MEMORIAL DO RECOMEÇO | O Tributo de Nova Santa Rita aos que se foram e a promessa de vidas salvas no novo viaduto da BR-386

Clique para ouvir esta notícia

A inauguração da nova estrutura no KM 434, na próxima segunda-feira (29), põe fim a décadas de medo e homenageia a memória das vítimas da antiga “Estrada da Morte”. A cidade agradece.

Há marcas no asfalto que o tempo não apaga da memória de quem vive na Região Metropolitana de Porto Alegre. Para os moradores de Canoas e Nova Santa Rita, cruzar a BR-386 — a histórica Tabaí-Canoas — por décadas significou conviver com um nó na garganta. O que nasceu nos anos 1970 como a promissora “Rodovia da Produção” acabou convertendo-se, pelo descaso e pelo crescimento acelerado, em um dos cenários mais trágicos do Rio Grande do Sul: a temida “Estrada da Morte”.

Na próxima segunda-feira, 29 de junho, um novo capítulo de segurança e dignidade começará a ser escrito definitivamente. A partir das 10h, a liberação do novo viaduto localizado no KM 434 (Sanga Funda) não será apenas uma entrega de engenharia asfáltica. Será, acima de tudo, um tributo solene àqueles cujas vidas foram ceifadas na travessia dessa pista, e um escudo de proteção para as futuras gerações. Nova Santa Rita, hoje, respira aliviada e agradece.

O passado de sombras: cicatrizes da “Estrada da Morte”

Para compreender a magnitude da conquista que o novo viaduto representa, é preciso olhar para o retrovisor da história. Inaugurada oficialmente em 1972, a BR-386 tinha como missão principal escoar a riqueza do agronegócio e da indústria do norte e noroeste do estado em direção à capital e ao Porto de Rio Grande.

Contudo, nas décadas de 1980, 1990 e início dos anos 2000, a combinação de pista simples, fluxo intenso de carretas bitrens e a total ausência de barreiras físicas transformou o trecho de 66 quilômetros entre Canoas e Tabaí em uma armadilha diária. Quem precisava cruzar a rodovia a pé, de bicicleta ou fazer conversões para acessar os bairros de Nova Santa Rita enfrentava diariamente uma roleta-russa viária.

As colisões frontais causadas por ultrapassagens desesperadas e os atropelamentos nos acessos urbanos destruíram famílias inteiras. Cada cruzamento ao nível era uma promessa de perigo. O medo era um passageiro constante em cada viagem curta.

A duplicação e a agonia da espera

A mobilização da comunidade, impulsionada pela dor de dezenas de famílias e pela liderança política local, transformou a duplicação da rodovia em uma bandeira histórica de sobrevivência. Entregue pelo DNIT antes de 2010, a duplicação e a instalação de barreiras centrais de concreto (New Jersey) praticamente erradicaram as violentas colisões frontais.

No entanto, com a emancipação e o forte crescimento econômico e urbano de Nova Santa Rita — que se consolidou como um dos maiores polos logísticos do estado —, um novo problema se acentuou: os conflitos de tráfego local. Cruzar as pistas duplicadas para acessar o centro ou os bairros periféricos continuou exigindo manobras arriscadas. O tempo de espera e o risco de colisões laterais graves persistiram, mantendo viva a urgência de uma solução definitiva.

O novo viaduto do KM 434: engenharia a serviço da vida

A concessão da rodovia para a CCR ViaSul em 2019 redirecionou os esforços para a segurança urbana. A construção de viadutos e passarelas passou a ser tratada como prioridade máxima pela Administração Municipal de Nova Santa Rita, em exaustivas rodadas de negociação junto à concessionária e à Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).

A entrega da estrutura no KM 434 (Sanga Funda), no entroncamento com a Rua Doutor Lourenço Záccaro, elimina de uma vez por todas o cruzamento ao nível. A partir de segunda-feira, os motoristas farão retornos e acessos segregadamente, de forma fluida e totalmente segura.

Para o prefeito de Nova Santa Rita, Rodrigo Battistella, este momento simboliza coroar um esforço coletivo e incansável:

“Na segunda-feira, iremos celebrar a realização de um sonho de muitos anos da nossa comunidade. Foram inúmeras reuniões, cobranças e articulações para que essa obra saísse do papel. Infelizmente, muitas vidas foram perdidas neste trecho da BR-386 ao longo dos anos, e isso sempre reforçou a urgência dessa intervenção. Agora começamos a entregar uma solução definitiva, garantindo mais segurança para os moradores, melhorando a mobilidade e proporcionando um trânsito mais organizado para todos que utilizam a rodovia. Essa é uma conquista de Nova Santa Rita.”

Um tributo ao passado, uma promessa para o futuro

Lembrar as dificuldades do passado da BR-386 não serve para reabrir feridas, mas para honrar a memória dos que partiram e valorizar o valor imensurável da vida. Cada pilar de concreto do novo viaduto carrega consigo o suor de anos de reivindicações e a lembrança silenciosa daqueles que não puderam ver este dia chegar.

Ao mesmo tempo, a estrutura erguida no KM 434 projeta um futuro promissor e seguro para os trabalhadores do polo logístico, para os estudantes, para os caminhoneiros e para as famílias que cruzam a rodovia diariamente. A modernização viária prova que o desenvolvimento econômico só é real se andar de mãos dadas com a preservação da vida humana.

A comunidade de Nova Santa Rita comemora este marco histórico com o coração cheio de esperança. A cidade agradece.

SERVIÇO

  • O quê: Entrega e Liberação do Novo Viaduto do KM 434 na BR-386 (Sanga Funda)
  • Quando: segunda-feira, 29 de junho, com cerimônia de liberação a partir das 9h (liberação oficial do tráfego às 10h)
  • Onde: Entroncamento da Rua Doutor Lourenço Záccaro com a BR-386 (em frente à Agropecuária Guabi), Centro – Nova Santa Rita/RS

 

 

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

error: Content is protected !!
Lorem ipsum dolor sit amet, consectetur adipiscing elit, sed do eiusmod tempor incididunt ut labore et dolore