A transparência das ações municipais ganhará em breve um novo capítulo: após o sucesso do itinerário pelas obras do cinturão de proteção, uma próxima visita com a comunidade já está previamente agendada pelo prefeito Airton Souza para acompanhar de perto a reconstrução do Hospital de Pronto Socorro de Canoas (HPSC). A iniciativa consolida um modelo de gestão que aposta no olho no olho com o cidadão.
Na tradição bíblica e no imaginário popular, a figura do apóstolo São Tomé ficou marcada pelo ceticismo de quem precisava ver as marcas e tocar na ferida para aceitar a realidade. Em Canoas, porém, a necessidade coletiva de “ver para crer” nunca foi sobre dúvida ou falta de amor pela cidade; é sobre a urgência de curar um trauma profundo. Quem viveu o pesadelo de maio de 2024 sabe o peso sufocante que o barulho de uma chuva forte ainda exerce sobre o peito. Por isso, no último sábado, quando dois ônibus partiram levando cerca de 120 canoenses para uma imersão de quatro horas no coração do sistema de defesa do município, o que se presenciou não foi apenas uma vistoria técnica: foi um ato comunitário de reconquista da tranquilidade.
A mobilização chamou atenção desde o início: a prefeitura abriu originalmente 70 vagas para a comunidade, mas a procura foi tão expressiva que a adesão superou a marca de uma centena de moradores. Todos queriam entender de perto a complexidade do que está sendo feito.
O percurso — uma iniciativa liderada pelo prefeito Airton Souza e pelo vice-prefeito Rodrigo Busato, acompanhados por secretários municipais, engenheiros e técnicos — provou que a melhor resposta à ansiedade é a transparência. Ao longo da tarde, a população não ficou contida a discursos formais de gabinete ou a apresentações em slides. Pelo contrário: os moradores desceram dos coletivos, pisaram na terra batida dos diques, sentiram a solidez sob os sapatos e conversaram olho no olho com as autoridades e especialistas encarregados de proteger suas vidas e patrimônios.
Durante quatro horas intensas, o comboio percorreu as principais frentes de trabalho do cinturão de proteção da cidade. No Dique do Mathias Velho e na Casa de Bombas nº 7, a emoção de ver a recomposição de cotas e o reforço do solo na região mais devastada pelas cheias era visível no rosto de cada participante. A previsão de entrega da obra entre outubro e novembro não representa meramente um prazo em cronograma físico; é uma contagem regressiva para o alívio de milhares de lares.

Ali perto, estruturas já finalizadas, como o Muro da Cassol, serviram de prova concreta de que o plano está saindo do papel para a operação real. Os engenheiros explicaram em detalhes como as estruturas foram concebidas e deram garantias técnicas sobre a capacidade das novas barreiras nos trechos onde os diques haviam cedido em 2024.
O roteiro também abordou o funcionamento das casas de bombas, peça-chave do sistema hidrogeológico. Os moradores aprenderam como a reforma das 8 unidades existentes e a construção de 2 novas casas no Mato Grande vão transformar o escoamento urbano, com a substituição por bombas submersíveis e a elevação estratégica dos painéis elétricos para evitar o desabastecimento de energia em crises.
A comitiva conferiu ainda a contenção no trecho do Arroio Araçá e as obras nos Diques do Rio Branco e Mato Grande, além das explicações da futura elevação de cota na Avenida Guilherme Schell junto ao Rio Gravataí. Ponto fundamental do trajeto foi a explicação das obras de contenção e proteção ao Trensurb, essenciais para impedir que o sistema de trens volte a parar, resguardando o direito sagrado de ir e vir dos trabalhadores. Durante as explicações, também foi pontuada a articulação para o Pôlder do Bairro São Luiz, obra sob responsabilidade do Governo do Estado que se soma ao plano geral de R$ 500 milhões em investimentos.

Entre um ponto e outro, o diálogo foi aberto e sem intermediários. Moradores perguntaram, apontaram dúvidas e exigiram esclarecimentos — e encontraram técnicos prontos para detalhar os cálculos e decisões de engenharia.
O prefeito Airton Souza sintetizou o propósito da visita ao ressaltar a importância do trabalho contínuo e do combate às fakenews de momentos de crise:
“O nosso objetivo é que as pessoas venham para cá e vejam com seus próprios olhos o que está sendo feito, para tirar suas dúvidas. Nós não queremos as pessoas aflitas e preocupadas. Vindo aqui, elas ajudam a transmitir para a comunidade que as obras estão sendo feitas com muita responsabilidade, com os engenheiros fazendo a assessoria constantemente. Vocês veem aqui: em pleno sábado estamos trabalhando porque, durante a semana, não deu para trabalhar por causa da chuva. O objetivo mesmo é deixar a população informada. Em dia de chuva, quando se avizinha a chuva, vem muita gente fazer vídeo inventando coisas sem conhecimento técnico, e aí acabam assustando a população que já está traumatizada por causa dos eventos de maio de 2024. Então a ideia é essa: transparência total.”

Airton fez questão de destacar também o investimento com recursos próprios do município no Dique do Mato Grande, uma área que necessitava de cobertura urgente:
“Essa obra, do dique da Mathias Velho, é a próxima a ficar pronta. Nós estamos projetando para concluí-la ali em outubro. Em novembro é certo que vai estar pronta. Se o tempo colaborar e não tiver muita chuva, vamos entregar em outubro. A do Mato Grande, nós estamos fazendo com recursos próprios do município. Já investimos lá R$ 26 milhões. Esse valor poderia estar sendo investido para recuperar praças e as próprias ruas, mas nós priorizamos a proteção. Como o bairro Mato Grande estava totalmente descoberto, resolvemos fazer, mesmo não tendo aporte do Governo Federal nem do Governo do Estado para aquela obra específica. Saliento que, nas outras obras, há recursos federais e estaduais. Mas na do Mato Grande, optamos por fazer por conta própria porque entendemos que a proteção vem em primeiro lugar.”
A relevância dessa proximidade com o cidadão foi ratificada pelo vice-prefeito Rodrigo Busato, que celebrou a expressiva participação comunitária e fez um apelo responsável sobre a busca por fontes confiáveis de informação:
“O cidadão tem que acreditar no nosso trabalho, por isso que nós viemos aqui. Mostrar para quem quisesse. Nós abrimos a inscrição para 70 pessoas e acabaram vindo mais de 100 pessoas, o que realmente demonstra que a população quer se informar. Agradeço também aos meios de comunicação que estão aqui, pois vocês também são portadores de boas notícias. Existe o público de vocês que quer ser informado, e acho que esse dia é muito proveitoso. Agradeço muito à imprensa por ter ajudado a tranquilizar a nossa comunidade. E eu sempre digo: busque informação nas redes oficiais da prefeitura ou na imprensa de credibilidade.”

Ao fim do itinerário e com a parada final na moderna sede da Defesa Civil — onde foi apresentado o sistema de monitoramento preventivo e gestão de emergências —, a sensação entre os presentes era de uma esperança sólida e pautada em fatos.
É evidente que o desafio climático exige trabalho permanente e que a execução do plano global de investimentos requer tempo. No entanto, é inegável que Canoas se posiciona hoje como a cidade mais avançada do Rio Grande do Sul na implementação de suas obras de proteção hidrogeológica.
Canoas não é a mesma de maio de 2024. Está incomparavelmente mais forte, mais equipada e tecnicamente preparada. No sábado do “ver para crer”, sem precisar da dúvida de São Tomé, a comunidade canoense viu, pisou e atestou: a cidade está construindo, com transparência e responsabilidade, o escudo que garantirá o seu futuro.

O Cinturão de Proteção: R$ 500 milhões em investimentos estruturais
A pauta de prevenção a desastres climáticos lidera as prioridades do município junto aos governos estadual e federal. Canoas tornou-se um grande canteiro de obras hidráulicas, sustentado por um plano abrangente de R$ 500 milhões em investimentos.
Abaixo, confira o panorama das frentes de atuação em andamento na cidade:
| Frente de Atuação | Principais Ações e Trechos | Status / Objetivo |
| Dique Mathias Velho | Recomposição de cotas e reforço do solo | Recuperação estrutural do setor mais atingido (Entrega prevista: Out/Nov) |
| Dique Rio Branco / Fátima | Elevação de barreiras e Muro da Cassol | Proteção da faixa periférica ao longo do Rio Gravataí e BR-448 (Muro concluído) |
| Dique Mato Grande | Construção e contenção no trecho do Arroio Araçá | Cobertura e blindagem do setor oeste da cidade |
| Casas de Bombas | Reforma de 8 unidades existentes + 2 novas em Mato Grande | Substituição por bombas submersíveis e elevação de painéis elétricos |
Além dos recursos próprios aplicados diretamente pelo município, a administração municipal mantém articulação contínua para assegurar o fluxo de verbas federais e estaduais — necessárias para a execução de projetos estratégicos, como o pôlder do bairro São Luiz (sob responsabilidade do Governo do Estado) e o projeto de ampliação da rede de drenagem urbana rápida.








Uma Resposta
Importante os esclarecimentos e que todos possam ver de perto q evolução das obras, entendo a complexidade envolvida.