoense de Futebol (Avenida A.J. Renner, 1111, bairro Estância Velha) e será totalmente aberto à comunidade.

Este encontro encerra o ciclo de reuniões promovidas nos quadrantes da cidade com a finalidade de coletar provas materiais e testemunhais diretamente com os usuários do serviço.

O que os moradores podem apresentar?

A população é incentivada a comparecer munida de documentos e registros que facilitem o processo de investigação. Podem ser apresentados:

  • Protocolos de atendimento sem resolução;
  • Contas com valores discrepantes ou acima da média de consumo;
  • Fotos e vídeos de vazamentos, buracos em calçadas ou vias públicas e obras inacabadas;
  • Relatos de falta de água frequente ou cobrança de taxa de esgoto em áreas sem rede instalada.

Até o momento, as audiências anteriores apontaram um padrão crítico: cobranças abusivas, ausência de leitura física de hidrômetros, ameaças recorrentes de corte no fornecimento e sérios danos na infraestrutura urbana após intervenções da concessionária.

Canal direto de denúncias

Para os cidadãos que não puderem comparecer presencialmente, a comissão parlamentar mantém um canal exclusivo de atendimento via WhatsApp para o envio de fotos, vídeos, documentos e relatos: (51) 99481-1147.

O presidente da comissão, Eric Douglas, reitera que a união entre a articulação política das CPIs estaduais e o engajamento da comunidade nas audiências públicas é o caminho mais sólido para exigir soluções definitivas e garantir a qualidade de um serviço essencial para a população de Canoas e de todo o Rio Grande do Sul.

Fotos: Andrissia Pereira

 

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