A POLÊMICA SÓ AUMENTA | Terceiro elemento entra na disputa sobre proibição de rodeios em Canoas com proposta de blindagem jurídica para o laço

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Protocolado pelo vereador Aloísio Bamberg (PSDB), projeto de lei busca declarar a “Prova de Laço” como Patrimônio Cultural Imaterial, criando um novo fato político em meio ao embate entre defensores da causa animal e tradicionalistas.

O cenário político e cultural de Canoas transformou-se em um verdadeiro campo de batalha ideológico nas últimas semanas. O protocolo de um novo Projeto de Lei na Câmara Municipal, de autoria do vereador Cris Moraes (PV), que visa proibir a realização de rodeios e quaisquer provas que envolvam animais na cidade, acendeu o estopim de um confronto anunciado.

De um lado, defensores da causa animal exigem o fim imediato das práticas campeiras; de outro, entidades tradicionalistas e parlamentares defensores da cultura gaúcha prometem uma mobilização sem precedentes para derrubar a proposta.

Essa forte polarização ganhou um capítulo especial de debate civilizado e em alto nível no 26º AldeiaCast. Gravado na sede da CICS Canoas e mediado por Marco Leite e Rodrigo Becker, o programa colocou frente a frente as duas principais vozes dessa disputa: o proponente do projeto de proibição, Cris Moraes, e o líder da bancada tradicionalista, Dario Silveira (União Brasil).

No entanto, o tabuleiro político ganhou um novo e decisivo lance. No dia 10 de junho de 2026, o vereador Aloísio Bamberg, líder da bancada do PSDB, protocolou o Projeto de Lei Legislativo nº 000067/2026. A proposta de Bamberg estabelece uma “terceira via” estratégica: declarar a “Prova de Laço” como bem integrante do Patrimônio Cultural Imaterial do Município de Canoas, blindando juridicamente a prática contra tentativas de proibição.

O Projeto da Discórdia: O que propõe Cris Moraes?

Protocolada na sexta-feira, 5 de junho de 2026, a proposta de Cris Moraes proíbe de forma ampla a realização de rodeios e eventos similares no município. O texto é detalhado e mira diretamente práticas tradicionais do ecossistema gaúcho.

Segundo o Artigo 2 do projeto de lei de Moraes, passam a ser proibidas por serem consideradas práticas de tortura, perseguição ou maus-tratos:

Moraes sustenta que “cultura não promove tortura” e argumenta que a essência da identidade gaúcha reside na música, na culinária, na vestimenta e na dança, e não no sofrimento de seres sencientes. Para fundamentar a urgência da lei, a justificativa oficial do projeto cita episódios locais recentes, como a necessidade de eutanásia de um cavalo ferido em abril de 2026 e a divulgação de vídeos que registraram bois sendo açoitados no próprio Parque Eduardo Gomes.

A cartada de Aloísio Bamberg: Blindagem através do Patrimônio Cultural

É neste cenário de extrema polarização que a iniciativa de Aloísio Bamberg (PSDB) se torna um elemento crucial. Ao propor o PL nº  000067/2026, Bamberg não foca na oposição direta e retórica ao colega do PV, mas sim na construção de um arcabouço legal que neutralize a proibição.

Na justificativa de sua proposta, Bamberg evoca a história profunda do Rio Grande do Sul, pontuando que a Prova de Laço é uma evolução direta das lides campeiras essenciais para a formação econômica e social gaúcha. Além disso, o vereador busca sustentação em legislações federais e na própria Constituição Federal para legitimar seu projeto:

A Emenda Constitucional: Bamberg cita a Emenda Constitucional nº 96, de 6 de junho de 2017, que acrescentou o 7 ao artigo 225 da Constituição Federal. O texto constitucional determina que não se consideram cruéis as práticas desportivas que utilizem animais quando constituírem manifestações culturais registradas como patrimônio cultural imaterial, contanto que haja regulamentação que assegure o bem-estar animal.

A Legislação Federal: O parlamentar apoia-se também na Lei Federal Nº 3.364/2016 (que eleva o rodeio e a vaquejada a patrimônio cultural do Brasil) e na Lei Federal Nº  10.519/2002 (que dita as normas de fiscalização e proteção sanitária e de bem-estar nos rodeios).

Desta forma, o projeto de Bamberg estabelece no Artigo 4 –  que a Prova de Laço em Canoas deverá seguir rigidamente as normas federais e estaduais de proteção animal, garantindo a preservação da prática sob o manto protetor da cultura e da lei nacional.

“O presente Projeto de Lei possui caráter eminentemente cultural e declaratório, não gerando despesas obrigatórias ao Poder Executivo Municipal”, defende Bamberg no texto, buscando facilitar a tramitação do projeto ao demonstrar que não há impacto fiscal para os cofres públicos de Canoas.

Confronto de Gigantes: Tradicionalismo vs. Causa Animal ganha contornos jurídicos

A entrada de Bamberg no debate muda radicalmente o tom das discussões nos bastidores da Câmara de Vereadores. O que antes era um embate estritamente ético e emocional — focado na contraposição entre “bem-estar animal” e “tradição gaúcha” — agora passa a ser também uma complexa disputa de competência legislativa e de interpretação constitucional.

Se a proposta de Bamberg for aprovada antes ou em conjunto com a de Cris Moraes, criará um paradoxo jurídico local: como proibir uma atividade que a própria legislação do município declara formalmente como seu “Patrimônio Cultural Imaterial”?

A expectativa nos bastidores da Câmara Municipal é de que as galerias fiquem completamente lotadas nas próximas semanas, à medida que ambos os projetos comecem a tramitar pelas comissões temáticas. A repercussão do caso já mobilizou as mais de 70 entidades tradicionalistas sediadas em Canoas e ativistas de direitos dos animais de toda a Região Metropolitana, prometendo forte pressão política sobre os vereadores.

Com posições radicalmente opostas, argumentos de forte apelo popular e, agora, uma intrincada batalha de projetos de lei, a tramitação promete ser uma das mais ruidosas, polarizadas e acompanhadas da história recente do legislativo canoense.

Mossini e a ideia dos “RoBois”

Por Rodrigo Schmitt

E lá vem o Dr. Mossini, nosso pré-candidato a DeputadoFederal, gineteando na polêmica do rodeio em Canoas. Inovador do campo, propôs a solução mais inusitada desde a invenção do chimarrão sem erva! Agora, em vez de bois reais, teremos os “RoBois”, a nova sensação das provas de laço.

Imagina a cena: gaúchos, devidamente paramentados, no lombo dos cavalos, tentando laçar máquinas que não precisam de pasto! Adeus, sofrimento animal, olá tecnologia! O único problema é que, com essa inovação, a próxima competição pode acabar em um curto-circuito e, convenhamos, até o boi mecânico vai querer sair correndo!

Se a tradição não morrer, pelo menos vai entrar no próximo século com estilo. Estou aguardando o grande momento em que o gaúcho, após laçar e derrubar o “RoBoi”, vai pealo, aplicando o nó de maneia nas suas rodas voltadas para o alto!

 

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