Apresentado pelo vereador Cris Moraes (PV), projeto que proíbe provas com animais na cidade sofre dura resistência da bancada tradicionalista liderada por Dario Silveira (União Brasil), que classifica a medida como “oportunista” e prevê forte mobilização social.
O cenário político e cultural de Canoas transformou-se em um verdadeiro campo de batalha ideológico. O protocolo de um novo Projeto de Lei na Câmara Municipal, de autoria do vereador Cris Moraes (PV), que visa proibir a realização de rodeios e quaisquer provas que envolvam animais na cidade, acendeu o estopim de um confronto anunciado. De um lado, defensores da causa animal exigem o fim imediato das práticas; do outro, entidades tradicionalistas e parlamentares defensores da cultura gaúcha prometem uma mobilização sem precedentes para derrubar a proposta.
O clima de “guerra” ganhou força após o posicionamento contundente do vereador Dario Silveira (União Brasil), que não poupou críticas à iniciativa e se colocou como a principal barreira contra a aprovação do projeto no legislativo canoense.

“Infeliz e oportunista”: Dario Silveira lidera a oposição ao projeto
O vereador Dario Silveira reagiu com indignação ao projeto de Cris Moraes, acusando o colega de desconhecer a realidade cultural e econômica do município. Canoas abriga uma das maiores regiões tradicionalistas do Rio Grande do Sul, com forte representação no Parque do Gaúcho.
Em seu pronunciamento, Silveira subiu o tom:
“O vereador foi infeliz e oportunista na sua proposta. Ele é pré-candidato a deputado federal e não conhece a grandeza da nossa tradição. Os rodeios representam mais de 2 bilhões no PIB do nosso estado. Nosso Parque do Gaúcho tem mais de 70 entidades, nossa cancha é uma das maiores do Brasil. A Semana Farroupilha é o maior evento que ocorre no município de Canoas.”
O parlamentar também contestou a associação automática entre a prática das provas e a ocorrência de maus-tratos, defendendo a rigidez técnica e a segurança dos eventos locais.
“Nossos rodeios têm responsável técnico durante todo o evento, ambulância e todo um aparato de pessoas dando atenção para o evento. Estão tentando colocar o tradicionalismo contra os defensores dos animais. Tenho convicção que nenhum tradicionalista é favorável aos maus-tratos. Eu, como defensor do movimento, vou me posicionar contra essa proposta”, declarou Dario Silveira.

O Projeto da Discórdia: O que propõe Cris Moraes?
Protocolada na última sexta-feira, 5 de junho de 2026, a proposta de Cris Moraes proíbe de forma ampla rodeios e eventos similares no município. O texto é detalhado e mira diretamente práticas tradicionais do ecossistema gaúcho.
Segundo o Artigo 2º do projeto de lei, passam a ser proibidas por serem consideradas práticas de tortura, perseguição ou maus-tratos:
- Gineteada
- Tiro de laço
- Prova de Rédeas
- Rinhas
- Corridas
Moraes sustenta que “cultura não promove tortura” e argumenta que a essência da identidade gaúcha reside na música, na culinária, na vestimenta e na dança, e não no sofrimento de seres sencientes. Para fundamentar a urgência da lei, a justificativa cita episódios recentes, como a eutanásia de um cavalo ferido em abril de 2026 e vídeos de bois sendo açoitados no próprio Parque Eduardo Gomes.
Confronto de Gigantes: Tradicionalismo vs. Causa Animal
A expectativa nos bastidores da Câmara Municipal é de que as galerias fiquem lotadas nas próximas semanas. A repercussão do caso já mobilizou as mais de 70 entidades tradicionalistas sediadas em Canoas, que prometem pressionar os vereadores a rejeitarem a proposta nas comissões temáticas.
O presidente da Câmara, vereador Abmael Almeida de Oliveira (PL), já se manifestou contrário à proposta, argumentando que os rodeios são manifestações consolidadas e passadas de geração em geração.
O presidente do Movimento Tradicionalista Gaúcho (MTG), Alessandro Gradaschi, adotou um tom mais moderado, mas firme contra a proibição:
“Qualquer situação que leve aos maus-tratos dos animais nós não concordamos. Não é a nossa orientação. Caso isso venha a ser comprovado, tomamos as medidas cabíveis para punir os responsáveis. Mas somos contra a proibição completa.”

O Impacto Econômico de R$ 2 bilhões em Jogo
Além do embate ideológico e cultural, o fator financeiro deve pesar intensamente nos debates. Um estudo conduzido pelo economista José Moura, da Universidade Feevale, aponta que a cadeia produtiva dos rodeios crioulos injeta cerca de R$ 2 bilhões por ano na economia do Rio Grande do Sul.
“A proibição total dos rodeios crioulos pode gerar impactos econômicos, sociais e culturais significativos, afetando empregos, renda e diversas atividades ligadas à cadeia produtiva tradicionalista”, adverte Moura, sugerindo que a punição rigorosa a desvios individuais é um caminho mais equilibrado do que a extinção das atividades.
Com as posições radicalmente opostas e a forte reação da bancada tradicionalista liderada por Dario Silveira, a tramitação do projeto promete ser uma das mais ruidosas e polarizadas da história recente do legislativo de Canoas.
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Com pesquisa do G1/RS









Uma Resposta
Que absurdo o projeto desse Senhor,não moro atualmente mais em Canoas,mas ao meu ver esse Senhor é um oportunista.
Não deixo de levar o nome da minha cidade Canoas onde eu estiver ou for.