A quinta-feira costuma carregar o peso gostoso de quem já avista o final de semana no horizonte, mas para trinta jovens de Canoas, esta quinta-feira específica teve o cheiro exato de um ponto de virada.
Cruzando os portões do campus da UniRitter, trinta estudantes da rede pública, entre 15 e 18 anos, trouxeram mochilas carregadas de sonhos, cadernos e aquela expectativa silenciosa que precede as grandes viagens. A viagem deles, no entanto, não será para outro país, mas para dentro do futuro.
O cenário é a materialização de um pacto raro e bonito: a Prefeitura, a universidade e empresas do Parque Canoas de Inovação — como Exatron, Novus e FKS — uniram forças não para erguer paredes de concreto, mas pontes de conhecimento. Ali, sentados nas cadeiras da sala de aula, esses jovens deixam de ser apenas espectadores passivos do mundo digital para se tornarem os futuros arquitetos dele.
Até então, para muitos, a tecnologia era um vidro brilhante de celular na palma da mão, um feed infinito consumido por polegares ágeis. Mas o Jovem Tech propõe uma travessia fascinante: ir para o outro lado da tela. Nos próximos nove meses, o percurso será um mergulho gradual e corajoso. Começará no chão firme da inclusão digital, passando pelo pensamento computacional, pelos segredos do hardware e pela segurança cibernética, até desbravar universos mais complexos como Low Code, criação de jogos, algoritmos e a linguagem enigmática e poderosa do Python.
Em tempos em que a inteligência artificial dita o ritmo do mundo, ouvir o professor Rosalvo Miranda falar sobre “compreender o que está por trás dessas tecnologias” soa como um feitiço moderno. Não se trata apenas de aprender a programar linhas de código; trata-se de decodificar as próprias possibilidades. É perceber que um erro de sintaxe em um script pode ser corrigido com paciência e lógica, assim como os tropeços da vida podem ser superados com resiliência.
Do lado de fora dos muros acadêmicos, o mercado já anseia por esse fôlego novo. Como bem destacou Régis Haubert, CEO da Exatron, ao celebrar a iniciativa: “Estamos muito felizes em participar de mais uma edição do Jovem Tech. As empresas do Parque Canoas de Inovação têm uma demanda cada vez maior por profissionais qualificados, e essa parceria com a UniRitter e a Prefeitura permite contribuir diretamente para a formação desses novos talentos.”
A secretária Patrícia Augsten lembra bem: inovação só tem sentido se gerar oportunidades para as pessoas. E é exatamente isso que acontece ali. Quando o projeto prático final ganhar forma pelas mãos desses estudantes, guiados por mentores experientes, o portfólio que eles levarão consigo não conterá apenas projetos de software. Conterá a prova irrefutável de que o talento não escolhe endereço postal, e de que Canoas sabe, como poucos lugares, plantar sementes de futuro bem no solo fértil de sua juventude.
Quando a aula inaugural se encerra e os passos ecoam de volta para as ruas da cidade, fica no ar a sensação de que algo fundamental mudou. Para aqueles trinta jovens, o amanhã deixou de ser uma promessa abstrata e distante. Agora, ele tem sintaxe, tem lógica, tem cor — e, sobretudo, tem o nome deles.








