Evento inova ao incorporar a 1.ª Feira Internacional Lusófona do Livro, homenageia Mário Quintana e escolhe São Leopoldo como cidade destaque.
Em ato oficial marcado por homenagens e anúncios de inovação cultural, a Prefeitura de Canoas apresentou a programação da 41.ª Feira do Livro de Canoas. A edição deste ano traz como grande novidade a integração da 1.ª Feira Internacional Lusófona do Livro, iniciativa que ampliará as fronteiras do evento com a presença de escritores e artistas de países de língua portuguesa, como Moçambique, Cabo Verde, Angola e Portugal.
Realizado na Praça da Bandeira, o evento deste ano projeta dobrar de tamanho e reforçar o protagonismo cultural do município no Rio Grande do Sul.

“Elevar a régua”: o compromisso com a excelência cultural
Durante o ato de lançamento, o Secretário Municipal de Cultura, Caio Flavio, enfatizou o caráter ambicioso desta edição e a visão estratégica de posicionar Canoas no centro do debate cultural do estado e do país:
“Precisamos subir a nossa régua. Canoas é muito, e nós precisamos ocupar o nosso espaço dentro do Rio Grande do Sul. Todas as nossas atividades têm que ter excelência. Fui a Moçambique no início do ano e pensei: ‘vamos abrir a caixinha, vamos trazer os escritores lusófonos para Canoas’. Criar esse espaço internacional para acolher esses autores vai ser sensacional”, declarou o Secretário.

Passagem de bastão e patronato de Vitor Ramil
Um dos momentos marcantes da solenidade foi a passagem do bastão de patrono. O escritor Chico Neto, patrono da edição anterior, anunciou o músico, compositor e escritor Vitor Ramil como o novo patrono da 41.ª edição.
Ao aceitar o convite, Ramil expressou emoção ao destacar a conexão do evento com sua trajetória pessoal e artística:
“Estou muito feliz e honrado com o convite. A feira será um encontro com muitos campos da arte, incluindo literatura, música, ciência e educação. Além disso, fico muito comovido pela homenagem a Mário Quintana, o primeiro poeta adulto que li, ainda aos 11 anos de idade, e que foi fundamental para minha formação”, declarou Ramil.
Beth Colombo exalta a trajetória da Feira e memória cultural de Canoas
Em pronunciamento marcado pelo resgate de memórias e celebração da cultura local, a secretária de Educação de Canoas, Beth Colombo, destacou a importância histórica da Feira do Livro do município e prestou homenagens a figuras marcantes da comunidade.
Acompanhada pelo prefeito em exercício, Rodrigo Busato, além de secretários municipais e representantes da Casa dos Poetas, a secretária enfatizou o papel transformador da leitura e a longevidade do evento literário.
“É uma satisfação estar aqui ao lado do prefeito em exercício, Rodrigo Busato, dos nossos secretários e das lideranças culturais da nossa cidade. Faço uma menção carinhosa à memória do querido Jesus Pfeil, figura inesquecível da nossa convivência diária no calçadão e exemplo de carinho com a comunidade e com sua esposa, nossa colega Leda. Como educadora concursada da rede desde 1982, acompanhar a trajetória da Feira do Livro é rever a própria história dos nossos alunos e professores. Este evento é o momento cultural mais importante de Canoas porque é vivo: ele acontece no olhar curioso dos alunos, na leitura dos nossos poetas e no fortalecimento diário da nossa educação. Que venha a 41.ª Feira do Livro para nos inspirar mais uma vez”, finalizou a secretária.
Rodrigo Busato exaltou o trabalho da cultura e a homenagem a Jesus Pfeil
Em sua fala, o prefeito em exercício, Rodrigo Busato, fez questão de lembrar o momento de reconstrução da cidade e a importância da cultura para isso acontecer.
“É uma grande alegria estarmos reunidos para dar início aos trabalhos da nossa 41.ª Feira do Livro de Canoas. Quero deixar minha saudação e o meu agradecimento a cada trabalhador da cultura, à equipe técnica e a todos que se dedicam para fazer esse grande evento acontecer. Neste momento de reconstrução que Canoas vive após as enchentes, incentivar a cultura é fundamental: a cultura e o esporte são prevenção, são saúde para a mente e trazem o acolhimento de que a nossa população precisa. Esta edição é ainda mais especial por prestar uma homenagem muito justa ao legado do nosso querido pesquisador e memorialista Jesus Pfeil, um homem apaixonado pela história da nossa cidade e que tanto contribuiu para a nossa memória cultural. Meu abraço carinhoso a todos os seus familiares. Desejo um excelente evento aos autores, organizadores e leitores. Que a nossa 41.ª Feira do Livro seja, mais uma vez, um grande e inesquecível sucesso”, finalizou Rodrigo.

Mário Quintana e São Leopoldo em destaque
O mestre da poesia gaúcha, Mário Quintana, é o grande escritor homenageado desta edição. Para celebrar o legado do poeta, a organização lançará uma intervenção urbana interativa: espalhados por diversos pontos de Canoas, leitores encontrarão QR Codes que darão acesso a áudios e vídeos de moradores recitando poemas de Quintana, além da programação completa da feira.
A feira também mantém a tradição de prestigiar municípios vizinhos. Após Alvorada ter sido a homenageada no ano passado, São Leopoldo assume o posto nesta 41.ª edição. A cidade trará ao evento uma participação efetiva, com destaque para a exibição de um documentário cultural produzido por artistas locais.

Outro papel tradicional renovado foi o de Xerife da Feira, exercido nesta edição pelo músico, produtor e agente cultural Inácio Longhi, responsável por acompanhar e abrilhantar diariamente as atividades na Praça da Bandeira.
Conexão com os países lusófonos
A criação da 1ª Feira Internacional Lusófona do Livro promete criar um canal direto de intercâmbio entre o Brasil e nações de língua portuguesa. O anúncio contou com saudações em vídeo de autores e intelectuais internacionais que marcarão presença no evento:
- Ailton Moreira (escritor e editor de Cabo Verde);
- Ângelo Mucuho (autor moçambicano do livro Labirintos da Nostalgia);
- Isidro Sanene (artista, escritor e contador de histórias angolano);
- Ezequiel Langa (pesquisador e docente universitário de Moçambique).
De acordo com a organização, a proposta busca integrar a comunidade lusófona por meio do “poder transformador da literatura, capaz de derrubar fronteiras geográficas e culturais”.
Programação e estrutura
A 41ª Feira do Livro de Canoas contará com uma grade de atrações diversa e gratuita para todas as idades, incluindo:
- Mais de 30 sessões de autógrafos com autores locais e internacionais;
- Mais de 40 atividades infantis, com contação de histórias e oficinas;
- Encontros universitários voltados a educadores e formadores de opinião;
- Palestras, oficinas literárias e apresentações artísticas diárias.
As atividades acontecem na Praça da Bandeira, no centro de Canoas, e a programação detalhada estará disponível nos canais oficiais da Prefeitura e nos pontos interativos distribuídos pela cidade.

Canoas eterniza o legado do cineasta e historiador Antonio Jesus Pfeil
Em cerimônia emocionante com a nomeação do auditório da Secretaria de Cultura em Espaço Antonio Jesus Pfeil, a neta Rafaela Pfeil destacou a trajetória autodidata, a paixão pela preservação audiovisual e o olhar afetuoso do realizador sobre a vida e a família.
Um dos nomes mais marcantes do cinema e da historiografia do Rio Grande do Sul agora dá nome a um novo espaço de celebração cultural em Canoas. Em solenidade promovida na cidade, autoridades, familiares e a comunidade cultural reuniram-se para homenagear o cineasta, pesquisador e preservador da memória audiovisual Antônio Jesus Pfeil (1939–2024).
Representando a família do homenageado, sua neta, Rafaela Longoni Pfeil Torres, subiu ao palco para um pronunciamento emocionante que entrelaçou o reconhecimento público do intelectual à simplicidade do convivente que marcou gerações da família.

Paixão pelo Cinema e Autodidatismo
Durante a solenidade, a abertura oficial ressaltou a relação visceral de Pfeil com Canoas, município no qual viveu a maior parte de sua vida e ao qual dedicou extensa atenção intelectual. Reconhecido como um dos pioneiros na preservação da história do cinema gaúcho e laureado ainda na década de 1970 com o prêmio Kikito no Festival de Cinema de Gramado, Pfeil havia sido o grande homenageado em vida da primeira edição do Festival de Cinema de Canoas, em 2023.
Em seu discurso, Rafaela Pfeil destacou o caráter autodidata e visceral do avô em relação ao conhecimento e à arte.
“Ele encontrou seu próprio caminho: fez das bibliotecas suas universidades, dos livros seus professores, da curiosidade sua ferramenta e da vida sua grande escola”, relatou a neta. “Para ele, pesquisar, escrever, descobrir e fazer cinema não era trabalho; era viver.”
Memória e Afetividade Cotidiana
Para além da dimensão acadêmica e cinematográfica, a fala resgatou o lado bem-humorado e afetuoso do realizador. Conhecido por caminhar pelas ruas centrais de Canoas assobiando e pela convivência carinhosa na residência apelidada por ele de “Casa das Sete Mulheres”, Pfeil deixou uma marca indelével naqueles com quem conviveu.
“Canoas não está apenas colocando um nome em um auditório; está reconhecendo a história de um homem que dedicou a vida toda a conhecer e preservar a nossa memória. Um homem que passou a vida contando histórias dos outros agora passa a fazer parte da história da sua própria cidade”, pontuou Rafaela.

Um Legado Vivo na Cultura Gaúcha
Falecido em 2024, Antônio Jesus Pfeil deixa um acervo fundamental para a compreensão das primeiras décadas da cinematografia no Estado, fruto de décadas de garimpo de filmes, documentos e memórias que hoje alimentam o patrimônio cultural gaúcho.
A dedicação do novo auditório consolida a permanente presença de Pfeil no ecossistema cultural do município, garantindo que as futuras gerações de estudantes, pesquisadores e frequentadores do espaço mantenham contato com sua trajetória.
“Enquanto houver alguém para lembrar, alguém para contar e alguém para sentir saudade, uma história nunca termina”, concluiu a neta, sob aplausos do público presente.
UM POUCO DO NOSSO ADORÁVEL VAGABUNDO
FOLHA DE CANOAS | Projeto Canoas Ano 2000, Anatomia de uma Cidade e o Faz de Conta








