O centro é meu, é seu, é de todos nós. O centro é, por definição, o coração pulsante da nossa Aldeia Canoas. É por onde o sangue do comércio corre, onde os serviços dão ritmo à vida urbana e onde a nossa história insiste em respirar. Mas convenhamos: até quando um coração aguenta bater sem receber o devido cuidado? O diagnóstico atual é preocupante: o coração de Canoas está tendo uma arritmia severa por pura negligência médica dos órgãos executores.
Se a cidade é um corpo, o centro é o órgão vital que faz toda a engrenagem funcionar. E quem entende bem dessa anatomia urbana é o senhor Arno Engel e sua família. Há meio século, eles mantêm uma relação visceral com o coração da cidade. Foram eles que ergueram os grandes empreendimentos onde hoje muitos canoenses moram e constroem suas vidas. O próprio Conjunto Comercial Canoas — o primeiríssimo shopping aberto do Brasil — é a prova de que, para sobreviver, é preciso se reinventar. Ele pulsa, se renova e resiste. Mas por que a nossa administração pública não segue esse exemplo de vitalidade?
Olhem para as Taças da Corsan. Ali jaz um potencial turístico e de convivência desperdiçado. Que tal sairmos da inércia e transformarmos aquilo no Parque das Taças? Uma conexão inteligente entre a 15 de Janeiro e a Victor Barreto, abraçando a antiga Casa dos Rosas (hoje o Museu Hugo Simões Lagranha), que atualmente é um espaço nobilíssimo, mas tristemente subutilizado pela população. Ideia pronta, viável e bonita. Falta o quê? Vontade política.
Antes de desenharem castelos no ar, os “médicos” da nossa Aldeia precisam fazer o básico da zeladoria. O feijão com arroz que salva vidas! Falamos de pintar cordões, sinalizar vias e consertar passeios públicos que hoje funcionam como verdadeiras armadilhas para os nossos idosos. Quantos tombos ainda serão necessários para o básico ser feito?
Para se ter um coração saudável, a prevenção é o segredo. Mas o nosso centro está na UTI, respirando por aparelhos. Como explicar um buraco aberto há mais de 30 dias pela Corsan/Aegea na esquina da Fioravante Milanez com a Victor Barreto? Trinta dias! Em uma das esquinas mais movimentadas da cidade, diante dos olhos de todas as autoridades que fingem desentendimento enquanto o trânsito infarta.
O trem e a BR-116 já apertam o cerco e estrangulam nosso coração há décadas, mas ainda há tempo de curá-lo. Enquanto isso, o Executivo flerta e sonha acordado com um imponente Centro Administrativo ao lado do nosso icônico Avião da Praça. Nobre plano, senhores. Mas como querem construir um “cérebro” novo se as artérias que levam ao Paço Municipal estão entupidas de buracos? Primeiro a ponte de safena no asfalto, depois a cirurgia plástica do novo Centro Administrativo!
Fica aqui o recado para os donos do poder: nosso coração está doente. Ele precisa urgentemente de atendimento médico — ou melhor, de obras simples, dedicação real e menos promessas.
Não se esqueçam: o centro é meu, é seu, é de todos nós.
E se o coração parar, a cidade inteira falece junto. Pensem nisso.
Taças da Corsan | Um de nossos principais monumentos está restaurado
MOMENTO POÉTICO | Mário Quintana
O mapa
Olho o mapa da cidade
Como quem examinasse
A anatomia de um corpo…
(E nem que fosse o meu corpo!)
Sinto uma dor infinita
Das ruas de Porto Alegre
Onde jamais passarei…
Ha tanta esquina esquisita,
Tanta nuança de paredes,
Ha tanta moca bonita
Nas ruas que não andei
(E ha uma rua encantada
Que nem em sonhos sonhei…)
Quando eu for, um dia desses,
Poeira ou folha levada
No vento da madrugada,
Serei um pouco do nada
Invisível, delicioso
Que faz com que o teu ar
Pareça mais um olhar,
Suave mistério amoroso,
Cidade de meu andar
(Deste já tão longo andar!)
E talvez de meu repouso…









Uma Resposta
Um assunto q merece sim muita atenção de todos !! Por que não e possível que tenhamos um cidade sem CORAÇÃO !!! Quem sabe uma campanha , salve o centro , liderada por um conjunto de setores , SINDILOJAS, ACICS, CDL ???