Canoas marca presença em congresso sobre cidades inteligentes na Espanha

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Participação em evento mundial em Barcelona amplia conexões para intercâmbio de experiências em planejamento urbano, inovação, governança e gestão pública.

A Prefeitura de Canoas marcou presença no Smart City Expo World Congress 2026, realizado de 3 a 5 de novembro, em Barcelona, na Espanha. Um dos principais encontros mundiais sobre cidades inteligentes, o evento reuniu gestores públicos, organismos internacionais e empresas de tecnologia para debater o futuro do planejamento, da governança e da gestão urbana.

O Município foi representado pela secretária-adjunta de Projetos e Captação de Recursos, Jerusa Mattos e pelo secretário de Transparência, Controladoria e Governo Digital, Gustavo Ferenci. Entre os principais temas discutidos no evento, estiveram o planejamento urbano inteligente e sustentável, a transparência e o compliance públicos, a segurança de dados e o uso da inteligência artificial na gestão das cidades.

O congresso também apresentou experiências de governança metropolitana, como a de Tóquio, e soluções para resiliência e adaptação climática, habitação, mobilidade urbana, segurança pública, mitigação dos impactos de eventos climáticos severos e monitoramento urbano. Entre as tecnologias apresentadas estiveram sensores integrados a redes IoT e gêmeos digitais, em um ecossistema que reúne empresas como Google, Dell e Microsoft.

Durante painéis e reuniões institucionais, os representantes de Canoas trocaram experiências com gestores e representantes de Barcelona e sua região metropolitana, Madri, Praga, Santiago, Puebla, Helsinque, Tóquio, Hanôver, Toronto e cidades do Uruguai, além de institutos e agências parceiras. A agenda incluiu ainda contatos com representantes da Organização das Nações Unidas (ONU), de associações de municípios de Barcelona e da Catalunha e de entidades ligadas à transparência, integridade e controle de governos e órgãos públicos.

Segundo o secretário de Transparência, Controladoria e Governo Digital, Gustavo Ferenci, a aproximação com a região metropolitana de Barcelona abre perspectivas de cooperação também para os municípios da Grande Porto Alegre. “Junto com a Associação dos Municípios da Região Metropolitana de Porto Alegre (Granpal), criamos uma ponte importante com atores públicos dos municípios metropolitanos de Barcelona para, em um futuro próximo, realizarmos um intercâmbio de experiências práticas. Apesar de estarmos em dois continentes separados por um oceano, alguns problemas são semelhantes. Então, talvez, algumas soluções também sejam”, destaca.

Para a secretária-adjunta de Projetos e Captação de Recursos, Jerusa Mattos, o intercâmbio internacional representa uma oportunidade de incorporar experiências inovadoras ao planejamento urbano de Canoas, especialmente diante dos desafios climáticos. “As trocas de experiências promovidas no Smart City Expo World Congress permitem trazer soluções de planejamento urbano inteligente e sustentável, adaptando as boas práticas globais à realidade local, especialmente diante da urgência da adaptação climática. Os modelos globais de governança e gestão urbana preventiva podem preparar a cidade para o amanhã, garantindo a proteção das pessoas e oferecendo serviços públicos mais eficientes, ágeis e conectados com as necessidades reais da população”.

Entenda o assunto: Afinal, o que é uma Cidade Inteligente?

Embora o termo Smart City (Cidade Inteligente) remeta imediatamente a cenários futuristas e alta tecnologia, o conceito vai muito além de computadores e internet. Uma cidade inteligente é aquela que utiliza a tecnologia e a análise de dados como ferramentas para melhorar a qualidade de vida dos cidadãos, otimizar recursos e promover o desenvolvimento sustentável.

Em vez de focar apenas na tecnologia pela tecnologia, esses modelos urbanos buscam resolver problemas crônicos do dia a dia — como congestionamentos, desperdício de energia, ineficiência na saúde pública e, principalmente, a vulnerabilidade a desastres naturais.

Para que uma cidade receba esse “selo” de inteligência, ela geralmente atua sobre quatro pilares fundamentais:

  • Internet das Coisas (IoT) e Sensores: São a base da captação de dados. Cidades inteligentes espalham sensores por toda a infraestrutura urbana (bueiros, semáforos, postes de luz, lixeiras e rios). Esses sensores enviam informações em tempo real para uma central de comando.
  • Gêmeos Digitais (Digital Twins): Como citado no congresso de Barcelona, trata-se de criar uma réplica virtual exata da cidade. Com o uso de Inteligência Artificial, os gestores podem simular cenários — por exemplo: “O que acontece com o trânsito se fecharmos esta avenida principal?” ou “Qual será o impacto exato se o nível do rio subir 3 metros?”.
  • Resiliência e Adaptação Climática: Este é, hoje, o fator de maior urgência global. Cidades inteligentes utilizam tecnologia para antecipar eventos climáticos extremos. Sistemas de alerta precoce e infraestruturas que se adaptam rapidamente são projetados para proteger a população e mitigar danos estruturais em casos de enchentes, ondas de calor ou tempestades severas.
  • Governança Digital e Participação Cidadã: A administração pública torna-se transparente e acessível na palma da mão. O cidadão pode solicitar serviços, reportar problemas (como buracos na via ou focos de dengue) e acompanhar a execução do orçamento municipal por meio de aplicativos integrados.

Como isso funciona na prática? Na própria cidade de Barcelona, referência global no assunto, a iluminação pública é equipada com sensores de movimento que reduzem a intensidade da luz quando não há pedestres, economizando milhões em energia. Em Tóquio, sistemas integrados de sensores sísmicos e meteorológicos param trens instantaneamente e enviam alertas unificados para os celulares da população antes que um desastre atinja seu pico.

Para a realidade do Brasil, e especificamente da Região Metropolitana de Porto Alegre, a adoção dessas tecnologias deixou de ser um luxo de modernização e passou a ser uma questão de sobrevivência e reconstrução. A busca por essas parcerias internacionais indica um movimento estratégico de Canoas para transformar os dados e as novas tecnologias em um escudo protetor para a cidade, garantindo um planejamento urbano que previna crises e ofereça uma resposta rápida e eficiente às demandas de seus moradores.

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