O PT GAÚCHO | Das migalhas à submissão ao grande reino

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A política gaúcha assiste a um movimento que muitos na base chamam de “intervenção branca”. O recuo de Edegar Pretto em favor de Juliana Brizola (PDT) não é apenas uma mudança de nomes, mas uma alteração profunda na identidade do PT no Rio Grande do Sul.

A frase “das migalhas à submissão” resume o sentimento de parte da militância. Para o diretório nacional (Lula e Edinho Silva), o RS é uma peça no tabuleiro da reeleição presidencial. O PDT de Carlos Lupi exigiu a cabeça da chapa no Piratini como preço para manter a aliança nacional.

Edegar Pretto, que saiu de 2022 com um capital político de 1,7 milhão de votos e apenas 2.441 votos de distância do segundo turno, é o “soldado” que aceita a ordem, mas carrega o peso de uma militância ferida.

Lideranças como Olívio Dutra, Tarso Genro e Raul Pont encontram-se em uma “embretada” ética.

O desafio, como convencer o militante que gritava “Fora Leite” (a quem o PDT apoiou em diversos momentos) a pedir votos para Juliana Brizola?

A estratégia, os “caciques” focarão na tese da Unidade contra a Extrema-Direita. O argumento será que, dividida, a esquerda não chega ao segundo turno contra nomes como Luciano Zucco (PL). Para “juntar os pedaços”, o PT deve exigir a vaga ao Senado para Paulo Pimenta e a vice-governadoria (ou uma candidatura forte de Edegar à Câmara Federal) para garantir que o partido não desapareça da vitrine.

A militância e o “voto de cabresto” reversível

O maior risco é a braços cruzados. A militância petista gaúcha é historicamente ideológica e resistente a imposições de Brasília. Juliana Brizola terá que fazer um gesto forte à esquerda, como:

Assumir compromissos claros contra privatizações (especialmente o que resta do Banrisul). Incorporar o programa de governo que o PT vinha construindo com as “Caravanas da Esperança”.

Sem isso, o PT corre o risco de ver seus votos migrarem para o PSOL ou se transformarem em abstenção.

A Embretada Local

Em Canoas, a situação é ainda mais delicada. Após a derrota de 2024 (onde a chapa Jairo Jorge/PSD com Maria Eunice/PT não logrou êxito frente ao PL), o PT local tenta se reconstruir.

Canoas sempre foi um dos corações do PT no estado. A submissão à chapa do PDT pode esvaziar a influência petista na região metropolitana, onde a disputa com o bolsonarismo é feroz.

O PT Canoas deve focar em uma bancada legislativa forte (Estadual e Federal) para compensar a falta de protagonismo na chapa majoritária, mas somente Maria Eunice aprece como candidata a Assembleia Legislativa, os demais estarão apoiando candidatos de fora da Aldeia. Se a cúpula nacional “rifou” o governo do estado, a base local deverá exigir recursos e autonomia para manter suas estruturas municipais vivas visando 2028.

O PT gaúcho chega a 2026 menor do que seu tamanho real em votos, mas tentando provar que é o maior em responsabilidade política. O sucesso de Juliana Brizola dependerá menos de Brasília e mais da capacidade de Edegar Pretto em transformar sua frustração pessoal em combustível para a campanha de sua antiga colega de Assembleia.

Riscos no horizonte

O racha interno: Candidaturas avulsas de partidos menores da federação.

A “traição” da base: Militantes que apoiarão apenas a reeleição de Lula, ignorando o palanque estadual.

O esvaziamento do PDT: Se Juliana não decolar, o PT terá sacrificado seu melhor nome (Pretto) em nome de um projeto natimorto.

 

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