Por Piazotti da Barra do Quaraí
Pegue a pipoca — e das grandes! — Acompanhada de um refri “litraço de quatro”, porque o sadismo político está de volta e o picador de papel hoje está com a lâmina afiada. Abram alas para a nossa sessão nostálgica da Disney, onde os feudos familiares de Gotham City — que no mundo real atende pelo DDD 51, na nossa querida Canoas — insistem em encenar seus clássicos dramas.
A Maldição da Coroa e o Sobrinho Rebelde
A revolta do herdeiro que não consegue se desgarrar é notória. O sussurro de bastidor é um eterno “meu tio não deixa”. O guri agora anda com as outras turmas, mas continua de coleira curta, sem autorização para correr livre pelo pátio. Ele quer ser Prefeito, quer o holofote, então resolveu fazer barulho. Vai que cola? Afinal, pior do que estar preso ao feudo, é cair no esquecimento.
Essa dinâmica me remete imediatamente ao genial Don Rosa, mestre dos quadrinhos da Disney. Em uma de suas sagas clássicas, o Tio Patinhas compra uma coroa valiosíssima para sua coleção. O velho sovina tenta a todo custo controlar o destino da relíquia e manter o sobrinho, Pato Donald, sob obediência estrita. Como a coroa exige ações nobres de quem a usa para quebrar uma maldição, Patinhas tenta domar o temperamento explosivo do sobrinho, forçando-o a seguir seus planos milimetricamente.
É o choque clássico: o autoritarismo do tio contra o ímpeto do sobrinho de tentar voar com as próprias asas.
Qualquer semelhança com a vida real não é mera coincidência. Essa mesma energia de “feudo familiar” reina na tradicional dinastia Sarney, lá no Maranhão, onde o alinhamento com a matriz precisa ser absoluto.
Por aqui, o “guri” de Gotham está revoltado e o alarde é grande. A chamada “justiça dos homens” já foi acionada nos tribunais partidários, mas há quem prefira clamar diretamente pela “Justiça Divina” para resolver as pendências da família real de Canoas. Quem herdará a coroa?

O Coronel Vem Aí (Desta Vez, com Linha de Frente)
Depois de uma aparição “Não Oficial” que causou coceira e desconforto em muita gente grande na Aldeia, o Coronel Zucco prepara seu mega retorno a Gotham.
Mas agora é oficial, de fatiota engomada e palanque montado.
O pré-candidato ao Palácio Piratini em 2026 chega chegando, com o peito estufado e o slogan na ponta da língua: “CANOAS, CHEGOU A SUA VEZ!”. Ele avisa que o Rio Grande do futuro será construído por quem acredita na força do nosso povo gaúcho.
Nos bastidores, os organizadores prometem um “grande encontro para discutir os caminhos do Estado e consolidar os valores da direita local”. Marquem na agenda: dia 18 de junho, às 19 horas, no tradicional templo dos grandes comícios canoenses — o Clube Tradição.
Se a temperatura na política local já estava alta, com a chegada do Coronel, o caldeirão de Gotham promete ferver de vez!

O Despertar dos Justos (e dos Atrasados) no Piratini
Ah, o planejamento estatal gaúcho! Aquela máquina que funciona com a precisão de um relógio comprado na pressa no camelô da esquina.
A foto da semana no Palácio Piratini é de uma beleza plástica irretocável: ar condicionado no ponto, laptops de última geração brilhando, painéis eletrônicos dignos da NASA e aquele tradicional cafezinho expresso que custa mais do que a hora de trabalho de um servidor do baixo clero. Tudo isso sob o pretexto de anunciar: “Governo prepara municípios para enfrentar novo El Niño”.
Como diz o ditado: antes tarde do que nunca!
O único detalhe é que o El Niño não é um primo que aparece de surpresa no churrasco; é mais como aquela tia que manda mensagem meses antes, liga na véspera, envia a localização em tempo real e, mesmo assim, quando ela chega, o anfitrião ainda está de pijama decidindo o cardápio.
O Rio Grande do Sul é o campeão absoluto na categoria “gestão de slides”. Se o combate às enchentes dependesse da paleta de cores dos infográficos da Defesa Civil, o estado seria mais seco que o Deserto do Saara. Agora, o Piratini promete “encontros regionalizados” para entregar uma “análise técnica individualizada” às prefeituras.
Traduzindo do politiquês: o Estado vai gastar combustível e diárias para enviar um técnico ao interior com o objetivo de entregar um papel dizendo ao prefeito que aquela rua que alaga desde 1982 corre o risco de… alagar de novo se chover. Um choque de ciência palaciana para o gestor local que passou a última enchente com a água no peito ajudando a carregar o sofá dos munícipes.
Planejar ações preventivas quando o satélite já mostra a tempestade na fronteira é quase um esporte radical. Esperamos que desta vez as iniciativas saiam logo das telas de LED do Palácio e cheguem às valas, bueiros e encostas antes que o céu desabe novamente. Caso contrário, a única coisa que vai restar reconstruir será a paciência do eleitor gaúcho.
Até lá, seguimos acompanhando as reuniões. Pelo menos o café deles parece ótimo.
Picotando a Política: Porque se a gente não rir do planejamento deles, a gente chora com o resultado.









