JURISTA OPINA | A monotonia das campanhas políticas

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Começaram os “adesivaços”, as caminhadas, os “businassos”… toda aquela rotina enfadonha que irrita profundamente a maioria dos eleitores. Programas de governo não passam de meros livros de ficção científica, tão inúteis que há candidatos esquecendo de apresentar seu livro fictício, que é o básico em uma campanha. Imagine se forem eleitos, o que não esquecerão!

Há candidatos que nem a debates vão, até porque não existe grande mudança: com a radicalização da polarização, ninguém quer ouvir nada. Mesmo sem querer, seguimos ouvindo promessas vazias e ridículas, sem nenhum constrangimento de políticos sem qualquer capacidade de ocupar os cargos que estão pleiteando.

Em um programa de entrevistas, um candidato a deputado estadual no Rio Grande do Sul se dizia muito preocupado com questões de segurança pública. Eu questionei ao então pré-candidato, hoje candidato homologado, quais eram os projetos que ele pensava em propor, caso eleito. Ele começou a falar em alterações na Lei de Execução Penal, propondo questões inconstitucionais. Eu alertei ao entrevistado que ele estava concorrendo ao cargo errado, pois, para mexer na Constituição Federal, principalmente nas cláusulas pétreas, ele deveria concorrer a cargos em nível federal, não estadual, e que, para fazer tais mudanças, seria necessária uma nova Constituição.

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Ele insistiu que era possível e que queria que seu eleitorado soubesse suas intenções, pois “a política é uma escada” e ele pretendia voos mais altos. Ou seja, nem se sentou na cadeira de deputado estadual e já está de olho em uma posição mais alta. A conversa ficou no vazio; não apareceu mais nenhum projeto, e ele fugiu para a zona de conforto da polarização política.

Olhando mais para a nossa aldeia, vi a discussão sobre o fim dos rodeios em Canoas surgir com veemência, com os vereadores Dário e Cris Moraes se comprometendo a colher a opinião do povo na rua, onde fariam uma enquete em via pública. Não vi a tal enquete acontecer e nem vi a discussão avançar; parece que os rodeios não possuem mais o mesmo interesse, e o debate amornou.

Vi o ex-vereador Mossini propor o uso de “RoBoi”, ou seja, robôs simulando bois para os rodeios. Confesso que achei engraçado e comecei a devanear sobre o assunto; até escrevi um comentário aqui sobre o tema. Para a minha surpresa, no sábado passado, vi um story do vereador Dário onde os gaúchos treinavam o tiro de laço em “RoBois”.

Assim, vamos observando a política nesta “festa da democracia”, onde a maior parte do povo que se envolve ganha uma diária para sacudir bandeiras, entregar panfletos, adesivar carros… enfim, aproveitam este momento de “generosidade” da classe política para pegar um pouco do dinheiro dos fundões, que saem do fundo dos nossos bolsos vazios.

Nos últimos quatro pleitos municipais, pedi, em entrevistas com diversos candidatos e nas redes sociais, que algum pré-candidato a vereador (que não será escolhido nesta eleição) me trouxesse um único projeto de lei já escrito, pronto para ser protocolado, caso eleito. Nunca recebi nenhum. Apenas evasivas sem sentido, discursos sem conteúdo e promessas. Não vi nenhum pronto para o cargo, mas todos muito animados com a chance de mudar de vida com a disputa pelo cargo.

Fora da aldeia e de acordo com os cargos que serão disputados neste pleito, já tivemos, como deputado mais votado do Brasil, o Tiririca, e nesta eleição, eu não ficaria nada surpreso com a eleição do Caneta Azul. A população, em sua maioria, não acredita mais na classe política. Vão às urnas com o estômago embrulhado, escolhendo o que consideram menos pior ou por interesses pessoais.

Temos uma altíssima produção legislativa que serve muito bem para entupir esgotos (que, ao invés de serem limpos, provavelmente ficarão ainda mais entupidos com os santinhos dos nossos “santinhos”). Apesar de toda a dificuldade de achar algum candidato que realmente mereça o nosso voto, nossa obrigação é buscar. As pessoas que se informam sobre a política precisam participar.

Gosto muito de escrever colunas para o Aldeia, não apenas pelo numeroso prestígio, mas pela qualidade elevada de seus leitores. Sabemos que são essas pessoas que possuem a responsabilidade de liderar os caminhos políticos da nossa sociedade; portanto, a reflexão deste texto se faz tão válida.

Aos políticos, fica o meu conselho: sejam mais propositivos, mais realistas e menos barulhentos. Aos eleitores, sejam mais argutos, fiquem atentos e não desistam de procurar a exceção; foquem na busca de um bom nome para representar bem o seu voto, pois é raro, mas existe.

*O Autor é advogado, jornalista e articulista do Notícias da Aldeia Canoas

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